"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."

Ignácio Ellacuría


O que iremos fazer hoje, Cérebro?
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domingo, 8 de maio de 2011

Eric R. Kandel. Em Busca da Memória: o nascimento de uma nova ciência da mente.

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“Tendo estudado história e humanidades, campos em que cedo se aprende o quanto a vida pode ser depressiva, fico feliz por ter, no final das contas, mudado para biologia, onde um otimismo ilusório ainda existe em abundância.”

Eric R. Kandel. Em Busca da Memória: o nascimento de uma nova ciência da mente.

Os olhos de Laura: somos todos loucos em algum recanto de nossas vidas.

 

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“o que é estar louco? É ter certeza visceral, irracional da verdade, do que se pensa e do que se faz. Diferentemente do neurótico, que acredita ou não acredita nos fundamentos do que pensa ou do que faz, o louco que às vezes somos, no momento mesmo da loucura, não duvida e sabe cegamente o que deve fazer; a paixão é mais forte do que a razão. Estar louco é ir obstinadamente atrás da sua ideia, uma ideia fixa e falsa que irrompe sempre nas mesmas circunstâncias, toma conta de nós e nos impele a agir. Estar louco é não ouvir mais nada além do que se quer ouvir. É isso a ruptura psicótica com a realidade! A mente cega curva a realidade à sua ideia, em vez de submeter sua ideia à realidade.”

Juan-David Nasio. Os olhos de Laura: somos todos loucos em algum recanto de nossas vidas.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Honra Sexual segundo Arthur Schopenhauer

“A honra sexual divide-se em honra feminina e honra masculina: a prioritária e mais significativa é a feminina, já que, na existência da mulher, a relação sexual é a mais importante. No caso de uma jovem, a honra feminina consiste na opinião geral dos outros de que ela não se entregou a nenhum homem, e, no caso de uma mulher, de que ela se entregou apenas ao homem com quem se casou.

“Em relação ao sexo masculina, a honra sexual é a opinião de que um marido, tão logo venha a saber do adultério de sua mulher, irá separar-se dela e castigá-la se for possível.

“Essa espécie de honra apresenta muitas características que a distinguem das outras duas (honra privada e honra pública) e pode ser deduzida e entendida apenas a partir das peculiaridades de relacionamento entre os sexos. Enquanto o sexo feminino exige e espera tudo do masculino, ou seja, tudo o que deseja e de que precisa, o masculino exige do feminino, em primeiro lugar e diretamente, apenas uma coisa. Por essa razão, teve de ser estabelecida a convenção que permite ao sexo masculino obter do feminino aquela única coisa de que precisa em troca da aceitação de cuidar de tudo. Sobre tal convenção repousa o bem-estar de todo o sexo feminino. E é para fazer valer esse estado de coisas que o sexo feminino tem de se manter unido e, por conseguinte, ter esprit de corps; enquanto um todo de tal natureza, enfrenta todo o sexo masculino que, pela preponderância de suas forças intelectuais e físicas, é o detentor de todos os bens terrenos. E o enfrenta como ao inimigo comum, que tem de ser vencido e conquistado para que, com sua posse, chegue-se também à posse dos bens terrenos. Esse é o objetivo da máxima de honra de todo o sexo feminino, segundo o qual deve ser negado ao masculino todo concúbito extraconjugal e concedido, porém, o conjugal, quer o casamento seja celebrado apenas no civil, como na França, ou no religioso, de modo que cada um é obrigado ao matrimônio, que representa uma capitulação. somente pela observância geral desse procedimento, ou seja, pelo casamento, é que o sexo feminino poderá alcançar o sustento que lhe é necessário. Por tal razão, ele próprio cuida da manutenção desse esprit de corps entre seus membros. Por isso também, toda moça que comete, por meio de uma relação extraconjugal, uma traição contra todo o seu sexo – cujo bem-estar cairia por terra com a generalização desse modo de conduta –, logo é banida e coberta de vergonha, isto é, perde sua honra. Nenhuma mulher pode mais ter contato com ela, e a opinião geral lhe nega todo seu valor. Ela passa a ser evitada como se fosse uma enferma pestilenta. O mesmo destino encontra a mulher adúltera, uma vez que não respeitou a contratada capitulação do homem em que repousa a salvação do sexo feminino. Mas isso acabaria por desencorajar tal capitulação, já que a generalização desse modo de conduta a transformaria em motivo de brincadeira e zombaria. Por fim, devido à sua grosseira falta de palavra e ao engano perpetrado na sua conduta, a adúltera perde, além da honra sexual, a privada: por isso se diz sempre, como uma expressão indulgente, “uma moça pervertida”, mas não uma “mulher pervertida”.

