Quero dizer que apesar do arrependimento do Filipe em ter dito, ele estava certo, deve-se lutar pelo impossível mesmo quando o fracasso é certo, vale para cada homem em particular na sua vida privada, vale para os estadistas em sua vida pública. Não se pode confundir lutar pelo impossível com teimosia, não se ouviu um "não" várias vezes da mesma mulher, desista ainda que seja o amor da sua vida, insistir é teimosia não trará nada de bom, aumentará a sua infelicidade e a dela.
Enfim segue abaixo o texto enviado pelo Filipe por e-mail (pollyana ele sabe bem quem é, ele e seus mentores intelectuais).
Escrevi o texto abaixo para que publique no seu blog, como direito de resposta. Espero que este espaço seja concedido e me poupe o trabalho de publica-lo de outra forma.
O pessismista-pollyana
O Corival, em seu blog, quer fazer o mundo acreditar que eu, Filipe, ando dizendo que devemos "lutar para que o liberalismo vigore e se expanda em todo o mundo, homogeneizando as nações e fazendo com que todo o mundo seja como os EUA". Como eu nunca disse nada parecido com isso, resolvi pedir direito de resposta, uma vez que este blog tem o "compromisso com a verdade". Se estão lendo este texto postado no blog, significa que este pedido foi, "gentilmente", concedido.
Tais afirmações não correspondem a realidade. Na verdade esta situação é até irônica, por dois motivos, basicamente:
1-) Nunca publiquei nada com tais dizeres, e nunca afirmei nada parecido. Quando afirmei que era preciso "lutar pelo impossível", (coisa que hoje me arrependo profundamente) me referia à questões muito particulares, e o Corival sabe bem disso. Não estávamos refletindo sobre as Relações Internacionais, não estávamos falando de Estados Unidos, nem de Economia Política. Estávamos falando de honestidade, de relações familiares. Minha afirmação era essa: "deve-se lutar por fazer o bem mesmo sabendo que na prática isso não levará a lugar algum. É importante fazer não porque dá resultados práticos, mas porque vale a pena". Não se pode tirar estes dizeres do seu contexto, simplesmente aplica-los às Relações Internacionais e daí concluir que defendo a liberalização.
2-) Na verdade, quando o assunto é Relações Internacionais, quem é mais idealista? Em sua tese, Corival Alves do Carmo afirma que "para sair do subdesenvolvimento, esses países [da América Latina] vão precisar negociar com o mundo, conseguir arranjos que resultem no compromisso das organizações internacionais em adotar soluções para a exclusão social". Abaixo, reproduzo o Jornal da Unicamp de 10 a 16 de junho de 2002:
[Corival Alves do Carmo] atenta, porém, que falta aos que lutam por isso – trabalhadores, pequenos proprietários, sem-terra – uma articulação mundial para defender seus interesses, colocando na agenda esse tipo de discussão. "O Fórum Social Mundial é um palco de discussões, mas como há várias tendências e falta um projeto único, isso torna inviável, a curto prazo, que os países subdesenvolvidos se imponham e obtenham vantagens diante de organismos como OMC, ONU, FMI e Banco Mundial". Corival do Carmo lembra que, apesar das diferenças entre os países, a América Latina é vista como uma unidade pela comunidade internacional, pois todos padecem do mesmo mal. Ele critica a própria posição do Brasil: "Nosso governo tem mais condições de se firmar como liderança e encaminhar soluções, mas nunca se dispôs a isso. Deveria, por exemplo, fazer uma defesa muito mais forte da Argentina junto aos bancos internacionais e, com certo esforço, dar algum tipo de ajuda ao vizinho. Mas o país se mantém isolado nas negociações, sem pensar pelo conjunto da América Latina".
Como vimos, o Idealismo nas Relações Internacionais, que o Corival abomina, na verdade, é o que o Corival defende (ou defendeu). Por isso, caro leitores, antes de rotular pessoas, é preciso conhecer seu próprio passado. Não se pode fugir disso. Fazer isso é como enterrar um corpo na areia: o tempo passa, o vento bate, a areia se move, e o corpo aparece.
Devo-lhes dizer, caro leitores, que "lutar por questões idealistas e a partir do idealismo é uma luta inglória". Além disso, é preciso ter em mente que "lutar pela difusão do liberalismo, além de ser errado, é idealismo, pois a difusão do liberalismo não gera os resultados que a teoria prevê, ao contrário, piora o mundo, e ainda retarda conquista que se poderia obter por outras trajetórias". Podemos ver prova disso no passado do Corival. Ele defendeu a adesão ao neoliberalismo, e o mundo permanece como está. Esta, na verdade, é o que o Corival defende por "luta pelo impossível". Mas, aqui, deixo-lhes um conselho: "nem todos os impossíveis têm mérito".
Seria o mestre Corival o "pessismista-pollyana"? Seria o mestre Corival o famigerado 'realista do amor' das Relações Internacionais? Todo o seu "realismo" não foi suficiente para poupá-lo de, no passado, defender a adesão aos regimes neoliberais. Só foi suficiente para distorcer fatos e criticar pessoas sem provas concretas.
Filipe






