"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."

Ignácio Ellacuría


O que iremos fazer hoje, Cérebro?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Carta aberta ao Senador Aloísio Mercadante

Senador,

Nunca votei no senhor, porque nunca fui eleitor em São Paulo, como agora serei. Mas sempre pensei no senhor como um político respeitável. Quando estudei na Unicamp sempre diziam que o senhor não era um bom economista, mas nada havia de desabonador ao político Aloísio Mercadante. Acreditava no PT, e acreditava que o senhor era um dos que representavam o que de melhor havia no PT. Senador Mercadante, obrigado por me mostrar que eu estava enganado, de fato, diga-me com quem andas que te direi quem és é princípio inquestionável.

Senador Mercadante, nunca tive ilusões quanto a senadora Ideli Salvati, dela não poderia esperar outra coisa que apoiar o Renan Calheiros. A carreira política dela é débil, foi eleita por acaso no rastro do desempenho eleitoral do Lula em 2002, então ela é fraca, para se manter na política precisa da cúpula. O senhor não, senador Mercadante, para se reeleger o senhor não precisa se vergar, não precisaria se aliar ao Renan Calheiros. O senhor poderia escolher entre ser um Eduardo Suplicy ou uma Ideli Salvati, e o senhor escolheu ser uma Ideli. Senador, os seus eleitores e aqueles que um dia acreditaram no PT e no senhor não mereciam isso. Senador, a senadora Ideli Salvati pode fazer estas negociações vergonhosas porque a carreira política termina em 2010. Em 2010, a senadora Ideli Salvati sabe que não tem chance de ser eleita senadora novamente, o maior futuro que ela pode almejar é hibernar como deputada. Senador, o senhor sonhava em ser Presidente da República, alguém que pretende ser Presidente da República não pode ser omisso, não pode ser covarde. Senador, o senhor sabe que Renan Calheiros é culpado, tergiversar a respeito do assunto apenas depõe contra si mesmo. Senador Mercadante, durante o governo FHC, por denúncias menos graves, o senhor teria votado pela cassação de Renan Calheiros. Senador Mercadante talvez o senhor não se lembre, mas Renan Calheiros tem culpa desde que chegou ao poder com Fernando Collor. Senador Mercadante, ninguém acreditava em Renan Calheiros, foi o governo FHC que o reabilitou e o governo do PT que lhe passou um atestado de bons antecedentes. Senador Mercadante, se Renan Calheiros que sempre teve uma carreira oposta a sua é um modelo de político, então o que é condenável? Condenável é comportamento do senador Pedro Simon? O comportamento do Senador Jéferson Perez? Se for, então que se peça a cabeça deles, mas não é possível considerar que eles sejam iguais ao senador Renan Calheiros, se Renan Calheiros merece continuar no Senado então Pedro Simon e Jeferson Perez não merecem. E ao escolher o seu lado, o senhor escolheu o lado de Renan Calheiros, senador Mercadante.

Senador Mercadante, eu acreditava que o deputado José Genoíno era honesto. Uma vez ele participou de um debate na UnB e me disse que ajudava os pais no Ceará e se mantinha apenas com os proventos de deputado, e eu acreditei senador Mercadante? O senhor acredita que eu já citei o José Genoíno como exemplo de político que eu tinha certeza que era honesto? Pois acredite, eu já fiz isso, e hoje sinto vergonha da minha ingenuidade. Senador Mercadante, eu já acreditei no José Dirceu, quando ele tomou o poder no PT, eu acreditei que isso significaria uma racionalização da luta política, mas não que levaria a um desvio ético ou doutrinário. Senador Mercadante, eu acreditava no PT. Na eleição de 1989, eu ainda não podia votar e talvez nem votasse no PT. Mas, senador Mercadante, em 1 de maio de 1994, quando o comício/comemorações do 1 de maio foi atropelado pela morte do Senna, eu estava sentado lá no gramado da Esplanada aguardando se haveria comício ou não. Senador, eu lamentei profundamente quando José Paulo Bisol teve que deixar de ser o candidato a vice do Lula pelas denúncias que apareceram contra ele. E lamentei ainda mais que o senhor fosse escolhido para ser o novo vive. Não, senador Mercadante, não é porque eu achasse que o cargo era grande demais para o senhor, era o contrário, ser candidato a vice-presidente numa chapa que seria certamente derrotada, colocava no limbo por 4 anos um político que teria um futuro brilhante, podendo até ser presidente. Veja só, senador Aloísio Mercadante, em 1994 eu imaginava que ser candidato a vice atrasaria a sua carreira política. É senador, eu esperava que o senhor não apenas fizesse parte, mas liderasse um projeto de mudança do Brasil.

