"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."

Ignácio Ellacuría


O que iremos fazer hoje, Cérebro?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Intelectuais ao gosto do freguês

Este comentário estava no blog do Paulo Henrique Amorim, que está cada vez pior, mas é verdade. Não há país no mundo onde  há um consenso, uma padronização tão acentuada do que sai na imprensa quanto no Brasil. São sempre as mesmas pessoas dizendo sempre as mesmas coisas. Ninguém precisa assistir ao Painel do William Waack na Globo News para saber o que será tratado ou mesmo quem estará lá. O revezamento é sempre entre os mesmos e sempre para dizer as mesmas coisas. Alguém que leu uma coluna do Demétrio Magnoli, leu todas, jamais faz um esforço maior para pensar. O Rubens Antônio Barbosa sempre vai dizer que a política externa é equivocada, se o Brasil se dispõe a negociar ao invés de radicalizar sua posição, diz que o governo brasileiro não está defendendo o interesse brasileiro. Quando o Brasil radicalizada, e afirma de forma contundente a posição brasileira, ele diz que o governo brasileiro não sabe negociar e não consegue defender os interesses brasileiros. O Rubens Antônio Barbosa é tão caricato que é capaz de dizer que as relações entre o Brasil e os EUA não vão bem, que o governo Lula não sabe conduzir estas relações. E quando as relações entre os dois países foram melhores?

A Lúcia Hipólito, apesar de ter escrito, quase um clássico sobre o PSD (De Raposas e Reformistas: o PSD e a experiência democrática brasileira (1945-64)), parece contaminada pelo espírito udenista, virou um Datena de saias, só sabe fazer discursos moralistas contra a corrupção, análises políticas consistentes são coisas do passado.

E é engraçado como a imprensa elege seus oráculos e depois desaparece com eles. Durante o governo FHC, a Folha elevou a condição de oráculo e voz oficial da oposição, José Luís Fiori. O único discurso respeitável e aceitável de crítica ao governo era o Fiori. Hoje, nós nos perguntamos onde está Fiori? Sumiu da Folha. Outro desaparecido é Emir Sader.

 

JORNALISMO DAS MESMAS FONTES

Disk Fonte: o jornalismo papagaio de repetição

O problema são as mídias que sempre, sempre, sempre procuram esses mesmos caras para repercutir. Sempre eles. E somente eles. Façam um teste e procurem esses nomes no seu jornal, revista, rádio, TV, site preferidos.

Questões trabalhistas? Disk Pastore

(O sociólogo José Pastore, mas sem dizer que ele dá consultoria para a Confederação Nacional da Indústria e a empresários que têm interesse direto no assunto)

Constitucionalismos? Disk Ives Gandra

(O respeitável jurista do Opus Dei não vacila jamais)

Ética? Disk Romano

(O professor de filosofia Roberto Romano)

Questões sindicais? Disk Leôncio

(O cientista político Leôncio Martins Rodrigues)

Ética na política? Disk Gabeira

(O deputado federal Fernando Gabeira,

que viaja bastante de avião…)

Ética dos juros? Disk Eduardo Giannetti

(O professor do Ibmec é quase um gênio)

Pau no governo Lula? Disk Marco Antônio Villa

(Historiador. Tiro e queda.)

Mais pau no governo Lula?

Disk Lúcia Hippólito - com a vantagem de ser uma das meninas do Jô)

Relações internacionais? Disk Rubens Barbosa

(Ex-embaixador. Precisa diversificar?

Disk Celso Lafer, o ex-chanceler)

Mercado financeiro?

Disk Arminio Fraga, o ex-BC

Mercado financeiro mundial? Disk Paulo Leme

(O cara está em Wall Street, pô, sabe tudo…)

Segurança pública? Disk Zé Vicente

(Ele é durão, estava lá dentro, mas fala como sociólogo. E com a vantagem de não ficar falando em direitos humanos para qualquer “resistência seguida de morte”. É o coronel esclarecido…)

Partidos? PT especificamente? Disk Bolívar

(O cientista político Bolívar Lamounier, mas, por favor, não diga que ele é filiado ao PSDB)

Geografia? História? Demografia? Sociologia? Socialismo? Política? Geopolítica? Raça? Relações internacionais? Coréia? Pré-sal? Cotas? Mensalão? América Latina? MST? Pugilistas cubanos? Liberdade de imprensa? Farc? Tarso Genro?

Disk Demétrio Magnoli.

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=12392

Lula faz o discurso certo na Europa!

BBC Brasil

Lula encerra visita a Genebra com críticas à direita europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta segunda-feira sua visita a Genebra, na Suíça, fazendo uma crítica à direita europeia por transformar imigrantes estrangeiros em "instrumentos de campanha" em momentos de crise.

O presidente, que discursou e arrancou aplausos em dois braços da ONU - o Conselho de Direitos Humanos e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) -, passou o dia batendo na tecla de que "não são os imigrantes e os pobres do mundo" os responsáveis pela atual crise econômica.

"Eu tenho notado que em algumas campanhas políticas o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração para garantir o emprego no seu país", afirmou o presidente. "Não podemos permitir que a direita em cada país utilize o imigrante como se ele fosse um mal da nação ocupando o lugar de uma pessoa do próprio país."

O ex-operário eleito e reeleito presidente falava a colegas sindicalistas no Palácio das Nações, sede da ONU, em Genebra. Lula disse que só o movimento sindical poderia assumir o combate à xenofobia entre os trabalhadores.

"Nós não podemos permitir que essa visão ideológica tenha lugar no mundo do trabalho. Essa é uma luta muito difícil. Muitas vezes os próprios trabalhadores culpam os imigrantes. Então não é uma luta fácil, mas é uma luta que somente o movimento sindical pode assumir e defender com unhas e dentes."

Emprego e crise

As palavras de Lula, um líder de país emergente que tem conseguido fazer ecoar suas visões nos países da Europa ocidental, foram um alerta adicional para os países da OIT que discutem, em Genebra, o problema do emprego diante da crise.

Neste ano, a OIT estima que cerca de 50 milhões de pessoas se somarão a outros 190 milhões de desempregados no mundo, resultado da crise econômica. Um problema adicional é o da precarização do emprego, que poderia afetar cerca de 1,6 bilhão de empregados, ou pouco mais da metade da mão-de-obra global.

Ao assinar um acordo com a OIT para estabelecer cooperação com vistas a promover o trabalho decente, Lula disse que tais desafios requerem a participação da OIT nos fóruns internacionais de discussão da crise. Em nome dele e de outros chefes de Estado, convidou o órgão para estar presente nas negociações do G20.

Logo depois, ao discursar na plenária da OIT, Lula foi aplaudido seis vezes - e ovacionado de pé ao final de sua participação - ao criticar duramente o modelo econômico pregado pelo neoliberalismo e defender um Estado forte capaz de amparar os cidadãos em um momento de crise econômica.

"Primeiro teve o Consenso de Washington e depois o neoliberalismo, que disse que o Estado tinha de ser o mínimo possível, porque o mercado resolvia qualquer problema. Mas no meio da crise, a quem é que os bancos americanos, os bancos alemães recorreram? Ao Estado. Porque somente o Estado tinha garantia e credibilidade de fazer aquilo que o mercado não conseguia fazer", disse Lula, arrancando aplausos da plateia.

Depois, o presidente estabeleceu uma correlação entre Estados fortes e carga tributária, e arrancou mais aplausos dos presentes.

"Eu fui agora em alguns países da América Central e tem países em que a carga tributária é de 9%. Tem uns que é de 12%. Ora, a verdade é que um Estado com uma carga tributária de 9% não existe como Estado. Não é possível. A OIT poderia nos presentear com a carga tributária da Suécia, da França, da Alemanha, da Itália para que a gente perceba que os países que têm mais política social são exatamente os que têm uma carga tributária condizente com a necessidade de trazer benefícios para o seu povo", disse.

Brasil como exemplo

Em muitos momentos o presidente citou as políticas de seu próprio governo como exemplo de medidas a serem seguidas. Por exemplo, a recente aprovação no Congresso de um projeto de anistia a imigrantes proposto do Executivo.

"Para dar uma resposta, um sinal aos preconceituosos, aqueles que imediatamente querem encontrar os responsáveis pela sua própria desgraça, o seu desemprego", disse no início do dia, em contraponto à tendência de endurecimento das políticas migratórias observada nos países ricos.

O presidente também seguiu a linha de que, mesmo antes da crise, o Brasil havia posto em marcha "medidas econômicas anticíclicas" que ajudaram a conter os efeitos da desaceleração. Exemplos disso seriam o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o programa de construção de moradias anunciado no início do ano. "Agora, chegamos a um ponto no Brasil em que não vamos mais parar de investir", disse Lula.

De Genebra, o presidente seguiu para Ecaterimburgo, na Rússia, onde participa da primeira cúpula presidencial dos BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China).

Lula disse que aproveitará o encontro com o grupo de elite dos emergentes para tratar de temas como reforma das instituições multilaterais, comércio mundial, respostas à crise financeira e apoio no Conselho de Segurança da ONU.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090615_lulagenebra_pu_ac.shtml

Sai Fora, Gilmar Mendes

Israel já não pode apenas fazer discursos!

URI AVNERY: OBAMA NÃO ESTÁ PARA PISCADELAS

Atualizado e Publicado em 14 de junho de 2009 às 21:33

por Uri Avnery*, em Gush Shalom (Grupo da Paz, Telavive)

Tradução: coletivo Todas as Vozes

Lembram-se de Dov Weisglass? Aquele, que disse que a paz teria de esperar até que os palestinos virassem finlandeses? Que falava de conservar em formol o processo de paz?

Weisglass será para sempre lembrado, menos pelo que disse do que por suas piscadelas, aquela coisa de falar e piscar um olho. Weisglass é o Rei da Piscadela.

Essa semana, Binyamin Netanyahu convocou-o para reunião urgente; precisava de curso intensivo de "piscar olho", expressão de gíria, do hebraico contemporâneo, para "enganação").

Enganação é o principal instrumento de trabalho dos empreiteiros israelenses que constroem colônias. A enganação-piscadela é a verdadeira mãe de todas as colônias. Os colonos enganam-piscam. O governo de Israel engana-pisca. Dizem não, e enganam-piscam. Enganam-piscam e constroem. Enganam-piscam e instalam água e luz. Enganam-piscam e mandam soldados para os postos avançados e arrancam palestinos de suas terras e arrancam oliveiras pelas raízes.

A piscadela de enganação também é o principal instrumento de trabalho da diplomacia israelense. Tudo se faz por piscadelas. Os EUA exigem o fim da construção de colônias e piscam. Israel concorda – e também pisca.

O problema é que não há registro impresso de piscadelas. Não há tecla de computador para marcar "piscadela de enganação". Então… Hillary Clinton pode, honesta e sinceramente, garantir que não há piscadelas de enganação em acordos assinados por EUA e Israel. Nem em qualquer memorando-registro das conversações. Não há registro de piscadelas de enganação em nenhum arquivo ou documento.

Pior: parece que a cultura afro-norte-americana não conhece a piscadela de enganação. Quando Netanyahu sentou-se na Casa Branca e pôs-se a piscar –  Barack Obama não respondeu. Bibi piscava e piscava e piscava… e Obama não entendia. Piscou e piscou e piscou até ter cãibras no olho, e nada! Obama provavelmente pensou que Bibi tivesse um cacoete. Como pisca! Realmente embaraçoso.

O que fazer ante alguém que não é de piscadelas? Como, ó Deus, conseguir resposta de piscadela? Esse é o principal problema que o primeiro-ministro de Israel enfrenta hoje.

Amanhã, o primeiro-ministro discursará um "Grande Discurso". Não apenas grande, também muito "histórico". Será a apoteótica resposta ao discurso de Obama no Egito. Tudo está sendo encenado para que os dois discursos se pareçam. Obama falou na Universidade do Cairo? Netanyahu falará na Universidade Bar-Ilan, instituição religiosa da direita israelense, onde foi cevado o assassino de Yitzhak Rabin.