(…)

“A honra masculina é a que é suscitada pelo esprit de corps da outra parte. Exige apenas que quem aceitou a capitulação tão favorável à parte feminina, ou seja, o casamento, pelo menos agora fique atento para que ele seja respeitado, para que esse pactum não perca a sua firmeza com a generalização de tal tolerância, e os homens, no momento em que entregam tudo à mulher, tenham absoluta certeza daquilo que adquiriram, isto é, a posse exclusiva da mulher. Sendo assim, a honra do marido exige que ele puna o adultério de sua mulher e vingue-se dela com a separação ou outro meio; se, estando ciente, suportá-lo, será coberto de vergonha pelo corps masculino. Tal punição, porém, não é tão drástica quanto a do sexo feminino, pois para o homem a relação sexual é subordinada e ele mantém muitas outras relações.

“A salvação dessa honra masculina é o tema da tragédia de Calderón,  O médico da própria honra. Note-se que ela exige apenas o castigo da mulher, mas não do amante, o que prova sua origem a partir do esprit de corps masculino e confirma a sexta máxima, que diz ser nossa honra firmada e fundada apenas em nosso próprio fazer e omitir, não na injustiça que um outro comete contra nós. A necessidade de castigar a mulher, cujo erro, se ficar sem castigo, envergonha o homem, não contradiz o que foi dito, porque deriva do mencionado esprit de corps, portanto, de uma consideração bastante particular, e porque a vergonha do homem não é diretamente o adultério da mulher, mas a tolerância dele.”

SCHONPENHAUER, Arthur. A Arte de se fazer respeitar ou Tratado sobre a honra. São Paulo, Martins Fontes, 2004, pp. 24-28.

sábado, 21 de novembro de 2009

“Eu queria ser feliz, mas não sei como”: citações

“Ter esperança significa estar pronto a todo momento para aquilo que ainda não nasceu e todavia não se desesperar se não ocorrer nascimento algum durante nossa existência. Não faz sentido esperar pelo que já existe ou pelo que não pode ser. Aqueles cuja esperança é fraca decidem pelo conforto ou pela violência; aqueles cuja esperança é forte vêem e apreciam todos os sinais da nova vida e estão prontos a todo instante para ajudar no nascimento daquilo que está pronto para nascer.” Erich Fromm

“A história do mundo não é o teatro da felicidade; os períodos felizes são suas páginas em branco” Hegel

“Amor, trabalho e conhecimento são as fontes de nossa vida. Deveriam também governá-las”. Wilhelm Reich

“todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais mas não de si próprio. Que admira as idéias que não teve mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar”. Wilhelm Reich

O martírio do viver é crer na falsa felicidade alheia. Que todos sejamos declaradamente infelizes é uma única solução para a humanidade. Isto não é pessimismo, nem desilusão, é a vida no mundo que Deus criou à sua imagem e semelhança.

“nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos” Goethe

“O programa de tornar-se feliz, que o princípio do prazer nos impõe, não pode ser realizado; contudo, não devemos – na verdade, não podemos – abandonar nossos esforços de aproximá-lo da consecução, de uma maneira ou de outra.” Freud

“Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor – mas que ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambigüidade e angústia.” Marshall Bermann

Para ler:

O que há de errado com a felicidade. In: BAUMAN, Zygmunt. A arte da vida.