Senador Mercadante, eu fiquei profundamente decepcionado quando o Lula escolheu Antonio Palocci para ministro da Fazenda além sabia que o governo havia sido cooptado no essencial pelos nomes convidados para o ministério da Fazenda. Eu esperava que o senhor, Senador, fosse o ministro. Mas o Lula não queria e aí vocês acharam aquela desculpa que com o cabedal de votos com os quais o senhor foi eleito não poderia deixar o Congresso. Nessa eu não acreditei, senador. Mas acreditei, senador, que o senhor não se tornou ministro pelas suas virtudes e não pelos seus defeitos, entendi que o senhor sendo ministro não tiraria os olhos da cadeira que desejaria ocupar em seguida no terceiro andar do Palácio do Planalto, o Lula não podia ter num ministério tão importante quanto o da Fazenda alguém que desde o primeiro dia estivesse olhando para cadeira dele. Além disso, senador, sempre acreditei que o senhor não fosse neoliberal e que as críticas ao neoliberalismo fossem sinceras. Eu tenho o livro que o senhor organizou, Senador, e que foi publicada pelo Instituto de Economia da Unicamp. Então pensei, como o senador Mercadante não é neoliberal e o Lula quer manter as políticas neoliberais, então o ministro da Fazenda não poderia ser o senador Mercadante, ele não aceitaria desempenhar esse papel. Senador Mercadante, não se assuste com a minha ingenuidade, eu acreditava mesmo nas boas intenções do PT e nas críticas ao neoliberalismo.

Apesar do meu enorme desgosto pelas escolhas feitas para o ministério da Fazenda, que entendia já garantia o fracasso do governo e ausência de mudanças, eu fui assistir a posse do Lula em 1 de janeiro de 2003, senador, fiquei horas de pé e um cavalo dos Dragões da Independência ainda pisou no meu pé, que sangrou de verdade. Mas não me arrependi de ter ido. Comprei todos os jornais e revistas sobre a posse no dia 2 para guardar como material histórico. Senador Mercadante, eu acreditava no PT. Quando saíram as primeiras denúncias sobre corrupção, depois o Roberto Jéferson denunciando o mensalão, senador, eu já tinha perdido algumas das minhas ilusões, já sabia que o governo não promoveria nenhuma mudança estrutural, não passaria de velha política social compensatória. Mas eu ainda acreditava na honestidade da maior parte do PT, devo confessar que no José Dirceu, eu já não acreditava há algum tempo. Mas nunca pensei que houvesse tamanho esquema de caixa 2, de corrupção dentro do PT. Ainda pensava que era um fato isolado. Senador Mercadante, meu mundo desabou quando descobriram que o José Genoíno tinha posto a mão nessa cumbuca, aí não é possível, sempre defendi a honestidade, não roubaria nem pra ele nem para o partido. Senador, vocês expulsarão a Heloísa Helena do partido e eu ainda tentei entender isso, é preciso ser pragmático, mas é óbvio que ela estava certa, foi o partido que encampou as políticas neoliberais do Lula, tudo bem, consideremos isso um fato menor. Entretanto todos os quadros que tentavam ser coerentes com passado eram colocados de lado, e eu, senador Mercadante, na minha ingenuidade pensava, desse jeito qualquer hora até o senador Mercadante sai do PT e o senhor não sai. E aí eu explicava, o senador Mercadante não sai do PT, porque embora não sendo corrupto, acredita que pode mudar não só partido, mas o país a partir de dentro, mudando para um partido menor perderia a projeção necessária para liderar mudanças. Senador Mercadante, eu acreditava que o senhor quisesse liderar mudanças. Quando as denúncias do mensalão dominaram o noticiário o senhor não se manifestava, por exemplo, como o Tarso Genro, mas eu entendia o senhor era líder, ao mesmo tempo não podia se indispor com a base em São Paulo controlada pela José Dirceu, e dizia para mim mesmo, pelo menos o nome do senador não apareceu em nenhuma das denúncias, ele ainda pode ser o governador que São Paulo precisa, ou aquele que vai liderar um governo verdadeiramente de esquerda após o Lula ter feito as reformas ortodoxas que seriam necessárias. Senador, quando descobriram o seu assessor envolvido com negócios nebulosos de compra de dossiê, eu tinha a convicção que se ele fez isso foi sem o seu conhecimento. Tinha convicção que o senhor era um homem probo, preocupado com os verdadeiros interesses de São Paulo e do país e não tinha nada com aquilo.