Mas as semelhanças ficam por aí. Haverá diferenças. Obama delineou os contornos de um Novo Oriente Médio? Netanyahu delineará os contornos do Velho, bem velho, Oriente Médio. Obama falou de um futuro de paz, cooperação e respeito mútuo? Netanyahu falará do passado de Holocausto, violência, ódio e medos.

O maior problema de Netanyahu é convencer o mundo de que o velho é novo. Converter os velhos e surrados clichês em novidade; convertê-los em palavra de ordem para amanhã. Mas… como fazê-lo sem usar piscadelas de enganação, ante alguém que não reage a piscadelas?
Como falar sobre "crescimento natural" das colônias, sem piscar? Como falar de Estado palestino, sem piscar? Como falar sobre apressar as negociações de paz com palestinos, sem piscadela de enganação?

Os mais famosos alfaiates foram convocados para ajudar a costurar as roupas novas do rei, dos ministros, dos deputados ao Parlamento israelense, de todos os professores-mágicos e, claro, também de Shimon Peres.

Todos acorreram, ao primeiro chamado: costurar roupa nova, calças de moda e gravata colorida – dessas que só os espertalhões veem.

Israel sempre apostou no Holocausto, como uma espécie de salvo-conduto para cometer qualquer crime. Era dizer "Holocausto" e a sala ficava em silêncio. Israel pôde oprimir os palestinos, roubar a terra deles, meter colônias na terra dos palestinos, espalhar postos de controle armado por toda parte, como caca de mosca. Israel bloqueou Gaza, fez o que quis. E quando os não-judeus protestavam, bastava gritar "Holocausto" – e os protestos calavam, congelados nos lábios dos não-judeus.

Agora… O que fará Israel, contra Obama, que denuncia o horror do Holocausto, que visita um campo de concentração e leva ao lado Elie Wiesel, "Mr. Holocaust", em pessoa… E que, mesmo assim, exige que pare a construção de colônias?

Não surpreende que Netanyahu esteja sofrendo o suplício da insônia, sem descanso para a alma. Netanyahu sem o Holocausto é como o Papa sem a cruz. Sem um "segundo Holocausto"… o que Netanyahu terá a dizer contra o Iran? O que dirá sobre o "Perigo Existencial" que impede Israel de evacuar tendas e barracões na Judeia e derrubar muros na Samaria?

Sem isso… o que restará para que Netanyahu  recheie seu "Discurso Histórico"?

Terá de martelar prego quadrado em buraco redondo. Cada vez que diga "sim", leia-se "não". É o que sempre fizeram seus antecessores. Ehud Barak fez. Ariel Sharon fez. Ehud Olmert fez. Com uma diferença: diziam, faziam… e piscavam a piscadela de enganação; mas Netanyahu terá de falar sem piscar.
Terá de falar da solução dos Dois Estados… sem mencionar dois Estados. Terá de falar sobre parar de construir nas colônias… sem parar de construir nas colônias e com o trabalho (de construção nas colônias) continuando, sem parar, a pleno vapor.

No passado, sempre houve muitos truques para continuar a construção de colônias. "O cérebro judeu produz patentes" – diz uma canção popular muito conhecida. Novas colônias foram sempre construídas, sob a mentira de que seriam extensões da colônias existentes – mesmo que a 'extensão' esteja a dez, cem, duzentos, mil, dois mil metros de distância… desde que, da colônia, aviste-se a 'extensão'. Ou mentiu-se que a construção prosseguia, não em novas terras, mas nos limites das colônias já existentes… O que sempre foi quase-verdade, porque a colônia de Maaleh Adumin, por exemplo, é enorme, com área equivalente à de Telavive.

Talvez Netanyahu lembre a famosa carta de George W. Bush, em que manifesta opinião de que, em qualquer futuro acordo de paz, "centros populacionais já existentes" deve(ria)m ser anexados a Israel. Mas nem Bush definiu o que fossem "centros populacionais" ou demarcou fronteiras. Nem Bush jamais disse que Israel estaria autorizado a construir em terra dos palestinos antes de haver qualquer acordo. Antes de tudo, porque jamais teve autoridade para decidir essas questões.

Israel fala também do "crescimento natural". OK. Mulheres podem ser usadas como máquinas de fabricar crianças, de preferência gêmeos e trigêmeos. E qualquer um pode adotar filhos, de 1 a 101 anos. Claro, sempre que nasce um filho, é preciso construir outro quarto, outra casa, outra colônia.
(E quem fale em "crescimento natural" para os judeus, fala também de "crescimento não-natural" para os árabes. Os árabes não crescem naturalmente. São como uma doença: crescem não-naturalmente. Netanyahu talvez use também esse argumento.)
E quanto ao Estado da Palestina, que Obama está projetando?

A televisão israelense fez feio trabalho, essa semana: lembrou aos israelenses que Netanyahu disse há apenas seis anos: “Estado palestino – NÃO!”, porque "dizer sim a um Estado palestino significa dizer não ao Estado judeu".

Netanyahu parece crer que se trata apenas de como encenar as coisas. Talvez diga que, no passado, Israel já aceitou o Mapa do Caminho, que contém vestígios de um Estado palestino. É verdade que Israel 'aceitou'… mas com 14 emendas que, de fato, castraram o Mapa do Caminho e o converteram em papel sem qualquer significado. Netanyahu conta com que Obama dê-se por satisfeito.

Em resumo: ninguém precisa voltar a falar de Dois Estados, porque o assunto já foi mencionado no Mapa do Caminho (amaldiçoado seja! – como Netanyahu, se não diz, pensa), que Israel declarou morto há muito tempo, mas que agora finge que volta a considerar, e no qual há rápida menção a algo semelhante a Dois Estados. Então não se fala mais nisso; basta uma rápida referência de modo oblíquo (e piscadela).
Mas o que fazer se, apesar de tudo, Obama insiste para que Netanyahu pronuncie as palavras "Estado palestino", dos próprios lábios? Se não houver truque possível, para dizer sem dizer, Netanyahu talvez pronuncie as palavras… e mentalmente as exorcizará, como maldição; e acrescentará qualquer meia dúzia de adjetivos que detonarão o real significado das palavras. Exatamente como, antes dele, já fizeram Barak, Sharon e Olmert.

As declarações de Tzipi Livni e sua turma deram a impressão de que continuam todos empacados. Também ela parece crer que Israel poderá continuar a falar sobre Dois Estados, enquanto opera na direção oposta; falar de parar a construção de novas colônias, e continuar a construí-las. Dessa toca não virá qualquer mensagem nova.
A questão é que Obama não está interessado em dar nova formulação a velhos slogans. Parece estar exigindo que Israel aceite o princípio dos Dois Estados como base para ação concreta e rigorosa: chegar a um acordo para o estabelecimento de um Estado chamado Palestina, com capital em Jerusalém Leste; e fim das colônias e de toda a parafernália da ocupação.

Obama está exigindo negociações consistentes, de modo que em dois ou três anos – antes do fim de seu governo – haja verdadeira paz na Região, uma paz que realmente assegure a existência e a segurança do "Estado judeu de Israel" (expressão que George Mitchell inaugurou essa semana) e do Estado árabe da Palestina, lado a lado.

Tudo isso é parte de uma nova ordem de um novo Grande Oriente Médio, do Paquistão ao Marrocos, como parte de uma visão de mundo mais ampla.
Contra essa visão, de nada servem as piscadelas de enganação à moda Weisglass ou a ginástica verbal à moda Peres.

No discurso de amanhã, Netanyahu terá de escolher um dentre três caminhos: ou adota a via de uma colisão frontal com os EUA; ou promove mudança total na política do seu governo em Israel; ou renuncia.

Acabou a era das piscadelas de enganação.

* URI AVNERY, 13/6/2009, Obama won’t wink back

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/uri-avnery-obama-nao-esta-para-piscadelas/

O Brasil líder: ''Temos de estar para o Brasil como o Canadá para os EUA''

''Temos de estar para o Brasil como o Canadá para os EUA''

Francisco De Narváez: Peronista dissidente adversário de Kirchner

Ariel Palacios, BUENOS AIRES

O empresário argentino Francisco De Narváez entrou há três anos na política e já se converteu num rival do ex-presidente argentino, Néstor Kirchner. El Colorado (O Vermelho), como é conhecido por seus cabelos ruivos, assumiu o segundo lugar nas pesquisas, mesmo reconhecendo: "grande parte dos votos que recebo não são por amor a mim, mas por ódio a Kirchner".
A oposição pode conseguir maioria no Parlamento, mas está fragmentada. Depois da eleição, a oposição vai se unir?
O kirchnerismo acabou. A oposição tem a responsabilidade de ser mais racional. Por isso, estou preparando uma agenda parlamentar para toda a oposição.
Os Kirchners dialogarão com a oposição após as eleições?
Se o conceito é mesmo aquele que eles próprios afirmam, de que só se pode governar com maioria, teremos claramente confrontos. Esse argumento de que não poderiam governar sem maioria é autoritário. Kirchner fez muitas coisas para ser odiado por grande parte do país, em todas as classes sociais, seja na Vila Mosquito (bairro pobre da província), ou em Pergamino (rico polo agrícola).
Como define Kirchner?
É o símbolo de tudo que é preciso superar e é capaz de qualquer coisa para se manter no poder, num país que é hiperpresidencialista. Mas passou dos limites, pois ele age como presidente, caminha como presidente e anuncia medidas que teriam de ser anunciadas pela presidente, que é sua mulher. Eu represento o peronismo do futuro, necessário para o país.
Como encara a relação da Argentina com o Brasil? Kirchner teve vários confrontos com o Brasil e aproximou-se de Hugo Chávez...
A Argentina deve ser o Canadá dos EUA para o Brasil. Um sócio estratégico, mas minoritário. Temos de parar de brigar. Mas podemos ganhar do Brasil no futebol (risos). Nosso futuro é estarmos unidos. Precisamos sair desse eixo Caracas-La Paz-Quito.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090614/not_imp386951,0.php

segunda-feira, 8 de junho de 2009

SOS Norte e Nordeste! Não é porque os jornais as ignoram que não há vítimas

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SOS Norte e Nordeste

Assessoria Nacional de Comunicação da Cáritas

Em virtude do agravamento da situação de milhares de pessoas atingidas pelas enchentes nas regiões Norte e Nordeste, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Cáritas Brasileira lançam uma campanha nacional de solidariedade. As doações em dinheiro podem ser feitas nas contas bancárias:
Banco do Brasil: Agência 3475-4, c/c: 23091-X
Banco Bradesco: Agência 606, c/c: 68000-1
Caixa Econômica Federal: Agência 1041, operação 003, c/c: 935-1
(Para DOC, o CNPJ da Cáritas é: 33.654.419/0001-16)

http://www.teste.caritasbrasileira.org/maisnoticias.php?code=13&id=597&filtro=16&tipo=&ordem=&tema=

Quanto mais pobres, piores as consequências das chuvas!

RELATO DE VISITA AOS DESABRIGADOS DO MARANHÃO

por José Magalhães de Sousa

Assessor Nacional da Cáritas Brasileira

“As enchentes ocorridas ao longo desses últimos meses têm deixado situações marcantes, de grande sofrimento. Mas, graças a Deus, existem diversas ações que mobilizam a população para a solidariedade, e devido a estas atitudes o sofrimento do povo se torna mais ameno. Nesta oportunidade destaco a contribuição da Cáritas Brasileira, que vem se fazendo presente na vida desses filhos e filhas de Deus”.

(Ir. Alessandra - Cáritas Diocesana de Bacabal - MA)

O Maranhão foi, sem dúvida, um dos estados mais castigados pela tragédia das enchentes de 2009: foram 13 vidas ceifadas; 95 cidades em situação de emergência; 367.005 pessoas afetadas, 44.405 desabrigados; 80.087 desalojados, segundo dados da Defesa Civil. Há quase 60 dias, 30 mil alunos da rede pública estadual não têm aulas.