LASCH, Christopher. Refúgio num mundo sem coração. A família: santuário ou instituição sitiada?

Para a crítica do hedonismo. In: MARCUSE, Herbert. Cultura e Sociedade, vol.1.

FROMM, Erich. O medo à liberdade.

FROMM, Erich. A revolução da esperança.

FROMM, Erich. A arte de amar.

FROMM, Erich. Do ter ao ser.

REICH, Wilhelm. Escuta, Zé ninguém!

domingo, 9 de março de 2008

Roland Barthes

“a afetividade que existe no fundo de toda literatura comporta apenas um número reduzido de funções: desejo, sofro, indigno-me, contesto, amo, quero ser amado, tenho medo de morrer, é com isso que se deve fazer uma literatura infinita. A afetividade é banal, ou se se quiser, típica, e isso comanda todo o ser da literatura, pois se o desejo de escrever é apenas a constelação de algumas figuras obstinadas, só é deixada ao escritor uma atividade de variação e de combinação: nunca há criadores, apenas combinadores, e a literatura é semelhante à barca Argos: a barca Argos não comportava – em sua longa história – nenhuma criação, apenas combinações; presa a uma função imóvel, cada peça era entretanto infinitamente renovada, sem que o conjunto deixasse de ser a barca Argos.”

sábado, 8 de março de 2008

Sergio Bagu

"Si la ciencia, si lo que llamamos el paradigma científico, no entra en crisis, es simplemente porque no es científico. Si el paradigma es realmente científico, necesariamente tiene que estar en crisis permanente”.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O original e a cópia: o Brasil segundo Silvio Romero

"Deu-se, entretanto, uma espécie de disparate [...]: uma pequena elite intelectual separou-se noravelmente do grosso da população, e, ao passo que esta permanece quase inteiramente inculta, aquela, sendo em especial dotada da faculdade de aprender e imitar, atirou-se a copiar na política e nas lestras quanta coisa foi encontrando no Velho Mundo, e chegamos hoje ao ponto de termos uma literatura e uma política exóticas, que vivem e procriam em uma estufa, sem relações com o ambiente a temperatura exterior. É este o mal de nossa habilidade ilusória e falha de mestiços e meridionais, apaixonados, fantasistas, capazes de imitar, porém orgaqnizamente impróprios para criar, para inventar para produzir coisa nossa e que saia do fundo imediato ou longíquo de nossa vida e de nossa história.

"Durante os tempos coloniais, a hábil política de segregação, afastando-nos dos estrangeiros, manteve-nos um certo espírito de coesão. Por isso tivemos Basília, Durão, Gonzaga, Alvarenga Peizoto, Claudio e Silva Alvarenga, que se moveram num meio de idéias puramente portuguesas e brasileiras.

"Com o primeiro imperador e a Regência, a pequena fresta (aberta) no muro do nosso isolamento por D João VI alargou-se, e começamos a copiar o romantismo político e literário dos franceses.

"Macaqueamos a carta de 1814, transplantamos para cá as fantasias de Benjamin Constant, arremedamos o parlamentarismo e a política constitucional do autor de Adolphe, de mistura com a poesia e os sonhos do autor de René e Atala.

"O povo, este continua a ser analfabeto.

"O segundo reinado, com sua política vacilante, incerta, incapaz, durante cinqüenta anos, escancarou todas as portas, e fê-lo unicamente, sem discrímen, sem critério. A imitação, a macaqueação de tudo, modas, costumes, leis, códigos, versos, dramas, romances, foi a regra geral.

"A comunicação direta para o velho continente pelos paquetes de linha regular engrossou a corrente da imitação, da cópia servil.

[...]

