"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."

Ignácio Ellacuría


O que iremos fazer hoje, Cérebro?

sábado, 23 de outubro de 2010

Venezuela 2

Definitivamente a Venezuela é um país em transformação, um país que tenta mudar a estrutura econômica. Entretanto as relações de dependência parecem ser muito mais fortes do que se pensa. O senso comum tende a acreditar que ter petróleo é uma dádiva para qualquer país, na verdade a maior parte dos países petroleiros acumulam problemas. No caso da Venezuela, o desafio é diversificar a estrutura produtiva. Para tanto se fala desde os anos 40 em “sembrar el petroleo”, e por isso o plano de desenvolvimento da PDVSA se denomina “Plan Siembra Petrolera”, e é o principal componente do Plan Simon Bolívar. “Sembrar el petroleo” é fazer com que o petróleo funcione como estímulo ao desenvolvimento econômico, ao desenvolvimento de novos setores econômicos, é fazer com que a população mais pobre usufrua dos frutos da economia petroleira. Entretanto, isto se mostra muito difícil. A Venezuela possui na Faja del Orinoco uma das maiores reservas de petróleo do mundo de crudo extra-pesado, ou seja, é um produto sólido em 8º API que para ser extraído precisa ser diluído a 17ºAPI para ser levado pelos oleodutos para tratamento e envio para as refinarias. No caso da Venezuela, há um predomínio dos “mejoradores”, estrutura mais simples do que uma refinaria que trata o crudo para colocá-lo em condições de ser exportado, ele estará mais leve a 32ºAPI. O crudo extra-pesado demanda uma infraestrutura grande para torná-lo um produto comercial. E aí está um problema para a Venezuela, explorar o petróleo demanda investimentos muito altos que restringem os recursos disponíveis para outros investimentos do Estado. Ainda que o Estado tenha como objetivo desenvolver outros setores econômicos, evidentemente que a prioridade é a estrutura de exploração do petróleo e aí acaba por se arriscar reproduzir a mesma estrutura econômica dependente do petróleo e das exportações. Neste sentido, a Venezuela tenta avançar internalizando os setores industriais necessários ao desenvolvimento da economia petroleira, é um avanço em relação à situação econômica anterior, por outro lado, não é um política que de fato “sembra el petróleo”, pois se o petróleo entrar em crise , todos os setores industriais que lhe são associados também entrarão.

Viajar pela Venezuela é impressionante para um brasileiro, por um lado as estradas são muito boas se comparadas com a maior parte do Brasil. Por outro lado, se vê a escassez de produção agrícola. Quando se viaja pelo Brasil, ou se vê pastos para o gado, ou plantações seja soja, seja milho, girassol, etc. Aqui na Venezuela não. O único lugar onde vimos soja na estrada é um projeto desenvolvido em parceira com o Brasil e realizado aqui pela EMBRAPA. No resto, não há nada. Se vê uma vegetação similar ao cerrado brasileiro que eles chamam de savana, alguns vezes se vê meio dúzia de cabeças de gado, mas a maior parte do tempo não se vê nada, está tudo abondonado. Não se mostra lucrativo produzir alimentos  na Venezuela, a produção agrícola é insignificante. E aí se gera um dilema, não há produção interna de alimentos, e, portanto, é preciso importar. O governo para não encarecer os alimentos faz uma taxa de câmbio subsidiada, com os alimentos baratos não se estimula a produção interna.

 

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