No período de 26 a 31 de maio, agentes da Cáritas Brasileira Regional Maranhão, juntos com o assessor nacional José Magalhães de Sousa, percorreram várias regiões do estado, visitando áreas alagadas, abrigos, famílias desalojadas, equipes locais de Cáritas.

Nesta visita pudemos presenciar o retrato real de uma catástrofe: uma situação extremamente crítica, de violação a todo tipo de direitos da pessoa humana, negligência total do poder público, milhares de pessoas amontoadas em abrigos, sem água, sem luz, sem banheiros, sem comida, mulheres grávidas, outras dando à luz nos abrigos, senhoras idosas de até 90 anos, crianças, muitas crianças, em situação de nudez e mal alimentadas, bebês sem banhos há dias, muitos pais e mães de famílias desolados, esperando o dia em que as águas permitam contemplar o que restou ou o que não restou de suas casas.

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Foto: José Magalhães de Sousa: Família alagada em Viana - MA

As estradas estão em péssimas condições, com verdadeiras crateras abertas em todos os trechos. Os 250 quilômetros que separam a capital São Luís das regiões mais atingidas são percorridos, de carro, em até cinco horas, sempre debaixo de muita chuva.

As primeiras áreas a serem visitadas foram os municípios de Viana e Cajari, banhadas pelos rios Pindaré e Maracu. Bem perto, no município de Arari, passa o Rio Mearim. A confluência desses rios na região baixa, de enormes planícies, com as águas vindas dos igarapés, aumenta o volume de água que se espalha por toda a planície, como se formasse um enorme pantanal. Búfalos e bois criados na região são obrigados a migrar para outras regiões, ou morrem afogados.

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Foto: José Magalhães de Sousa. Alagados em Cajari – MA

Nessa região, a maioria dos desabrigados está em Cajari, amontoados em colégios, salões de igrejas e numa associação do município. Juntamente com a equipe de Cáritas Diocesana local, pastorais sociais e Fórum de Cidadania, foram organizadas e distribuídas, na ocasião da visita, 66 cestas básicas e 66 kits de limpeza[1].

Outro município visitado foi Bacabal. Ali, na parte baixa da cidade, chamada de Trizidela (não confundir com outro município atingido), as casas ainda estão submersas. O maior dos mais de trinta abrigos formados na cidade fica no parque de exposição de animais da cidade, onde existem cerca de mil pessoas amontoadas. A lona preta que separa os compartimentos onde ficam até seis famílias juntas contribui para aumentar mais ainda o calor de quase 40 graus. Não há latrinas, nem banheiros químicos. Sequer há mato para as necessidades fisiológicas, que são feitas ao relento. O mau cheiro é terrível. As pessoas desabrigados reclamam da falta de água; só existem quatro torneiras que nem sempre têm água; à meia noite, quando a água chega a essas torneiras, filas enormes se formam em busca de um balde de água para as necessidades básicas e para cozinhar.

Seguimos para Pedreiras e Trizidela do Vale (homenagem a João do Vale, ilustre filho da cidade). As duas cidades estão separadas apenas pela ponte do rio Mearim. Trizidela do Vale, porém, é, de longe, o mais castigado de todos os municípios maranhenses atingidos pelas enchentes. Dos seus 14 mil habitantes, 12 mil foram afetados. Praticamente, tudo tem que ser reconstruído. As águas baixaram e as famílias começam a voltar para suas casas – aqueles que tiveram a sorte de não ter a casa totalmente destruída. Muitas famílias foram desalojadas duas ou até três vezes, passado de um lugar a outro, à medida que as águas iam atingindo níveis cada vez mais altos.

Em Pedreiras, no diálogo com os padres da Paróquia de São Benedito, tomamos conhecimento da existência de um Comitê SOS Enchentes, formado por empresários, funcionários dos Bancos existentes na cidade (Banco do Brasil, Caixa Econômica e Bradesco), Exército, Defesa Civil, Prefeitura, Igrejas, etc. Além de deflagrar uma campanha de donativos, o Comitê teve importante papel no deslocamento e alojamento das famílias desabrigadas. Na própria paróquia encontravam-se cerca de 700 cestas básicas compradas com recursos da campanha local. O salão paroquial está lotado de famílias.

Do outro lado do Rio Mearim, em Trizidela do Vale, a paróquia de Santo Antonio abriu as portas aos desabrigados. Não há um só espaço, com exceção da capela, que não esteja ocupado: salão paroquial, quadra de esporte, colégio, etc. São mais de mil pessoas. Ali encontramos um grupo do Exército e agentes da Defesa Civil de São Luís, com equipes que permanentemente se revezam no local. Médicos, enfermeiros e dentistas fazem atendimento aos desabrigados. O frade franciscano Frei Ribamar, vigário da paróquia, mostrava-se incansável, com sua equipe paroquial, levando conforto e concedendo aos desabrigados condições mínimas de sobrevivência.

O último município a ser visitado foi São Luiz Gonzaga do Maranhão, um dos mais pobres do estado. Ali também o Rio Mearim desabrigou todos os que moram às suas margens e nas partes baixas da cidade. A paróquia e a Prefeitura formaram parcerias para o atendimento aos desabrigados que já começam a voltar para suas casas.

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Foto: José Magalhães de Sousa. Alagados em Viana-MA

Qual é o rosto do desabrigado que encontramos? Sem dúvida, o rosto dos mais pobres: habitantes de casebres às margens do rio ou em áreas de risco, casas de barro, de chão batido em sua maioria; vivem de pesca artesanal, do oficio de canoeiros, de pequenas agriculturas, ou de prestação de serviços, quando existem. Casas de alvenaria, sem estrutura sólida, foram abaixo por completo; casas de taipa se dissolveram, restando uma montoeira de lama e o “esqueleto” a ser revestido de barro novamente. Muitos desses moradores resistem em sair de suas casas, mesmo sabendo que num próximo ano tudo poderá acontecer de novo. Além do amor próprio pela residência conseguida com o suor do rosto, ali ele estará perto do seu ganha-pão, da pesca, ou do transporte da canoa. É o rosto da família que vive em constante vulnerabilidade. As enchentes só agravam mais e mais a situação de quem já vive em permanente estado de emergência.

Segundo os desabrigados, a fase mais difícil está acontecendo exatamente nesse momento, quando é chegada a hora de voltar e ver a casa imunda ou destruída por completo, sem absolutamente nada dentro. Perdeu-se tudo, menos a esperança de recomeçar. Perguntados sobre as maiores necessidades do momento, o alimento vem em primeiro lugar, depois o barro para pelo menos tapar as paredes destruídas e dar condições de moradia, ainda que provisória.

O lado menos visível (e não menos complicado) dessa história são as comunidades rurais isoladas, que vivem das pequenas lavouras, da plantação de mandioca e criação de pequenos animais. Em muitas comunidades rurais, as perdas na agricultura são totais. Não há o que recuperar. “Será um ano de fome” disse um dos desabrigados, por conta da perda das plantações.

A Cáritas Brasileira Regional Maranhão e Cáritas locais estão trabalhando no atendimento imediato, com recursos de doações das comunidades, colégios e paróquias de São Luis, recursos da CRS/USAID, recursos da Campanha SOS Norte Nordeste e da Cáritas Alemã e do Governo da Alemanha. Pelo menos três mil famílias serão beneficiadas, nos próximos dias, com alimentos, kits de limpeza, kits de higiene pessoal e kits para dormir (redes, lençóis, mosquiteiros).

Uma vez baixadas as águas, restará um mundo a reconstruir. Os maiores desafios de uma ação de atendimento emergencial como essa ainda estão por vir. Mais do que favorecer condições imediatas de retorno às suas moradias, é preciso dar um grito de socorro que ecoe aos quatro cantos do país até que alguém escute; é preciso tomar as dores dos que sofrem invisivelmente. O nosso papel enquanto Cáritas e enquanto Igreja é de fazer chegar esse grito a quem de direito, cobrar políticas públicas, ações duradouras, de garantia dos direitos, de habitações seguras, de condições mínimas de vida digna de seres humanos. Do contrário, ano após ano, acontecerão novos desastres cada vez mais graves, sem dúvida. Uma vez destruída, a natureza não perdoa.

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Foto: José Magalhães de Sousa. Equipe Caritas Regional e Cáritas Diocesana de Viana organizam as ações

Depoimento: “Era quatro horas da tarde do último dia 11, quando meus netinhos decidiram ir até um outro povoado vizinho, junto com minha filha de 21 anos, apelidada de “Grande”. Para se deslocarem usaram a carroça, guiada por um boi. Eu disse a minha filha Grande, que não levasse as crianças, porque tinha muita água no caminho. Minha filha respondeu que não teria problema, porque já estava acostumada com a situação e as crianças insistiram que queriam passear com a tia. Depois de 5 minutos, escutei dois gritos: socorro! socorro! Com o coração apertado corri em direção aos gritos e percebi que as seis pessoas estavam se afogando. Gritei por meu filho mais velho para ajudar e nos jogamos na água; com muita dificuldade, conseguimos salvar a “Grande” e as quatro crianças, mas infelizmente uma das netas, a Kelinha de apenas 7 anos, morreu afogada. Encontramos o corpo após 1 hora de incansável procura e descobrimos que o boi que guiava a carroça foi atingido por um Puraquê (peixe elétrico que causa choque de grande intensidade) e isto fez com que a corroça se desequilibrasse e virasse com os seis ocupantes, provocando também a morte do boi”. (Dona Aldenora, Bacabal/MA)


[1] Cada cesta básica compreende cinco quilos de arroz, dois quilos de feijão, dois quilos de farinha, um litro de óleo, um quilo de macarrão, meio quilo de leite, três latas de sardinha, um quilo de sal, dois pacotes de biscoito água e sal, dois pacotes de fubá de milho, dois quilos de açúcar e um quilo de café. Cada kit de limpeza contém duas vassouras, dois baldes, dois panos de chão, dois litros de água sanitária, dois pacotes de sabão, cinco barras de sabão em pedra, um desinfetante e quatro rolos de papel higiênico.

Drama de filme!

UOL

08/06/2009 - 01h37

Coreia do Norte condena jornalistas americanas a 12 anos

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

As jornalistas norte-americanas Laura Ling e Euna Lee, presas há três meses na Coreia do Norte por cometerem "grave crime contra a nação", foram condenadas nesta segunda-feira a 12 anos de trabalhos forçados, de acordo com informações das agências de notícias.

Laura Ling e Euna Lee, que trabalham para o veículo digital "San Francisco Current TV", foram detidas no dia 17 de março na fronteira do país comunista com a China enquanto gravavam imagens para um documentário sobre tráfico de mulheres norte-coreanas.
No final de março, a Coreia do Norte anunciou que as acusaria de "entrada ilegal e atos hostis, com base nos documentos sobre seus crimes", obtidos nas investigações e nas declarações das próprias jornalistas.
O governo norte-americano assegurou que tentará por todos os meios conseguir a libertação das duas jornalistas. "Estamos comprometidos a assegurar sua libertação por todos os canais possíveis", assegurou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ian Kelly, em comunicado.
*As informações são da agências AP e EFE

terça-feira, 2 de junho de 2009

Os livros de hoje

Chegou hoje alguns livros que eu comprei, quero comentar sobre alguns deles.