"E eis porque, como cópia, como arremedo, como pastiche para inglês ver, não há povo que tenha melhor constituição no papel, [...] tudo melhor... no papel. A realidade é horrível!"

Silvio Romero apud Roberto Schwarz. Que Horas são?.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O amor faz a diferença!

Escreve Soren A. Kierkegaard em "As obras do amor": "Que o elemento do amor é infinidade, inesgotabilidade, imensidade, certamente ninguém negará, e também é fácil de percebê-lo. Supõe - afinal, podemos supô-lo - que um serviçal ou uma pessoa cujo trabalho e incômodo podes pagar, realize para ti exatamente a mesma coisa que aquele que te ama, de modo que entre o resultado dos atos deste e dos do serviçal não haja a mínima diferença que a inteligência possa descobrir; contudo, mesmo assim há aí uma diferença infinita, um imensa diferença. Com efeito num dos casos há sempre um acréscimo que, bem estranhamente, tem um valor infinitamente maior do que aquilo com que se relaciona enquanto acréscimo. Mas este é justamente o conceito de "infinidade"! Em tudo o que faz por ti aquele que ama, na mínima insignificância como no maior dos sacríficos, ele sempre coloca junto o amor; e com isso, o mínimo serviço - para o qual, no caso de um serviçal, nem verias valor que se levasse em conta - torna-se imenso. Ou imagina que a um homem ocorresse a idéia de querer experimentar se ele, sem amar a outra pessoa e contudo só porque ele o quisesse (portanto, por razões de experimentação - não por razões de obrigação), poderia ser, como dizemos, tão inesgotável nos sacríficios, nos serviços, nas expressões de dedicação como aquele outro que amava esta mesma pessoa: verás facilmente que ele não o conseguirá, pelo contrário, permanece uma diferença imensa entre os dois. O que realmente ama tem uma vantagem, e uma vantagem infinita; pois cada vez que o outro tiver fundamentado, calculado, inventado uma nova expressão de dicação, o que ama já a terá realizado, porque o que ama não precisa de cálculos, e também não desperdiça nenhum instante em cálculos."

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Do que trata esta canção?

São João da Cruz é um dos reformadores da Ordem Carmelita e é um dos principais autores espanhóis do século XVI. O texto abaixo é o início do livro Subida do Monte Carmelo.

1. Em uma noite escura,

De amor em vivas ânsias inflamada,

Oh! ditosa ventura!

Saí sem ser notada,

Já minha casa estando sossegada.

2. Na escuridão, segura,

Pela secreta escada disfarçada,

Oh! ditosa ventura!

Na escuridão, velada,

Já minha casa estando sossegada.

3. Em noite tão ditosa,

E num segredo em que ninguém me via,

Nem eu olhava coisa,

sem outra luz nem guia

Além da que no coração me ardia.

4. Essa luz me guiava

Com mais clareza que a do meio-dia,

Aonde me esperava

Quem eu bem conhecia,

Em sítio onde ninguém aparecia.

5. Oh! noite que me guiaste,

Oh! noite mais amável que a alvorada;

Oh! noite que juntaste

Amado com Amada,

Amada já no Amado transformada!

6. Em meu peito florido

Que inteiro só para ele guardava,

Quedou-se adormecido...

E eu, terna, o regalava,

E dos cedros o leque o refrescava.

7. Da ameia a brisa amena,

Quando eu os seus cabelos afagava,

com sua mão serena

Em meu colo soprava,

E meus sentidos todos transportava.