Senador Mercadante, obrigado, obrigado por remover as minhas últimas ilusões políticas. Durante todo este período acreditei que o diga-me com quem andas que te direi quem és não se aplicava ao senhor. Agora, não dá mais. Eu agradeço que senhor tenha nos contado que o seu lado é ao lado do Renan Calheiros, e desse modo, o senhor me livrou de outra decepção, já sei que não posso votar nem esperar do senhor nada diferente do que posso esperar de Renan Calheiros ou Ideli Salvati. O senhor fez um bem enorme ao país, claro ajudar a salvar um corrupto não é algo bom, mas ao fazer isso, agora, ninguém mais poderá votar enganado ao votar em Aloísio Mercadante, saberá que estará passando um atestado de idoneidade aos Renans Calheiros da vida e que fazer política é fazer o que a senadora Ideli Salvati faz. É uma pena.

Depois deste favor que nos prestou, senador, revelando a sua verdadeira face. O senhor nos disse que queria mais investigações, mas não pelos senadores, e que vai pedir para o presidente do senado se licenciar. Bons tempos aqueles nos quais o senhor, o José Dirceu e o José Genoíno eram ávidos por investigações, não é? Era um mundo mais ingênuo. Tudo bem, este tempo não volta, então teríamos que nos contentar com o seu pedido para que Renan Calheiros se licencie da presidência do Senado já que a renúncia estaria fora de cogitação. Não faça isso, senador. Se o senhor não está disposto a levar o seu papel às últimas conseqüências, não peça que o senador Renan o faça, já sabemos que coragem, honra, não são requisitos para ser senador. O lugar de Renan Calheiros é fora do Senado e preferencialmente na cadeia. Então, senador, se o senhor não é capaz de contribuir para isso não faça nada, não desabone ainda mais a sua história, volte para o silêncio. O Renan Calheiros não me desiludiu senador, não esperava dele nada além disso, me surpreende a celeuma que a imprensa faz como se fosse uma grande novidade alguém que veio do governo Collor ficar preso neste emaranhado de denúncias (sério mesmo, o senhor acredita que eu pensava que o PT fazia oposição ao Collor? Pois é, ele é da base sustentação do governo hoje e como o senhor protegeu o Renan, quantas voltas o mundo dá, não é?), do senador Calheiros não poderia vir nada além do que está vindo, portanto a renúncia dele ao cargo de presidente do Senado ou a renúncia ao mandato de senador não me dizem nada, provavelmente o suplente será bem pior. Sabe qual renúncia faria bem ao país, senador? A sua, renunciar por ser incapaz de conviver com um congresso corrupto, renunciar por sentir-se envergonhado por trair e decepcionar os eleitores, renunciar porque o governo pelo qual o senhor lutou por anos não é o que está aí, a sua renúncia engrandeceria o Senado, a do Renan Calheiros, não. Mas o senhor não fará isso não é senador? Tudo bem, ao menos, o senhor nos mostrou qual o seu lado, e pode deixar quando alguém atacar o PT e seus membros, considerar todos corruptos, bandidos, pode deixar que não mais defenderei, dize-me com quem andas que te direi quem és. O senhor e o PT já disseram. Que pena! O PT se tornou o partido das Idelis e podia ter sido o partido dos Florestans. Num país de partidos de Agripinos, de Virgílios, de Tassos, de Renans, de Sarneys, de Malufs, bem poderíamos ter um partido de Florestans, mas preferiram as Idelis.

Darcy Ribeiro disse uma vez, que perdeu todas batalhas, mas sempre esteve do lado certo. Então com votos (sem qualquer esperança) que o senhor mude de lado, troque de companhias, subscrevo,

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Não economizem lágrimas pelo Brasil!