O primeiro “O Estruturalismo Latino-Americano” de Octavio Rodríguez, economista uruguaio. O livro é uma verdadeira enciclopédia sobre o pensamento econômico latino-americano ligado ao estruturalismo da CEPAL. Um livro de 700 páginas que certamente para em pé. A se lamentar apenas o prefácio que é de Fernando Henrique Cardoso, não se poderia escolher ninguém melhor para desvalorizar o livro, cuja ligação com o estruturalismo encontra-se num passado remoto, pré-histórico, se é que algum dia houve ligação. Certamente haveria nomes melhores para escrever o prefácio. Em todo caso, vale a pena o livro. Outro livro do autor especificamente sobre a CEPAL, também excelente, mostra a complexidade da teoria cepalina para além do esquematismo da vulgarização feita pelos críticos e pelo tempo.

O outro livro é uma homenagem a Ruy Mauro Marini, “A América Latina e os Desafios da Globalização. Ensaios dedicados a Ruy Mauro Marini” coordenado por Emir Sader e Theotonio dos Santos. Nem todos os artigos são sobre a obra de Marini, mas a maioria toca algum ponto. Marini é um dos principais autores da teoria da dependência e é praticamente ignorado no Brasil por razões políticas e ideológicas. Os escritos de Marini foram barrados no Brasil e consequentemente sua produção está difundida muito mais na América hispânica do que aqui. De fato, seus discípulos são muito ativos no México tendo criado inclusive um site com a maior parte das obras de Marini http://www.marini-escritos.unam.mx/.

O terceiro livro é de Johan Galtung, “Transcender e transformar: um introdução ao trabalho de conflitos”. Galtung é o pai da disciplina “Estudos e pesquisas para a paz” e do conceito de violência estrutural. Os trabalhos dele e dos seguidores podem ser acompanhados no site http://www.transcend.org/. O livro em questão é uma abordagem para a solução de conflitos.

O quarto livro é “Lords of Finance: the bankers who broke the world” de Liaquat Ahamed. Por mais que o título faça parecer que o livro trata da crise atual, o livro é sobre a crise dos anos 30. Mas os atores são sempre os mesmos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

GM a preço de banana

“Na sexta-feira, por exemplo, as ações da GM caíram a US$ 0,71, o menor patamar desde que começaram a ser listadas na Bolsa de Valores de Nova York, em 1916.”

 

Vejam só, as ações valem menos que em 1916!

sábado, 30 de maio de 2009

Uma tradição de tortura por Noam Chomsky

Uma tradição de tortura por Noam Chomsky

Os memorandos de tortura liberados semana passada pela Casa Branca provocaram choque, indignação e surpresa. O choque e a indignação são compreensíveis — em especial o Relatório do Comitê de Serviço das Forças Armadas do Senado sobre Tratamento de Presos, que recém deixou de ser secreto.

No verão de 2002, como o relatório revela, interrogadores em Guantânamo encontravam-se sob pressão crescente a partir da cadeia de comando para estabelecer uma ligação entre o Iraque e a Al-Qaeda. O afogamento simulado, entre outras formas de tortura, finalmente produziram a “prova” de um preso que foi utilizada para ajudar a justificar a invasão Bush-Cheney do Iraque no ano seguinte.

Mas por que a surpresa quanto aos memorandos de tortura? Mesmo sem inquérito, era razoável supor que Guantânamo fosse uma câmara de tortura. Por que mais enviar prisioneiros onde eles estariam além do alcance da lei – casualmente, um lugar que Washington está utilizando em violação de um tratado que foi forçado sobre Cuba sob a mira de uma arma? O raciocínio de segurança é difícil de ser levado a sério.

Uma razão mais ampla para porque deveria haver pouca surpresa é que a tortura é uma prática rotineira desde o princípio da conquista do território nacional até agora, enquanto as empreitadas imperiais do “império nascente” – como George Washington chamava a nova República – estendiam-se para as Filipinas, Haiti e outros lugares.

Além disto, a tortura foi o menor de muitos crimes de agressão, terror, subversão e estrangulação econômica que obscureceram a história dos Estados Unidos, tanto quanto fizeram por outras grandes potências. As revelações atuais sobre tortura mais uma vez destacam o conflito entre “o que defendemos” e “o que fazemos”.

A reação foi veemente, mas de forma que levanta algumas questões. Por exemplo, o colunista do New York Times, Paul Krugman, um dos críticos mais eloquentes e francos da malevolência de Bush, escreve que costumávamos ser “uma nação de ideais morais”, e que nunca antes de Bush “nossos líderes traíram tão completamente tudo que defendemos”.

Para dizer o mínimo, aquele ponto de vista comum é uma versão particularmente distorcida da história. É um artigo de fé, quase uma parte da crença nacional, que os Estados Unidos são, de maneira justa, diferente de outras grandes potências, do passado e do presente – o conceito do que é chamado de “excepcionalidade americana”.

Uma correção parcial pode ser a história recém-publicada do jornalista britânico Godfrey Hodgson, The Myth of American Exceptionalism (O mito da excepcionalidade americana). Hodgson conclui que os Estados Unidos são “apenas um país grande, mas imperfeito, entre outros”.

O colunista do International Herald Tribune Roger Cohen, analisando o livro no The New York Times, concorda que a prova dá apoio ao julgamento de Hodgson, mas discorda dele em um ponto fundamental: Hodgson falha em entender que “a América nasceu como uma ideia e então deve carregar esta ideia adiante”.

A ideia é revelada pelo nascimento da América como uma “cidade em uma colina”, escreve Cohen, “uma noção inspiradora” que reside “no fundo da psique americana”.

Em resumo, o erro de Hodgson é que ele está limitando-se às “distorções da ideia americana nas décadas recentes”. Vamos nos voltar então para a “ideia” de América.

A frase inspiradora “cidade em uma colina” foi cunhada por John Winthrop em 1630, tomando-a emprestada do Novo Testamento e delineando o futuro glorioso de uma nova nação “reunida por Deus”.

Um ano antes, a Colônia da Baía de Massachusetts estabeleceu o seu Grande Selo. Ele retrata um índio com um pergaminho saindo de sua boca. Nele estão as palavras, “Venham e nos ajudem”.Os colonos britânicos eram, assim, humanistas benevolentes, respondendo aos apelos dos pobres nativos para serem resgatados do seu amargo destino pagão.

Esta proclamação primitiva de “intervenção humanitária”, para utilizar o termo popular atual, saiu-se muito parecida com suas sucessoras, carregando horrores no seu caminho.

Às vezes, há inovações. Durante os últimos 60 anos, vítimas no mundo todo suportam o que o historiador Alfred McCoy descreve como a “revolução na cruel ciência da dor” da CIA, no seu livro de 2006, chamado A Question of Torture: CIA Interrogation, from the Cold War to the War on Terror (Uma questão de tortura: os interrogatórios da CIA, da Guerra Fria até a Guerra ao Terror).

Com frequência, a tarefa da tortura é delegada a auxiliares. Mas o afogamento simulado é um dos métodos de décadas de idade que aparecem com poucas alterações em Guantânamo.

A cumplicidade com a tortura aparece com frequência na política externa dos Estados Unidos. Em um estudo de 1980, o cientista político Lars Schoultz descobriu que o auxílio dos Estados Unidos “tende a fluir desproporcionalmente para governos latino-americanos que torturam seus cidadãos, … para os violadores relativamente rudes dos direitos humanos fundamentais no hemisfério”.

O estudo de Schoultz e outros atingindo conclusões parecidas antecedem os anos de Reagan, quando não valia a pena estudar o tópico, pois as correlações estavam muito explícitas. E que a tendência continua até o presente, sem modificações significativas.

Não é pra menos que o presidente nos aconselha a olhar para frente, não para trás – uma doutrina conveniente para aqueles que seguram os cassetetes. Aqueles que apanham deles tendem a ver o mundo de forma diferente, para nosso aborrecimento.

Entre impérios, a “excepcionalidade” é provavelmente quase universal. A França aclamava sua “missão civilizadora”, enquanto o Ministro da Guerra francês pregava o “extermínio da população nativa” da Argélia.

A nobreza da Grã-Bretanha era uma “novidade no mundo”, declarou John Stuart Mill, enquanto recomendava que este poder angelical não se prolongasse mais em completar sua liberação da Índia. O ensaio clássico de Mill, A Few Words about Non-Intervention (Algumas palavras sobre não intervenção), foi escrito após a revelação pública das atrocidades horripilantes da Grã-Bretanha para conter a rebelião de 1857.

Estas ideias “excepcionalistas” não são apenas convenientes para poder e privilégios, mas são também perniciosas. Uma razão é que elas apagam crimes reais em andamento. O massacre de MY Lai durante a Guerra do Vietnã foi apenas uma nota de rodapé para as atrocidades muito maiores dos programas de pacificação pós-Tet. A invasão Watergate que derrubou um presidente dos Estados Unidos foi, sem dúvida, criminosa, mas o furor sobre ela desalojou crimes incomparavelmente piores em casa e no exterior – o bombardeio do Camboja, para mencionar apenas um exemplo terrível. Com bastante frequência, atrocidades seletivas têm esta função.

A amnésia histórica é um fenômeno muito perigoso, não apenas porque questiona a integridade moral e intelectual, mas também porque cria a base para crimes que se aproximam.

Noam Chomsky é professor emérito de lingüística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, Massachusetts. Artigo distribuído pelo The New York Times Syndicate.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O que fazer com a Coréia 4

Uma guerra sem guerra?

Cristina Pecequilo

ESPECIALISTA EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Do Iraque ao Afeganistão, de Guantánamo a Wall Street, Obama enfrenta uma agenda pesada de desafios, alternando o cumprimento de promessas de campanha com retrocessos. Além das dificuldades em administrar a crise, ele debate com vozes dissonantes do Partido Democrata, e representantes do legado anterior, como Dick Cheney, questionam a agenda, classificando-a como apaziguadora de terroristas e Estados bandidos.

Dentre estes Estados, Irã e Coreia do Norte surgem como preocupação, com foco na proliferação nuclear e na repetida postura desafiadora de seus líderes Ahmedinejad e Kim Jong-Il aos EUA, à ONU e ao restante do mundo. Teria Cheney razão como provariam as críticas do Irã a Israel? E os últimos testes nucleares da Coreia do Norte e a declaração de que o país não mais se sente obrigado a respeitar o armistício com a Coreia do Sul? Estamos perto de outra guerra regional?

Mais do que um conflito militar, as ações da Coreia e do Irã buscam a reafirmação de seus governos, autoritário no caso norte-coreano e diante de uma eleição presidencial no Irã, que externalizam dilemas de baixo desenvolvimento e descontentamento social. O poder nuclear é usado como uma expressão de força em tempos de fraqueza, elevando o poder de barganha.

As opções de Obama são restritas, e a tendência é que se observe o padrão que acompanha o dilema nuclear de Pyongyang desde a década de 90: agressão norte-coreana, negociações via Conselho de Segurança, concessões econômicas pelos EUA em troca de bom comportamento e regionalização das pressões pelas Conversações de Seis Partes (EUA, Rússia, Japão, China, Coreia do Norte e do Sul).

Instituída pela administração Bush filho que hoje critica a postura branda de Obama, ainda que a secretaria de Estado Clinton tenha alertado a Coreia para as "consequências" de suas ações, as Conversações das Seis Partes indicam a volatilidade asiática, mas ao mesmo tempo a impossibilidade da guerra real pela presença do elemento nuclear e a proximidade das fronteiras. Ou seja, Cheney não tem razão e, no extremo, está, como Bush, na raiz da tolerância diplomática com Kim.

Estamos diante de uma guerra sem guerra: uma dinâmica de reposicionamentos estratégicos globais e regionais, nos quais a confrontação por meio da proliferação assume um papel tático de chantagem para a sustentação destes Estados, elevando o risco de rupturas, escaladas e renovadas corridas armamentistas.

http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/05/28/temadodia/uma_guerra_sem_guerra.asp

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O que fazer com a Coréia 3

1. A primeira coisa a esclarecer é que a questão nuclear norte-coreana não decorre de um suposto risco da Coréia realizar um ataque nuclear. Está suficientemente consolidada na literatura de relações internacionais a idéia que um país não realiza ataque nuclear na medida em que terá uma resposta também nuclear de igual intensidade. No caso da Coréia do Norte caso realizasse um ataque nuclear receberia uma resposta também nuclear ao qual não teria a menor condição de responder. Em termos nucleares, a Coréia do Norte só tem poder, enquanto não usar as armas nucleares, ao utilizá-las ela seria derrotada. A Coréia do Norte tem muito mais vantagens num ataque militar terrestre à Coréia do Sul do que numa guerra nuclear. Então, a questão central na discussão sobre o caso norte-coreano não deve ser um “virtual” ataque nuclear.