8. Esquecida, quedei-me,

O rosto reclinado sobre o Amado,

Cessou tudo e deixei-me,

Largando meu cuidade

Por entre as açucenas olvidado.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Schopenhauer: Aforismos para a sabedoria de vida

Diz Schopenhauer: "Nossa vida prática, real, quando as paixões não a movimentam, é tediosa e sem sabor, mas quando a movimentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os únicos felizes são aqueles aos quais coube um excesso de intelecto que ultrapassa a medida exigida para o serviço da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entretém ininterruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Para tanto, o mero ócio, isto é, o intelecto não ocupado com o serviço da vontade, não é suficiente; é necessário um excedente real de força, pois apenas este capacita a uma ocupação puramente espiritual, não subordinada ao serviço da vontade. Ao contrário, otium sine litterus mors est et hominis vivi sepultura (o ócio destituído de ocupação intelectual é, para o homem, morte e sepultura em vida) (Sêneca, Ep.82)."

Schopenhuaer está certo quando diz que vida sem paixão é tediosa e que a vida com paixão é dolorosa. É um dilema inescapável, e por isso, o intelecto não salva, ao contrário, do que pensa Schopenhauer pensar não é se afastar do mundo, mas mergulhar no mundo e portanto ficar mais perto das dores e das chagas do mundo. O próprio pessimismo de Schopenhauer é produto da sua ação no mundo, de pensar o mundo, portanto cada vez que ele buscava se refugiar no mundo das idéias para se proteger da dor da paixão, não se enganem Schopenhauer era um apaixonado, ele de fato aprofunda a sua tristeza, a sua dor porque via as misérias do homem. Schopenhauer buscava no mundo as virtudes e as idéias que pudessem redimí-lo, nunca as encontrou e nunca deixou de buscar. Schpenhauer ansiava pela morte, mas apesar de ter sido uma pessoa de saúde frágil viveu muito, a morte não ansiava por Schpenhauer. Na medida que a morte não o agraciou com o seu amor, Schpenhauer sempre buscou uma razão para ele mesmo não abraçar a morte. Antes das besteiras da Nova Era e da penetração do misticismo oriental no Ocidente, Schopenhauer foi o primeiro grande pensador a sofrer influência do budismo. E tentou fundamentar a partir daí a idéia que apesar da vida ser trágica, da vida ser dolorosa, o suicídio não era uma saída, era preciso suportar a vida estoicamente enquanto esperava (ansiava) pelo beijo seco da morte. E ironia das ironias, talvez a morte o amou no momento em que ele menos desejava o amor da morte, porque já tinha outros amores. Schopenhauer sofreu no início da carreira por ser ignorado pelos seus pares. Schopenhauer inicia a vida universitária muito tarde já estava na casa dos 30 anos. Parêntesis. Numa das biografias que eu li de Schopenhauer já há bastante tempo dizia que no mesmo momento que ele entrou na faculdade com mais de 30 havia lá um destes garotos prodígios, entrou na faculdade com 13 anos. E hoje ninguém tem notícia do garoto, enquanto Schopenhauer é célebre, deu uma contribuição ao pensamento universal, desde que li sobre isso já não me entusiasmo com a celeuma que a imprensa cria diante dos pequenos gênios, porque em geral são isso e apenas isso, pequenos gênios. Fim do parêntesis. E Schopenhauer começou num momento não propício para suas idéias. Hegel dominava a filosofia alemã. Hegel e filosofia do progresso, o mundo que saudava a Revolução Francesa, a Revolução Industrial, o mundo que ansiava pela rendenção do homem que parecia estar próxima ao alcance da mão. São os debates entre hegelianos de esquerda e hegelianos de direita. É Marx como discípulo de Hegel. Schpenhauer passa pelos corredores da Universidade de Berlim e vê a sala de Hegel cheia de alunos, e a sua vazia. Pior, Hegel tem centenas e mesmo milhares de discípulos inclusive fora da Alemanha e Schopenhauer é desprezado inclusive pela mãe que diz que dois gênios não podem viver na mesma casa. E para o lamento de Schopenhauer, Hegel morreu, mas seu pensamento não cessa de florescer. Apenas no fim da vida, quando o hegelismo se radicalizou no marxismo, quando o otimismo com a ciência e técnica se retrai, quando a beleza da Revolução Francesa é substituída pelo medo dos proletários é que Schopenhauer encontrará o seu lugar no mundo intelectual alemão. E aí ele terá os seus discípulos, sendo o maior deles, Nietzsche. Sua opus magnum "O mundo como vontade e como representação" será reeditada e principalmente será lida. Neste momento, o velho pessimista Schpenhauer pode estampar um sorriso irônico, para Schopenhauer isso já quase felicidade. Mas antes que ele pudesse renegar o seu pessimismo que nos alimenta, a morte veio e lhe deu o último afago de carinho mostrando que realmente Schopenhauer estava certo, não há nada além da dor, mesmo que sua obra estivesse sendo aceita.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Da modéstia!

