"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."

Ignácio Ellacuría


O que iremos fazer hoje, Cérebro?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Jornalistas precisam de diploma? Não!

O Everton me cobrou dois posts. Um sobre o Bresser e outro sobre a decisão do supremo sobre o diploma de jornalista. Para ser jornalista é preciso de diploma de jornalismo? A resposta é simples, não. Para ser economista é preciso diploma de economia? Não. Para ser advogado é preciso diploma de direito? Não. Não deveria ser preciso diploma para a maioria das profissões. É um equívoco a regulamentação das profissões no Brasil. Por exemplo, uma das grandes bobagens cultivadas por alguns recém egressos dos cursos de relações internacionais é a regulamentação da profissão. Fora a insegurança típica do início da vida profissional, só interesses nefastos justificam a regulamentação da profissão sem nome de bacharel em relações internacionais. Também só a ignorância explica o uso do termo internacionalista para quem se forma em relações internacionais. Em geral as duas bobagens vêm acompanhadas. Se em relações internacionais não faz o menor sentido a regulamentação da profissão, só pioraria a situação. É fácil perceber isso no campo das relações internacionais, mas e nas outras áreas?

Nas outras áreas o cenário não é distinto. Há alguma razão para regulamentação da profissão de administrador? Alguém precisa ter cursado administração para exercer as funções de administrador? É óbvio que não. A regulamentação só gera renda para o Conselho de administração sem que resulte em benefícios para o graduado em administração, primeiro porque há milhares, segundo porque o engenheiro, o economista, o bacharel em relações internacionais, ou o bacharel em letras, ou em música ou em qualquer outra coisa poderá exercer as funções de administrador. Para ser economista tem que saber economia, para ser jornalista tem que saber investigar e escrever, para ser sociólogo tem que saber sociologia. Não importa onde se aprendeu economia, jornalismo, e sociologia. Pode ter sido no mestrado, na graduação, ou de forma autodidata. A regulamentação das profissões reflete o atraso do Brasil e nossa tradição cartorial. Esta aí um caso onde a visão liberal é a mais adequada. A OAB é um marco no atraso brasileiro. Do mesmo jeito que caiu a obrigatoriedade de diploma no jornalismo deve cair a obrigatoriedade na maior parte das áreas, inclusive direito. E no caso do jeito deve vir acompanhada de um enfraquecimento institucional da OAB. É preciso liberalizar.

Com relação especificamente ao jornalismo, na prática a lei já não era respeitada pela grande mídia. A Folha de São Paulo, por exemplo, há anos contrata pessoas formadas em qualquer curso, já tive alunos de ri que pensaram em se inscrever no curso da Folha para trabalhar lá. As redes de TV de um modo geral têm interesse na decisão, isso facilitará colocar, por exemplo, ex-BBBs como repórteres no Fantástico, na Ana Maria Braga, etc. Ou seja, não foi pelas razões positivas que a Globo comemorou a decisão, mas pelos desvios. Isso também permitirá um achatamento salarial ainda maior no jornalismo. A desregulamentação apenas do jornalismo representa um problema para os graduados em jornalismo e para os profissionais do jornalismo pelo uso que as empresas farão neste momento. Mas a desregulamentação em si é positiva. E deveria haver um política geral de desregulamentação.

Óbvio que num país como o Brasil não se pode desregulamentar, por exemplo, engenharia. Porque um monte de gente que não sabe nada irá se arrogar o direito de construir prédios. Mas no mundo perfeito seria desregulamentada. Do mesmo modo, a psicologia, num mundo ideal seria uma profissão a ser desregulamentada. Mas no Brasil vigora um pensamento anti-científico, as pessoas consideram mais crível as bobagens da nova era do que os conhecimentos científicos. Então são suscetíveis a toda forma de charlatanismo, manipulação, portanto desregulamentar a psicologia poderia ser um desastre. E isso mesmo considerando que muitos psicólogos hoje estão significativamente distantes do pensamento científico.

Um comentário:

Everton Primo disse...

Quem sabe eu não trabalhe no globo um dia...