2. A segunda questão é qual o objetivo norte-coreano. Qualquer governo autoritário, que apenas se mantém no poder pela força, precisa se mostrar forte para a população e mais importante precisa de inimigos e de demonstrar capacidade de enfrentar o inimigo. Então o desenvolvimento nuclear norte-coreano permite intimidar a população, mostrar a força e a potência do governo e unir uma população miserável em torno de um objetivo comum, a defesa do Estado. A população está se sacrificando por algo muito importante, a segurança do país, e este sacrifício está valendo a pena. Este é um aspecto. Outro aspecto, o Estado norte-coreano é um Estado militarizado. O Exército norte-coreano possui mais 1 milhão de soldados numa população em torno de 24 milhões de habitantes. Apenas a título de comparação no Brasil, com uma população infinitamente maior, o exército não tenha mais de 300 mil homens. A Coréia do Sul com o dobro da população norte-coreana possui um exército menor. Ou seja, o peso dos militares na Coréia do Norte é enorme, portanto, o apoio deles ao governo é indispensável. A militarização, a mobilização para guerra passam a ser questões políticas internas necessárias para a estabilidade interna. Dependente do exército, o governo norte-coreano tem pouco espaço para desmobilizar a sociedade e realizar negociações internacionais. Ou seja, se para o governo, o desenvolvimento nuclear pode ser apenas instrumento para chantagear a comunidade internacional, para os militares é assunto sério. Não pode ser simplesmente descartado em troca de pequenos favores econômicos.

3. A situação norte-coreana mostra também os limites das instituições internacionais na questão nuclear. É ingenuidade crer que não haverá proliferação nuclear em virtude um tratado internacional. E na medida em que um país desobedece o tratado, os problemas se avolumam e a desmoralização das instituições passam a ocorrer de forma sistemática. Na medida em que um país se recusa a participar do regime de não-proliferação o que se pode fazer? Inclusive porque o regime de não-proliferação contesta um princípio basilar das relações internacionais, a igualdade entre os Estados.

4. Outro aspecto da questão é, como reagir? Primeiro, os EUA. NO curto prazo, qualquer reação dos EUA será considerada inofensiva. O que os EUA podem fazer que tenha eficácia na contenção da Coréia do Norte? Os EUA poderiam imitar o ataque preventivo de Israel ao Irã na década de 80, bombardear as bases nucleares coreanas. Mas os EUA tem condições de fazer isso? Não, primeiro porque já está em duas guerras. Segundo, porque são várias bases, o ataque seria de grandes proporções, não seria um ataque cirúrgico, localizado. Terceiro, ao contrário do Irã que naquele momento estava fraco, a Coréia do Norte tem uma grande capacidade de retaliação. Uma vez atacada, a Coréia do Norte responderia bombardeando Seul, e mesmo o Japão. Então os EUA, de fato, não podem fazer nada, exceto buscar isolar ainda mais a Coréia do Norte, o que é contra-produtivo, apenas estimula ainda mais o sentimento nacional norte-coreano. Diante desta situação de impotência norte-americana, a reação da Coréia do Sul e do Japão será uma maior militarização desses países. De fato, o desenvolvimento nuclear da Coréia do Norte deve gerar como reação um novo surto de corrida armamentista no setor nuclear. Coréia do Sul e Japão irão pleitear alcançar o status de potência nuclear, e os EUA não terão condições de negar na medida em que não é capaz de conter eficazmente a Coréia do Norte.

5. No Iraque, os EUA tentaram assassinar várias vezes Sadam Hussein, o mesmo fez em Cuba com Fidel Castro. Até o momento a CIA não se mostrou eficaz das principais lideranças, consegue matar os assessores, os escalões inferiores, mas não as cúpulas. Num país fechado e vigiado como a Coréia do Norte, a capacidade de CIA agir é menor ainda. Muito difícil colocar espiões num país onde estrangeiros não circulam, com população etnicamente homogênea  e em pânico, ou seja, o espião teria que ser um nacional, mas cooptação não seria fácil. Evidência disso é que a CIA não previu a ameaça coreana ao contrário do Iraque, onde era fácil realizar a infiltração (mas neste caso foi vencida pelos desvios ideológicos e pela ignorância).

6. Sendo assim, a perspectiva de mudança na Coréia do Norte é interna. A única possibilidade é a desagregação da Coréia do Norte com a morte de Kim Jong-il. O presidente está doente e está cuidando da sua sucessão, quer transmitir o poder para um dos seus filhos. Pelo que saiu na imprensa, o filho escolhido teria 25 anos e seria considerado muito novo para os padrões coreanos, não seria aceito. Então teria inicialmente um tio assumiria o poder como tutor até que o sobrinho pudesse assumir. Se estes fatos se confirmarem estará abertas as portas para mudanças na Coréia do Norte, porque nada mais propenso para gerar transformações do que disputas sucessórias ainda mais quando há tutor. Aumenta a possibilidade conflitos, briga-se para ser o tutor, briga-se para destituir o tutor, para ser o herdeiro, para o herdeiro assumir logo. Então a esperança mundial recai novamente na esperança da morte do presidente norte-coreano. Da primeira vez não deu certo, o filho foi pior que o pai.

Instalações militares da Coréia do Norte

Na página do El País encontra-se uma ótima animação para ilustrar o poder militar e nuclear norte-coreano, enfatizando o alcance dos mísseis norte-coreanos e a localização das bases nucleares.

 

http://www.elpais.com/graficos/internacional/Misiles/instalaciones/nucleares/Corea/Norte/elpepuint/20061009elpepuint_1/Ges/

O que fazer com a Coréia 2

Obama must respond, but options are limited

The time for keeping North Korea out of the nuclear-weapons club has now passed

Faced with a nuclear challenge from the defiant regime in North Korea, President Barack Obama has few options and no good ones as he grapples with the fallout of 15 years of failed U.S. policy.

“We will extend a hand if you are willing to unclench your fist,” the new President said soon after taking office, dumping the bellicose rhetoric favoured by his predecessor, George W. Bush, who famously branded North Korea – along with Iran and Iraq – as the “axis of evil.”

North Korea, the world's last Stalinist state led by the unpredictable Kim Jong-il, has responded to that overture by twice pulling the trigger, the latest a Hiroshima-sized thermonuclear blast on Monday. The deep, underground explosion sent a massive shock wave that rattled Mr. Obama's softer approach and will test whether the President can wield a mailed fist inside that velvet glove.

“Leadership is what you need when all the options are bad,” said John Pike, director of globalsecurity.org and an expert on North Korea and nuclear proliferation. “If there was a good choice, there would be no need of leadership.”

Whether or not the military option – a massive, pre-emptive U.S. strike with warplanes and bunker-busting bombs to defang North Korea's nuclear program – was ever a viable option remains open to debate. However, in the wake of multiple missile launches and a massive blast, the time for keeping North Korea out of the nuclear-weapons club has now passed.

The option of doing nothing and hoping North Korea will cease provocation – or perhaps that a murky succession struggle will play itself out – has also vanished, not least because Iran will be watching closely to see whether Washington kowtows to Pyongyang. Mr. Obama is both committed to engagement with America's enemies, and calls the latest challenge from North Korea a “blatant violation of international law.” He has to do something.

For nearly two decades, successive presidents, first Bill Clinton, then George W. Bush and now Barack Obama, have tried threats and promises, and various flavours of diplomacy. Two decades of North Korean duplicity has resulted in the international community looking foolish, Beijing being deeply embarrassed by its wayward client, Washington looking weak and one of the world's least-understood and most dangerous states getting a small arsenal of nuclear weapons. With Seoul barely a cannon shot away, Tokyo less than two hours distant in a jet and missiles capable of striking much of East Asia, North Korea poses a potential nuclear nightmare.

Marshalling a meaningful and unified international response – likely in the form of a new United Nations Security Council resolution – may seem minimal but it would also represent a significant achievement for Mr. Obama.

Both Beijing and Moscow balked at tougher sanctions or even a new resolution after last month's missile test, preferring instead a strongly worded “statement.”

Sheila Smith, an Asian expert at the Council on Foreign Relations, said that statement “was foundational in the sense that it created the case for collective sanctioning action should Pyongyang move to conduct a second nuclear test, which it now has.”

The latest blatant North Korean defiance “puts the Obama administration in a better place” in dealing with the Security Council, she said. China may have finally run out of patience with Pyongyang, which might create conditions for a united front, including China, Russia, South Korea, Japan and the United States, rather than a brave front hiding a deeply divided group.

Charting a diplomatic course that other key players, especially Beijing, can accept while at the same time satisfying critics at home and impressing Tehran that he is no pushover poses a challenge.

“If he tries to be too tough and then cannot deliver, he may wind up looking weak,” said Kyung-Ae Park, a Korean expert at the University of British Columbia.

http://www.theglobeandmail.com/news/world/obama-must-respond-but-options-limited/article1154475/

O que fazer com a Coréia 1

Respuesta inteligente

PABLO BUSTELO 27/05/2009

Pese a las alarmas que han encendido, las pruebas nucleares y de misiles realizadas por Corea del Norte no son una sorpresa. Suponen la culminación de la creciente beligerancia desplegada por el país asiático desde hace meses.

Para Pyongyang, el objetivo expreso de su segunda prueba nuclear es, como ya dijo en 2006, fortalecer su capacidad de disuasión para la autodefensa, pero la tesis no se sostiene. De hecho, le sobran medios de disuasión con su Ejército (más de un millón de soldados, el cuarto mayor del mundo), sus misiles (que pueden llegar a Tokio) y su artillería (que puede bombardear Seúl). En realidad obedece a causas bien distintas: protestar por las sanciones impuestas en abril, llamar la atención de la Administración Obama, ocupada en asuntos más serios (como Afganistán, Pakistán o Irán), mantener vivo el chantaje nuclear de los últimos años y consolidar la posición política de Kim Jong-il y de su familia dentro de Corea del Norte.

La prueba nuclear no es grave por sus implicaciones militares inmediatas, puesto que los norcoreanos no saben miniaturizar cabezas nucleares para colocarlas en misiles (aunque, a este ritmo, quizá lo acaben consiguiendo). Pero supone una violación directa de la resolución 1.718 de Naciones Unidas, aprobada en 2006, y, sobre todo, es un paso más en la nuclearización del país. Tal cosa aumenta los peligros de eventuales accidentes en instalaciones vetustas y, sobre todo, los riesgos de proliferación activa, esto es, de transferencia de bombas, material o conocimientos nucleares a otros Estados y, lo que es más preocupante, a grupos terroristas. Además, da argumentos a quienes, en Tokio o Seúl, reclaman que Japón o Corea del Sur se doten también de armamento nuclear, lo que podría provocar así una proliferación pasiva.

Con todo, la respuesta de la comunidad internacional debe ser inteligente, porque de nada sirve imponer sanciones muy estrictas que aíslen aún más al régimen y le impulsen a seguir probando armas nucleares y misiles. Además hay que salvaguardar el proceso de conversaciones a seis bandas, haciendo que Pyongyang vuelva a sentarse a la mesa. Junto con las sanciones, debe pues haber nuevas iniciativas diplomáticas para conseguir la desnuclearización. Ésta, al contrario de lo que afirman algunos analistas, no es imposible. Pyongyang, hay que insistir en ello, no necesita armas nucleares para evitar un ataque o una invasión de EE UU. Y la desnuclearización es necesaria para evitar que se alteren los delicados equilibrios estratégicos de una región, la de Asia nororiental, que representa, entre otras cosas, la sexta parte de una economía mundial en plena crisis y a la que estos sobresaltos no sientan nada bien.