Schopenhauer disse "A modéstia é a humildade dos hipócritas, que num mundo tumefacto de inveja, pede perdão pelos seus méritos aos que não possuem nenhum".

sábado, 17 de novembro de 2007

Quem é o povo?

Lendo um texto de Carl Schmitt sobre o povo li uma citação de Schopenhauer definindo quem é o povo, "Quem não entende latim pertence ao povo". Está aí o problema do Brasil, aqui só tem povo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Só se pode dizer que o homem é quando ele assume a responsabilidade pelo ser!

"O ser humano pode, assim, ser "verdadeiramente ele próprio" também nos seus aspectos inconscientes. Por outro lado, ele é "verdadeiramente ele próprio" somente quando não é impulsionado, mas responsável. O ser humano propriamente dito começa, onde deixa de ser impelido e cessa, quando cessa de ser responsável. O homem propriamente dito se manifesta onde não houver um id a impulsioná-lo, mas onde houver um eu que decide." Vikto E. Frankl

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Nietzsche

Trecho de carta enviada por Nietzsche a Jacob Burckhardt citado em Otávio Velho, "Mais realistas do que o rei":

"Caro Professor,

No final das contas, eu preferiria muito mais ser um professor da Basiléia do que Deus; mas não ousei levar meu egoísmo privado tão longe, a ponto de desistir, por sua causa, da criação do mundo. Veja, é preciso que se façam sacrifícios, onde e como quer que se viva."

Presidente Wilson por John Lukacs

"A influência de Wilson na guerra e no seu resultado foi tremenda, mas teve vida curta: durou somente, de 1917 a 1919. A longo prazo, a influ~encia de suas vidas provou-se enorme e duradoura. Ele foi o presindete que levou os Estados Unidos à Primeira Guerra Mundial. Enunciou as idéias e estabeleceu a tradição norte-americana de internacionalismo. A curto prazo, esse internacionalismo sofreu resistência e ele foi derrotado pelo Partido Republicano, repudiado pela maioria do povo norte-americano. A longo prazo, isso não importou. Dentro dos Estados Unidos sua influência transcendeu sua vida, assim a dos partidos políticos. Herbert Hoover (que escreveu a biografia de Wilson), assim como Franklin Roosevelt, John Foster Dulles (que iniciou sua carreira "diplomática" pelas mão de Wilson), Dean Rusk, Bernard Baruch, Jimmy Carter (como Wilson, um sulista peculiar que queria ser ianque), Eleanor Rosevelt, Richard Nixon (que, quando ocupou a Casa Branca em 1968, solicitou a mesa de Wilson), Ronald Reagan (cujo nome do meio era Wilson) foram todos wilsonianos. Isso foi uma tragédia para os Estados Unidos pela simples razão (simples mas com componentes complicados) de que as idéias de Wilson sobre o mundo e sobre as relações entre as nações eram inadequadas, insubstanciais e geralmente erradas. Isso foi uma tragédia para o mundo de uma maneira geral, não só por causa da falha de wilson durante seu processo de paz em 1918 e 1919, mas principalmente por causa da identificação norte-americana è principal idéia de Wilson de autodeterminação nacional (um remanescente do arcabouço liberal britânico de ideais no século XIX), a partir do qual inimigos da civilização ocidental, tais como Hitler e ditadores selvagens na África e na Ásia, se beneficiariam. Thomas Woodrow Wilson e Vladimir Ilyich Lênin eram contemporâneos que morreram com dez dias de diferença um do outro (o último em 24 de janeiro e o primeiro em 2 de fevereiro de 1924). Foi uma idéia do primeiro e não do último - autodeterminação nacional e não revolução proletária - que acabou sendo o fator principal na história do resto do século. Foi este pálido professor de dentes grandes, em vez daquele cabeça de tártaro, líder dos bolcheviques, que se tornou um verdadeiro revolucionário."

