"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."

Ignácio Ellacuría


O que iremos fazer hoje, Cérebro?

domingo, 22 de março de 2009

Brasil busca alinhamento militar na América do Sul

São Paulo, domingo, 22 de março de 2009
Brasil busca alinhamento militar na América do Sul

Meta é aproveitar vácuo de influência dos EUA para redefinir segurança regional
Ideia exposta em conselho sul-americano visa reduzir conflitos entre vizinhos, integrar políticas de defesa e alavancar indústria bélica

CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A SANTIAGO
O governo Lula trabalha para fixar os parâmetros de uma nova agenda de segurança regional e busca disseminar na Unasul (União de Nações Sul-Americanas) as diretrizes militares da Estratégia Nacional de Defesa -lançada em dezembro pelos ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).
Há dois objetivos principais no esforço conjunto do Itamaraty e do Ministério da Defesa. O primeiro é consolidar uma doutrina comum que estimule a cooperação, integre as políticas de defesa e reduza possibilidades de conflitos bilaterais.
O segundo é criar padrões gerais de organização e engajamento das Forças Armadas sul-americanas que ajudem a alavancar a indústria bélica -sobretudo a brasileira-, a partir do consumo de materiais e serviços em grande escala.
O CDS (Conselho de Defesa Sul-Americano), órgão da Unasul inaugurado há duas semanas em reunião ministerial em Santiago (Chile), se tornou a plataforma para a exportação dos planos militares do Brasil.
No encontro, foi aprovado um plano de ações que prevê o inventário das capacidades militares, um sistema de informação sobre gastos do setor e a consolidação de uma doutrina militar comum.
Jobim entregou a todos os presentes cópias da END, ressaltando a diretriz de estímulo à integração para "fomentar a cooperação militar regional e as bases industriais de defesa". Em Brasília, também fez palestra a embaixadores.
A tática de convencimento contempla a possibilidade de que os países sul-americanos, unidos, se beneficiem de exportações para outros continentes.
Com o término da Guerra Fria e o subsequente desmantelamento do guarda-chuva ideológico, países em desenvolvimento perderam seus referenciais na área de defesa. Na América do Sul, Argentina e Chile começam a desenvolver novas doutrinas de engajamento, tendo como modelo o Brasil.
Assim, no Ministério da Defesa julga-se inevitável que o conjunto de princípios que regem as Forças Armadas brasileiras se torne o novo referencial para a região.
Da mesma forma, o Brasil deve guiar o processo de estruturação de uma nova agenda de segurança regional, aproveitando o vácuo de influência deixado pelos Estados Unidos. Mas sem repetir a controversa fórmula da imposição.
Para evitar suscetibilidades, a ordem de Jobim a seus assessores é enfatizar o viés colaborativo, harmonizando as expectativas de todos os países integrantes da Unasul.
Na reunião na capital chilena, o ministro brasileiro adotou um perfil discreto. Ouviu mais do que falou e reiterou que a aliança militar sul-americana não repetirá modelos clássicos, como o da Otan (aliança militar ocidental).
Em privado, Jobim agradeceu o apoio do Itamaraty, concedendo ao embaixador em Santiago, Mario Vilalva, a medalha de Grande-Oficial da Ordem do Mérito da Defesa. Chile e Colômbia, que no ano passado estavam resistentes ao CDS, se tornaram entusiastas.
Mercado
A perspectiva em relação ao mercado de defesa sul-americano se baseia no fato de que a região tem gasto cada vez mais em material bélico. Analistas garantem que a dinâmica de crescimento da última década deve se manter a médio prazo, apesar da atual crise financeira e da queda das commodities.
No ano passado, os 12 países sul-americanos aplicaram em defesa mais de US$ 50 bilhões (R$ 105 bilhões), dos quais cerca de 30% foram para investimentos novos e manutenção de bens e serviços -os 70% restantes foram consumidos por salários e pensões.
Segundo especialistas, US$ 15 bilhões (R$ 30 bilhões) é um orçamento satisfatório, uma vez orientada a compra em fornecedores locais.
Nesse contexto, o contingente de militares- que hoje ultrapassa 1 milhão- constitui mercado consumidor para um amplo leque de produtos, sejam uniformes, capacetes, coletes, botas, barracas de campanha e rações, além de pistolas, metralhadoras e armas em geral.
Na lógica da produção, ganha quem tem tradição de indústria de defesa, como Brasil e Argentina, que tendem a se beneficiar com linhas de produtos como sistemas de combate, defesa antiaérea e veículos.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2203200907.htm

Um comentário:

graciela disse...

Sensacional!! O Brasil deve aproveitar o descaso dos EUA para com a América do Sul e se firmar de vez como potência regional, de olho claro em algo muito maior, que é o de estar entre as potências mundiais. O país vai ganhar não só prestígio, mas ainda mais poder frente aos demais.