Así, Washington debería intentar resolver de una vez este asunto, que se arrastra desde 2002. Y, desde luego, no debería infravalorarlo. Por ejemplo, ha recibido críticas que el embajador especial para Corea del Norte, Stephen W. Bosworth, lo sea a tiempo parcial (sigue siendo decano de la Fletcher School, de la universidad Tufts).

Neoliberalismo não fez melhor nem resolveu os problemas que anunciou

Anatomía del thatcherismo

by Robert Skidelsky

Londres – Este mes se cumplen treinta años de que Margaret Thatcher llegó al poder.  Si bien las condiciones locales precipitaron la revolución de Thatcher (o de manera más amplia, de Thatcher-Reagan), ésta se convirtió en una etiqueta instantáneamente reconocida a nivel mundial para una serie de ideas que dieron origen a políticas orientadas a liberar a los mercados de la interferencia gubernamental. Tres décadas después, el mundo está en recesión y muchos atribuyen la crisis global a esas ideas.

En efecto, incluso fuera de la izquierda política, se considera que el modelo angloestadounidense de capitalismo ha fracasado. Se le culpa de la debacle económica casi total. Pero una visión retrospectiva a treinta años nos permite juzgar qué elementos de la revolución de Thatcher deben conservarse y cuáles deben modificarse a la luz de la actual desaceleración económica mundial.

Resulta obvio que lo que más necesita modificarse es la noción de que los mercados con un mínimo de injerencia y regulación son más estables y más dinámicos que los que están sujetos a la intervención del gobierno. Dicho de otro modo, la premisa del thatcherismo era que el fracaso del gobierno es una amenaza mucho mayor a la prosperidad que el fracaso del mercado.

Esto siempre fue una mala interpretación de la historia. Los anales muestran que en el período 1950-1973, cuando la intervención del gobierno en las economías de mercado alcanzó su punto más alto en épocas de paz, se registró un éxito económico único, sin recesiones globales y con tasas de crecimiento del PIB –y del PIB per cápita—más rápidas que en ningún período comparable, anterior o posterior.

Se puede argumentar que el desempeño económico habría sido aun mejor con menos intervención del gobierno. Pero los mercados perfectos no son más reales que los gobiernos perfectos. Todo lo que tenemos son comparaciones entre lo que sucedió en distintos momentos. Lo que estas comparaciones muestran es que los mercados con gobierno se han desempeñado mejor que los mercados sin gobierno.

No obstante, para la década de los setenta, la economía política previa al thatcherismo estaba en crisis. El síntoma más notorio de ello fue el surgimiento de la “estanflación” – un aumento simultáneo de la inflación y el desempleo. Algo había salido mal en el sistema de administración económica que había legado John Maynard Keynes.

Adicionalmente, el gasto del gobierno estaba creciendo, los sindicatos se estaban volviendo más combativos, las políticas para controlar los pagos no funcionaban y las expectativas de dividendos estaban disminuyendo. Muchos consideraban que el gobierno había abarcado más de lo que podía controlar, y que era necesario, o bien reforzar su control, o bien reducir su alcance. El thatcherismo surgió como la alternativa más aceptable al socialismo de Estado.

Nigel Lawson fue el segundo ministro de finanzas de Thatcher. De los esfuerzos antiinflacionarios del gobierno nación la “doctrina Lawson”, que se enunció por primera vez en 1984 y desde entonces recibió amplia aceptación entre los gobiernos y los bancos centrales. Lawson dijo que “La conquista de la inflación debe ser el objetivo de la política macroeconómica. Y la creación de condiciones conducentes al crecimiento y el empleo debe ser el objetivo de la política microeconómica.”

Esta propuesta derrocó la ortodoxia keynesiana previa de que la política macroeconómica debía tener como objetivo el pleno empleo y el control de la inflación debía dejarse a las políticas salariales. No obstante, a pesar de todas las reformas “del lado de la oferta” que introdujeron los gobiernos del thatcherismo, el desempleo ha sido mucho mayor desde los años ochenta que en los cincuenta o sesenta –7.4% en promedio en el Reino Unido, en comparación con 1.6% en las décadas anteriores.

¿Y los objetivos de inflación? También en este punto el historial desde 1980 ha sido desigual, a pesar de la enorme presión deflacionaria que ha ejercido la competencia de salarios bajos de Asia. La inflación en los períodos 1950-1973 y 1980-2007 fue más o menos la misma –apenas superior al 3%– mientras que la fijación de objetivos de inflación no ha logrado evitar una sucesión de burbujas de valores que han generado recesiones.

La política del thatcherismo tampoco ha tenido éxito en uno de sus principales objetivos –reducir la proporción del gasto de gobierno en el ingreso nacional. Lo más que puede decirse es que detuvo su aumento durante un tiempo. Ahora el gasto público está creciendo nuevamente y los récords de déficit en tiempos de paz del 10% o más, se alargan durante años.

Al desregular los mercados financieros en todo el mundo, la revolución Thatcher-Reagan ocasionó la corrupción del dinero, sin mejorar el crecimiento de la riqueza anterior –salvo para los muy ricos. El ciudadano promedio del mundo habría sido 20% más rico si el PIB per cápita mundial hubiera crecido al mismo ritmo entre 1980 y 2007 que entre 1950 y 1973—y eso a pesar de las elevadas tasas de crecimiento de China en los últimos 20 años. Además, al desatar el poder del dinero, el thatcherismo, pese a todas sus prédicas sobre la moralidad, contribuyó a la decadencia moral de Occidente.

En contraste con estos formidables defectos, hay tres virtudes. La primera es la privatización. Al poner nuevamente la mayoría de las industrias propiedad del Estado en manos privadas, la revolución de Thatcher eliminó el socialismo de Estado. La mayor influencia del programa de privatización británico se dio en los países ex comunistas, que extrajeron las ideas y técnicas necesarias para desmantelar las economías planificadas tan ineficientes. Este avance debe conservarse ante el clamor actual para “nacionalizar” los bancos.

El segundo éxito de Thatcher fue debilitar a los sindicatos. Para la década de los setenta, los sindicatos, establecidos para proteger a los débiles frente a los fuertes, se habían convertido en enemigos del progreso económico, una gran fuerza de conservadurismo social. Fue acertado alentar una nueva economía que creciera por fuera de estas estructuras anquilosadas.

Por último, el thatcherismo acabó con la política de fijar precios y salarios por imposición central o mediante “arreglos” tripartitas entre los gobiernos, los empleadores y los sindicatos. Estos eran los métodos del fascismo y el comunismo y habrían terminado por destruir no sólo la libertad económica sino también la política.

Los péndulos políticos a menudo oscilan demasiado. Al reconstruir la destrozada economía post-thatcheriana debemos tener cuidado de no resucitar las políticas fallidas del pasado. Me sigue pareciendo útil la distinción que hacía Keynes entre la agenda y la no agenda de la política. Keynes pensaba que mientras el gobierno central asumiera la responsabilidad de mantener un nivel alto y estable de empleo, el resto de la vida económica podía quedar libre de interferencias oficiales. La principal tarea de hoy es crear una división adecuada de la responsabilidad entre el Estado y el mercado a partir de esta idea.

Robert Skidelsky, miembro de la Cámara de los Lores británica, es profesor emérito de economía política en la Universidad de Warwick, autor de una biografía del economista John Maynard Keynes que ha sido premiada y miembro de la junta directiva de la Escuela de Estudios Políticos de Moscú.

http://www.project-syndicate.org/commentary/skidelsky17/Spanish

Chávez pide ayuda a Lula ante la crisis

Chávez pide ayuda a Lula ante la crisis

El presidente brasileño ve con buenos ojos el apoyo económico al líder venezolano a cambio de que éste mejore sus relaciones con Estados Unidos

JUAN ARIAS - Río de Janeiro - 26/05/2009

El de ayer fue un largo día de encuentros y diálogos entre el presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, y su homólogo venezolano, Hugo Chávez, que se reunieron en Salvador de Bahía. El encuentro forma parte de las entrevistas que ambos presidentes mantienen trimestralmente desde 2007. Chávez tenía esta vez prisa por encontrarse con Lula y llegó a Bahía cuatro horas antes que su colega. Venía con el propósito concreto de pedir a Brasil ayuda financiera, a través del Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDES), tras haber confesado que las ganancias del petróleo, a causa de la caída del precio del crudo, disminuyeron la mitad. Se calcula además que este año Venezuela perderá un 2,4% de su producto interior bruto (PIB).

Chávez pretende la ampliación de un crédito a Venezuela para que empresas brasileñas realicen obras de infraestructura en aquel país, hasta llegar a un total que variaría entre 4.000 y 8.000 mil millones de dólares. Algunos proyectos ya fueron analizados por el banco brasileño para acometer la ampliación del metro de Caracas por valor de 730 millones de dólares. Entre las peticiones de Chávez a Lula figura la construcción en Pernambuco de una refinería binacional. El líder venezolano cuenta también con la ayuda de la Caja Económica Federal (CEF) para crear una red bancaria y un sistema de financiación para la construcción de casas populares en Venezuela.

Además, Chávez volvió a recordar a Lula que su país aún no ha conseguido el visto bueno del Congreso brasileño para entrar en Mercosur. La cuestión está varada en el Senado. Varios senadores exigen garantías de que Venezuela vaya a ser fiel a la carta de intenciones del Mercosur, entre cuyos puntos figura la total adhesión a los principios democráticos. Para algunos congresistas, Venezuela está más cerca de una dictadura que de una plena democracia.

Un tercer punto analizado fueron las nuevas relaciones entre Venezuela y Estados Unidos. Lula siempre ha sido visto como un pacificador entre los dos países. George W. Bush había agradecido a Lula en repetidas ocasiones veces la mediación realizada ante Chávez para moderar su fogosidad. Con Obama las cosas han ido a mejor, por lo menos en apariencia.

De ahí que el asesor personal de Lula para asuntos internacionales, Marco Aurelio García, revelara ayer que uno de los puntos a tratar iba a ser "los avances en las relaciones entre Chávez y el presidente Obama". García puso como ejemplo de dichos avances el hecho de que la diplomacia venezolana hubiese enviado para representar a Venezuela en Washington a un diplomático de "de altísimo nivel".

Algunos analistas quisieron ver ayer en las palabras del diplomático, asesor y amigo personal de Lula, un mensaje cifrado a Chávez, que vendría a decir: "Nosotros vamos a ayudaros financieramente para que podáis afrontar mejor la crisis que os acosa, pero veríamos con muy buenos ojos que vuestro Gobierno se acercase con menos prejuicios y agresividades a la Administración de Obama".

Lula protagonizó un episodio al salir del hotel donde estaba alojado que volvió a revolucionar al mundo político. Recibido con gritos de "Lula, presidente, referéndum, tercer mandato", el presidente, que hasta ahora ha negado categóricamente que intente cambiar la Constitución para poder disputar un tercer mandato, sorprendió a los presentes con estas misteriosas palabras: "Tienen que decirle eso a los periodistas". Abordado por los reporteros presentes, Lula se limitó a reír sin querer hacer comentario alguno.

Además, un error técnico hizo que los periodistas pudieran escuchar una conversación privada entre Lula y Chávez. Éste se quejaba de que no prosperaban los acuerdos energéticos entre ambos países. Lula le dijo: "Calma, que si yo consigo que Dilma sea elegida presidenta, las cosas se van a arreglar, porque yo voy a ser el presidente de Petrobras y al actual presidente [Sérgio Gabrielli] será mi asesor".

http://www.elpais.com/articulo/internacional/Chavez/pide/ayuda/Lula/crisis/elpepuint/20090526elpepuint_21/Tes

Do La Vanguardia de Barecelona

Por un bicing más seguro

Por un bicing más seguro

Gonzalo Pastor y Marc Casanovas

Nuevo "static bicing" en las calles de Barcelona

Dos comentários na página do La Vanguardia:

yo no lo veo bien, si no se puede atropellar viejas no tiene gracia. Que va a ser lo proximo? Petardos silenciosos?