domingo, 23 de setembro de 2007

Esta frase é muito boa!

"Não podemos lutar contra o coletivismo, a menos que lutemos contra sua base moral: altruísmo. Não podemos lutar contra o altruísmo, a menos que lutemos contra sua base epistemológica: irracionalismo. Não podemos lutar contra nada - a menos que lutemos por alguma coisa: e aquilo pelo que devemos lutar é a supremacia da razão, e uma visão do homem como ser racional" Esta frase de Ayn Rand foi citada pelo jornalista Elio Gaspari e está disponível em:http://aynrand.com.br/pages/basics.htm. A frase está errada, mas é muito boa. Algo que os anti-comunistas em geral não entendem é que o comunismo não tem nada com o altruísmo, não depende dele para ser justificado. Ao contrário, a razão do comunismo é puramente RACIONAL. A irracionalidade é sustentada e validade pelos mecanismos de mercado que iludem os indivíduos através do fetichismo da mercadoria, o comunismo é abolição do fetichismo da mercadoria, portanto a afirmação do RACIONAL contra o IRRACIONAL. E qualquer afirmação em contrário, do ponto de vista teórico, não passa de tergiversação.

domingo, 16 de setembro de 2007

Mais Schopenhauer!

"Poder-se-ia até dizer que cada um, sem ajuda de ninguém, sabe o quê é o mundo (e isso também seria uma sentença verdadeira). Mas tal conhecimento é intuitivo, é conhecimento in concreto. Reproduzi-lo in abstracto, ou seja, elevar as intuições sucessivas que se modificam, bem como tudo o que o vasto conceito de SENTIMENTO abrange e meramente indica como saber negativo, não abstrato, obscuro, a um saber permanente - eis a tarefa da filosofia."

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Augusto Frederico Schmidt 5

“Quem contará as pequenas histórias a que assisti durante minha vida, quem falará dos meus mortos depois que eu me for, quem se lembrará de mim mesmo, depois que esta existência se transformar numa vida verdadeira ou em nada, em sono sem despertar.”

quinta-feira, 10 de maio de 2007

República de Weimar

A República de Weimar, produto do idealismo que sedimentou o caminho de Hitler. Em geral a maior causa da guerra é a paz.


GAY, Peter. A cultura de Weimar.

“A tragédia da República de Weimar é que, conquanto fosse bem-sucedida nessa meta – o brilhantismo dos refugiados de Hitler é uma medida de seu êxito – o trauma de seu nascimento foi tão grande que ele não pode nunca registrar a lealdade desinteressada de todos, ou mesmo de seus beneficiários.”

“Certamente, a mentalidade política não pode ser treinada numa atmosfera de frustração permanente, ou com a sensação de que tudo é uma impostura. Quando a Constituição democrática de Weimar abriu suas portas para verdadeiros políticos, os alemães ficaram à porta, de boca aberta, como camponeses convidados para um palácio, mal sabendo como se comportar.”

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Globalização: citação

"Globalização é um termo que eu não uso. Não é conceito sério. Nós, os americanos, o inventamos para dissimular nossa política de entrada econômica nos outros países. E para tornar respeitáveis os movimentos especulativos de capital, que sempre são causa de graves problemas." John Kenneth Galbraith, economista norte-americano.