Crise mundial alterando a configuração mundial da indústria automobilística que parecia definitiva

China enters race to buy GM's European operations

Beijing Automotive Industry Corp joins Fiat, Ripplewood Holdings and Magna in expressing interest in the owner of Opel

Opel and Fiat

Fiat has the German car maker Opel in its sights. Photograph: Thomas Kienzle/AP

The contest to take control of General Motors's European operations has intensified at the 11th hour after China's Beijing Automotive Industry Corp entered the fray.

BAIC has expressed an interest in acquiring the owner of Opel, according to reports, hours ahead of today's deadline to choose a buyer for the business. However, it is understood that the approach by China's fifth largest carmaker, made one day after the final bidding deadline, has yet to crystallise into a formal offer.

BAIC is competing with Italy's Fiat, private equity firm Ripplewood Holdings and Canadian parts maker Magna, which emerged as the favourite this week following expressions of support from German politicians.

The German government is a key player in the future ownership of GM Europe because it is providing billions of euros in emergency financing to whoever acquires the business, which owns four factories in Germany and employs 50,000 people in Europe. Magna has received the backing of German politicians after pledging to save as many German jobs as possible - a pledge that was later matched by Fiat.

The German economy minister, Karl-Theodor zu Guttenberg, said this week that there was "signalled interest from China" which is believed to focus on importing Opel cars and technology to China, where they would compete with vehicles built by GM, one of China's biggest carmakers despite its problems in the US.

GM has been forced to put its European operations up for sale amid looming bankruptcy proceedings. The group could file for Chapter 11 protection from creditors before the end of the month as a slump in sales overwhelms its lumbering cost base and debt-burdened balance sheet.

Germany's influence over the sale process has stoked doubts in the UK about the future of Vauxhall, Opel's British business. Trade union leaders and MPs warned last night that Vauxhall's 5,000 British workers feared they would lose out to their German counterparts in the deal, after Magna and Fiat made overt promises about jobs in Opel's main European base.

Tony Woodley, the joint general secretary of the Unite union, warned that one or both of GM's two Vauxhall plants in the UK would close if Fiat was selected.

It has also emerged that as recently as the weekend, British ministers did not know whether the three bidders were planning to save or scrap the UK plants at Ellesmere Port and Luton.

Lord Mandelson, the business secretary, has met the three bidders and told them he expected them to commit to the UK. Despite this, the government has not offered the companies any financial backing to keep the plants open and no application has been made by any bidder for loan guarantees under the government's £2.3bn aid package for the motor industry. Any grant is likely to be made only once the German government's plans become clear.

http://www.guardian.co.uk/business/2009/may/27/general-motors-opel-fiat-beijing

Editorial do Jornal paraguaio ABC contra o Brasil

Itamaraty prepara nueva trampa con Samek

En forma aparentemente inesperada, el director general brasileño de Itaipú, ingeniero agrónomo Jorge Samek, se ha mostrado llamativamente “flexible” con la posibilidad de que el Paraguay venda su energía en el mercado brasileño. Así, ha declarado que “ANDE puede vender energía en Brasil… la energía de otras hidroeléctricas (Acaray)”. Al consultársele por qué no la energía paraguaya de Itaipú, afirmó: “Soy favorable a las conversaciones y estamos trabajando en eso… todo es factible”.
Estas declaraciones serían, en realidad, una cuidadosa estrategia de Itamaraty para hacer aparecer como importantes algunas migajas o espejitos que esté preparando.
¿Qué hay detrás de las supuestamente novedosas declaraciones de Samek? El objetivo de esta maniobra podría ser múltiple, aunque su objetivo central sería crear un clima favorable al renunciamiento del Paraguay a todo reclamo, que es lo que el Brasil pretende a cambio de insignificantes migajas.
También, Itamaraty busca sabotear la exportación de electricidad paraguaya a Chile. Nótese que de entrada Samek alienta a que la ANDE pueda vender su energía propia, la de Acaray, al mercado brasileño. Este estímulo ocurre cuando Chile ofrece pagar en torno a unos 120 US$/MWh –el precio de su mercado–, lo que dejaría un beneficio neto de unos 60 US$/MWh –2.000% más que la compensación prevista en el Tratado de Itaipú– o bien unos 60 millones US$/año para una exportación de aproximadamente 1 millón de MWh/año, como es la producción de Acaray.
Ya en el mes de diciembre de 2008 la presidenta Cristina Kirchner autorizó la exportación de energía paraguaya a Chile, pero trabas tan absurdas como las que soporta el tomate paraguayo en Clorinda impiden hasta ahora que la electricidad paraguaya sea exportada a ese país por territorio argentino. Las pérdidas acumuladas suman ya unos US$ 25 millones hasta fin de mayo, tan solo en lucro cesante de la ANDE. De fuentes fidedignas se sabe que Itamaraty interfirió activamente en la negociación paraguayo-chilena-argentina. Ahora lo hace más abiertamente, a través de Samek y del seminario que organiza la Federación de la Industria del Estado de San Pablo (FIESP), al cual asistirán principalísimas figuras políticas brasileñas y solo el director paraguayo de Itaipú, Carlos Mateo Balmelli, por nuestro país.
Además de trabar encubiertamente la exportación de electricidad paraguaya a Chile, ahora Itamaraty, con el auxilio de Samek, busca desviar a la ANDE del verdadero objetivo nacional, que es la soberanía hidroeléctrica para disponer libremente de nuestra energía y vender a los mercados que más nos paguen, e inducirla a que, por urgencias económicas, dependa nuevamente del mercado brasileño, que es a donde con escasísimo provecho para el pueblo paraguayo va en un 100% la energía paraguaya de Itaipú que no consumimos.
Pero hay algo más grave aún. Samek pretende limitar las aspiraciones paraguayas de libre disponibilidad de nuestra energía a cambio de una venta limitada –en condiciones de bajo precio que probablemente se explicitarán en San Pablo hoy– de la energía paraguaya de Itaipú exclusivamente al mercado brasileño, para buscar cerrar allí, definitivamente, todos los reclamos paraguayos. Itamaraty, con el auxilio del director general brasileño de Itaipú, busca hacer una negociación paralela, dejando de lado los seis puntos reclamados por el Paraguay y a la misma Cancillería, la encargada de esta negociación.
Es llamativo el hecho de que, habiendo anunciado el presidente Lula el pasado 7 de mayo (hace más de 2 semanas) que estaba urgido por llegar a un acuerdo el 15 de junio, Itamaraty no haya acordado reunión alguna con nuestra Cancillería ni haya hecho llegar hasta ahora ninguna propuesta oficial. En forma aún más llamativa, ahora la FIESP, con la participación de Samek y del líder en el Senado del Partido de los Trabajadores (PT), Aloysio Mercadante, entre otros altos dirigentes políticos, realiza un “encuentro” para que los industriales de San Pablo compren directamente energía de la ANDE en condiciones ventajosas. Todo, como se puede observar, está fríamente calculado, incluso la publicidad. “¡Qué formidables son estos brasileños!”, podría pensar el incauto que desconoce el trasfondo de la cuestión y la astucia de los funcionarios de Itamaraty.
Lo único que quizás no esté comprendido por Itamaraty es que el Paraguay hoy ya no está para aceptar nuevas trampas con migajas y espejitos de carnada. Esperamos que el presidente Fernando Lugo y los negociadores paraguayos adviertan la maniobra y no se dejen embaucar tan ingenuamente por Samek e Itamaraty.

http://www.abc.com.py/2009-05-27/articulos/525651/itamaraty-prepara-nueva-trampa-con-samek

Receitas que ninguém me pediu

Receitas que ninguém me pediu

ESCRITO POR GABRIEL PERISSÉ

25-MAI-2009

Receita para escrever receitas: sentir-se teoricamente preparado para aconselhar alguém a fazer algo que, na prática, não é certo que dê certo...

Receita para ter pesadelos à noite: ser conivente com o inconveniente, aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável.

Receita eficaz para perder peso rapidamente: trabalhar demais, comer pouco e dormir mal...

Receita para enlouquecer a si mesmo e aos outros: racionalizar tudo, marcar horário para tudo, prever tudo, controlar tudo, cobrar todas as promessas, corrigir todos os erros, querer escrever receitas com a única intenção de resolver todos os problemas do mundo.

Receita genial para ser um gênio: ler todos os livros do mundo e esquecer tudo o que se leu.

Receita para falar em público com desenvoltura, despertando o interesse de todos, comunicando-se de modo oportuno e enfático, provocando risos e lágrimas: falar pouco.

Receita para ter dinheiro à vontade: não ter vontade de acumular mais dinheiro do que o necessário para viver uma única vida.

Receita para escapar das seitas que lavam nossos cérebros e roubam nossa liberdade: fundar uma nova seita ainda mais proselitista.

Receita para ser pontual: comprar um relógio e usá-lo, comprar agenda e consultá-la... e não marcar nenhum encontro com pessoas pontuais.

Receita para desesperar-se: ser perfeccionista.

Receita para não adquirir a virtude da humildade: orgulhar-se de ser o mais humilde dentre todos os mortais.

Receita para ser aceito pelos outros: plantar e colher sem se preocupar quando será (e se boa será) a colheita.

Receita para cultivar uma biblioteca com mais de 9 mil livros: comprar um livro por dia ao longo de 25 anos.

Receita para ler mais de 9 mil livros: ler um livro por dia ao longo de 25 anos.

Receita para viver mais de 100 anos: acostumar-se com a idéia de que um século não é grande coisa.

Receita para não desanimar após ter experimentado um fracasso: chorar até o amanhecer, enterrar o cadáver de ontem bem enterrado e escovar os dentes.

Receita imemorial para tornar a memória infalível: esquecer o que é inútil sem se angustiar com a possibilidade de esquecer o que é imprescindível.

Receita infalível para ser feliz: não acreditar em receitas infalíveis, e seguir as receitas falíveis com um sorriso nos lábios.

Receita para educar os filhos: jogar todas as receitas pela janela.

Receita para ser conciso: ponto final.

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3323/53/

“O objetivo é viver melhor; a economia é apenas um meio.”

O debate sobre o PIB: "estamos fazendo a conta errada"
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ESCRITO POR LADISLAU DOWBOR

12-MAI-2009

"Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa" - Banner colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia.

PIB, como todos devem saber, é o produto interno bruto. Para o comum dos mortais que não faz contas macroeconômicas, trata-se da diferença entre aparecerem novas oportunidades de emprego (PIB em alta) ou ameaças de desemprego (PIB em baixa). Para o governo, é a diferença entre ganhar uma eleição e perdê-la. Para os jornalistas, é uma ótima oportunidade para darem a impressão de entenderem do que se trata. Para os que se preocupam com a destruição do meio-ambiente, é uma causa de desespero. Para o economista que assina o presente artigo, é uma oportunidade para desancar o que é uma contabilidade clamorosamente deformada.

Peguemos o exemplo de uma alternativa contábil, chamada FIB. Trata-se simplesmente de um jogo de siglas, Felicidade Interna Bruta. Tem gente que prefere felicidade interna líquida, questão de gosto. O essencial é que inúmeras pessoas no mundo, e técnicos de primeira linha nacional e internacional, estão cansados de ver o comportamento econômico ser calculado sem levar em conta – ou muito parcialmente – os interesses da população e a sustentabilidade ambiental. Como se pode dizer que a economia vai bem, ainda que o povo vá mal? Então a economia serve para quê?

No Brasil a discussão entrou com força recentemente, em particular a partir do cálculo do IDH (Indicadores de Desenvolvimento Humano), que inclui, além do PIB, a avaliação da expectativa de vida (saúde) e do nível da educação. Mais recentemente, foram lançados dois livros básicos,‘Reconsiderar a riqueza’, de Patrick Viveret, e ‘Os novos indicadores de riqueza’, de Jean-Gadrey e Jany-Catrice. Há inúmeras outras iniciativas em curso, que envolvem desde o Indicadores de Qualidade do Desenvolvimento do IPEA, até os sistemas integrados de indicadores de qualidade de vida nas cidades, na linha do Nossa São Paulo. O movimento FIB é mais uma contribuição para a mudança em curso. O essencial para nós é o fato que estamos refazendo as nossas contas.

As limitações do PIB aparecem facilmente através de exemplos. Um paradoxo levantado por Viveret, por exemplo, é que, quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska, foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas. O PIB mede o fluxo dos meios, não o atingimento dos fins. Na metodologia atual, a poluição aparece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar. As pessoas que jogam pneus e fogões velhos no rio Tietê, obrigando o Estado a contratar empresas para o desassoreamento da calha, contribuem para a produtividade do país. Isto é conta?

Mais importante ainda é o fato de o PIB não levar em conta a redução dos estoques de bens naturais do planeta. Quando um país explora o seu petróleo, isto é apresentado como eficiência econômica, pois aumenta o PIB. A expressão "produtores de petróleo" é interessante, pois nunca ninguém conseguiu produzir petróleo: é um estoque de bens naturais, e a sua extração, se der lugar a atividades importantes para a humanidade, é positiva, mas sempre devemos levar em conta que estamos reduzindo o estoque de bens naturais que entregaremos aos nossos filhos. A partir de 2003, por exemplo, não na conta do PIB, mas na conta da poupança nacional, o Banco Mundial já não coloca a extração de petróleo como aumento da riqueza de um país, e sim como a sua descapitalização. Isto é elementar, e se uma empresa ou um governo apresentasse a sua contabilidade no fim de ano sem levar em conta a variação de estoques, veria as suas contas rejeitadas. Não levar em conta o consumo de bens não renováveis que estamos dilapidando deforma radicalmente a organização das nossas prioridades. Em termos técnicos, é uma contabilidade grosseiramente errada.

A diferença entre os meios e os fins na contabilidade aparece claramente nas opções de saúde. A Pastoral da Criança, por exemplo, desenvolve um amplo programa de saúde preventiva, atingindo milhões de crianças até 6 anos de idade através de uma rede de cerca de 450 mil voluntárias. São responsáveis, nas regiões onde trabalham, por 50% da redução da mortalidade infantil, e 80% da redução das hospitalizações. Com isto, menos crianças ficam doentes, o que significa que se consomem menos medicamentos, que se usam menos serviços hospitalares, e que as famílias vivem mais felizes. Mas o resultado do ponto de vista das contas econômicas é completamente diferente: ao cair o consumo de medicamentos, o uso de ambulâncias, de hospitais e de horas de médicos, reduz-se também o PIB. Mas o objetivo é aumentar o PIB ou melhorar a saúde (e o bem-estar) das famílias?

Todos sabemos que a saúde preventiva é muito mais produtiva, em termos de custo-benefício, do que a saúde curativo-hospitalar. Mas se nos colocarmos do ponto de vista de uma empresa com fins lucrativos, que vive de vender medicamentos ou de cobrar diárias nos hospitais, é natural que prevaleça a visão do aumento do PIB, e do aumento do lucro. É a diferença entre os serviços de saúde e a indústria da doença. Na visão privatista, a falta de doentes significa falta de clientes. Nenhuma empresa dos gigantes chamados internacionalmente de "big pharma" investe seriamente em vacinas, e muito menos em vacinas de doenças de pobres. Ver este ângulo do problema é importante, pois nos faz perceber que a discussão não é inocente, e os que clamam pelo progresso identificado com o aumento do PIB querem, na realidade, maior dispêndio de meios, e não melhores resultados. Pois o PIB não mede resultados, mede o fluxo dos meios.

É igualmente importante levar em consideração que o trabalho das 450 mil voluntárias da Pastoral da Criança não é contabilizado como contribuição para o PIB. Para o senso comum, isto parece uma atividade que não é propriamente econômica, como se fosse um band-aid social. Os gestores da Pastoral, no entanto, já aprenderam a corrigir a contabilidade oficial. Contabilizam a redução do gasto com medicamentos, que se traduz em dinheiro economizado na família, e que é liberado para outros gastos. Nesta contabilidade corrigida, o não-gasto aparece como aumento da renda familiar. As noites bem dormidas quando as crianças estão bem representam qualidade de vida, coisa muitíssimo positiva, e que é afinal o objetivo de todos os nossos esforços. O fato de a mãe ou o pai não perderem dias de trabalho pela doença dos filhos também ajuda a economia. O Canadá, centrado na saúde pública e preventiva, gasta 3 mil dólares por pessoa em saúde, e está em primeiro lugar no mundo neste plano. Os Estados Unidos, com saúde curativa e dominantemente privada, gastam 6,5 mil, e estão longe em termos de resultados. Mas ostentam orgulhosamente os 16% do PIB gastos em saúde, para mostrarem quanto esforço fazem. Estamos medindo meios, esquecendo os resultados. Neste plano, quanto mais ineficientes os meios, maior o PIB.

Uma outra forma de aumentar o PIB é reduzir o acesso a bens gratuitos. Na Riviera de São Lourenço, perto de Santos, as pessoas não têm mais livre acesso à praia, a não ser através de uma série de enfrentamentos constrangedores. O condomínio contribui muito para o PIB, pois as pessoas têm de gastar bastante para ter acesso ao que antes acessavam gratuitamente. Quando as praias são gratuitas, não aumentam o PIB. Hoje os painéis publicitários nos "oferecem" as maravilhosas praias e ondas da região, como se as tivessem produzido. A busca de se restringir a mobilidade, o espaço livre de passeio, o lazer gratuito oferecido pela natureza, gera o que hoje chamamos de "economia do pedágio", de empresas que aumentam o PIB ao restringir o acesso aos bens. Temos uma vida mais pobre, e um PIB maior.

Este ponto é particularmente grave no caso do acesso ao conhecimento. Trata-se de uma área onde há excelentes estudos recentes, como ‘A Era do Acesso’, de Jeremy Rifkin; ‘The Future of Ideas’, de Lawrence Lessig; ‘O imaterial’, de André Gorz; ou ainda ‘Wikinomics’, de Don Tapscott. Um grupo de pesquisadores da USP Leste, com Pablo Ortellado e outros professores, estudou o acesso dos estudantes aos livros acadêmicos: o volume de livros exigidos é proibitivo para o bolso dos estudantes (80% de famílias de até 5 salários mínimos, 30% dos títulos recomendados estão esgotados). Na era do conhecimento, as nossas universidades de linha de frente trabalham com xerox de capítulos isolados do conjunto da obra, autênticos ovnis científicos, quando o MIT, principal centro de pesquisas dos Estados Unidos, disponibiliza os cursos na íntegra gratuitamente online, no quadro do OpenCourseWare (OCW) (1). Hoje, os copyrights incidem sobre as obras até 90 anos após a morte do autor. E se fala naturalmente em "direitos do autor", quanto se trata na realidade de direitos das editoras, dos intermediários.

É impressionante investirmos por um lado imensos recursos públicos e privados na educação, e por outro lado empresas tentarem restringir o acesso aos textos. O objetivo é assegurar lucro das editoras, aumentando o PIB, ou termos melhores resultados na formação, facilitando e incentivando (em vez de cobrar) o aprendizado? Trata-se, aqui também, da economia do pedágio, de impedir a gratuidade que as novas tecnologias permitem (acesso online), a pretexto de proteger a remuneração dos produtores de conhecimento.

Outra deformação deste tipo de conta é a não contabilização do tempo das pessoas. No nosso ensaio ‘Democracia Econômica’ inserimos um capítulo "Economia do Tempo". Está disponível online, e gratuitamente. O essencial é que o tempo é por excelência o nosso recurso não renovável. Quando uma empresa nos obriga a esperarmos na fila, faz um cálculo: a fila é custo do cliente, não se pode abusar demais. Mas o funcionário é custo da empresa e, portanto, vale a pena abusar um pouco. Isto se chama externalização de custos. Imaginemos que o valor do tempo livre da população economicamente ativa seja fixado em 5 reais. Ainda que a produção de automóveis represente um aumento do PIB, as horas perdidas no trânsito pelo encalacramento do tráfego poderiam ser contabilizadas, para os 5 milhões de pessoas que se deslocam diariamente para o trabalho em São Paulo, em 25 milhões de reais, isto calculando modestos 60 minutos por dia. A partir desta conta, passamos a olhar de outra forma a viabilidade econômica da construção de metrô e de outras infra-estruturas de transporte coletivo. E são perdas que permitem equilibrar as opções pelo transporte individual: produzir carros realmente aumenta o PIB, mas é uma opção que só é válida enquanto apenas minorias têm acesso ao automóvel. Hoje São Paulo anda em primeira e segunda, gastando com o carro, com a gasolina, com o seguro, com as doenças respiratórias, com o tempo perdido. Os quatro primeiros itens aumentam o PIB. O último, o tempo perdido, não é contabilizado. Aumenta o PIB, reduz-se a mobilidade. Mas o carro, afinal, era para quê?

Alternativas? Sem dúvida, e estão surgindo rapidamente. Não haverá o simples abandono do PIB, e sim a compreensão de que mede apenas um aspecto, muito limitado, que é o fluxo de uso de meios produtivos. Mede, de certa forma, a velocidade da máquina. Não mede para onde vamos, só nos diz que estamos indo depressa, ou devagar. Não responde aos problemas essenciais que queremos acompanhar: estamos produzindo o quê, com que custos, com que prejuízos (ou vantagens) ambientais, e para quem? Aumentarmos a velocidade sem saber para onde vamos não faz sentido. Contas incompletas são contas erradas.

Como trabalhar as alternativas? Há os livros mencionados acima, o meu preferido é o de Jean Gadrey, foi editado pelo Senac. E pode ser utilizado um estudo meu sobre o tema, intitulado‘Informação para a Cidadania e o Desenvolvimento Sustentável’. Porque não haverá cidadania sem uma informação adequada. O PIB, tão indecentemente exibido na mídia, e nas doutas previsões dos consultores, merece ser colocado no seu papel de ator coadjuvante. O objetivo é vivermos melhor. A economia é apenas um meio. É o nosso avanço para uma vida melhor que deve ser medido.

*

(1) O material do MIT pode ser acessado no site http://www.ocw.mit.edu/ ; Em vez de tentar impedir a aplicação de novas tecnologias, como aliás é o caso das empresas de celular que lutam contra o wi-fi urbano e a comunicação quase gratuita via skype, as empresas devem pensar em se reconverter, e prestar serviços úteis ao mercado. A IBM ganhava dinheiro vendendo computadores e quando este mercado se democratizou com o barateamento dos computadores pessoais migrou para a venda de softwares. Estes hoje devem se tornar gratuitos (a própria IBM optou pelo Linux), e a empresa passou a se viabilizar prestando serviços de apoio informático. Travar o acesso aumenta o PIB, mas empobrece a sociedade.

Ladislau Dowbor é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de "Democracia Econômica", "A Reprodução Social: propostas para uma gestão descentralizada", "O Mosaico Partido: a economia além das equações", "Tecnologias do Conhecimento: os Desafios da Educação", todos pela editora Vozes, além de "O que Acontece com o Trabalho?" (Ed. Senac) e co-organizador da coletânea "Economia Social no Brasil" (ed. Senac). Seus numerosos trabalhos sobre planejamento econômico e social, inclusive o artigo Informação para a Cidadania mencionado acima, estão disponíveis no site http://dowbor.org/

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3266/9/