Bomba "atômica" ecologicamente correta

Rusia prueba una bomba con un poder de destrucción equiparable al de una nuclear

El artefacto ha sido denominado por los científicos como el "padre de todas las bombas"

AGENCIAS/ELPAIS.com - Moscú - 11/09/2007

Rusia ha fabricado la bomba de vacío más potente del mundo, con un poder de destrucción equiparable al de una bomba nuclear pero que no provoca la contaminación radiactiva del territorio adyacente, según ha anunciado el jefe adjunto del Estado Mayor de las Fuerzas Armadas rusas, coronel general Alexandr Rukshin. El arma ha sido denominada por los científicos como el "padre de todas las bombas".

Las bombas de vacío, también llamadas termobáricas (de "calor" y "presión") o de combustión, dispersan sobre o en la zona del impacto un combustible pulverizado que se mezcla con el oxígeno de la atmósfera y, al ser detonado, incinera todo lo vivo, con el efecto añadido de una onda expansiva supersónica y una altísima presión.

Destrucción total

El Canal 1 de la televisión rusa, donde Alexandr Rukshin ha hecho sus anuncio, ha mostrado unas imágenes del ensayo de la nueva bomba de vacío o termobárica, en las que se pudo ver cómo era lanzada desde un bombardero estratégico Tu-160 y descendía en un paracaídas hacia la tierra.

"Todo lo vivo se evapora literalmente. Tras esa explosión, la tierra recuerda más bien la superficie lunar, pero sin contaminación química o radiactiva", según el canal de televisión, y que "el ministerio de Defensa subraya que la fabricación de esta bomba no está reñida con ningún acuerdo militar internacional suscrito por el país, ni supone el lanzamiento por Rusia de una nueva carrera de armamentos". A pesar de todo, el presidente ruso, Vladímir Putin, ordenó el mes pasado dar un nuevo impulso al rearme y modernización militar del país como forma parte de las medidas que está tomando el Kremlin en respuesta a los planes estadounidenses de crear un escudo nuclear en el este de Europa.

Según Canal 1, la bomba rusa contiene menos explosivos que su análoga norteamericana (7,1 toneladas contra 8,2), pero la supera cuatro veces en capacidad destructiva y veinte en superficie afectada y crea una temperatura dos veces más alta en el epicentro de la explosión.

La televisión rusa ha indicado en su reportaje que los militares del Pentágono llamaron a la bomba de vacío norteamericana "madre de todas las bombas", lo que llevó a los científicos rusos a denominar a la suya "padre de todas las bombas".

Las bombas de vacío son especialmente eficaces en espacios cerrados, como los búnkers, edificios y cuevas, donde crean una gran presión y altísimas temperaturas. Según medios rusos, la URSS y Rusia han empleado bombas de vacío para destruir refugios subterráneos del enemigo en cuevas de montaña durante la invasión de Afganistán y en la guerra de Chechenia, respectivamente.

Gostaria de estar em Brasília: fora Renan!

Hoje eu gostaria de estar em Brasília para acompanhar a manifestação liderada pelo PSOL pela cassação de Renan Calheiros e acompanhar o movimento dentro do Congresso. Lamentável que a sessão será secreta, do contrário assistiria os debates na TV Senado. O José Agripino Maia não vale nada, mas gosto dos discursos dele, muito melhor que o triste Arthur Virgílio. Também gostaria de ver com qual cara-de-pau o senador Aloísio Mercadante irá aparecer. Que pena seremos todos enganados, qualquer que seja o resultado, todos sairão dizendo que votaram pela cassação.

Ser cativado em conversas virtuais e ainda sentir saudades é inadimissível, mas acontece


E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

Entrevista Gabriel Kolko

Veja no link uma entrevista do historiador militar Gabriel Kolko sobre a guerra do Iraque. A parte mais interessante é que afirma que a superioridade tecnológica e militar perde importância no longo prazo e outros fatores pesam mais para a vitória numa guerra.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Como a CIA criou condições para o golpe no Chile

No link abaixo pode-se ler, a partir de documentos oficiais do governo americano, como o jornal El Mercurio do Chile serviu de ponta-de-lança para ação da CIA no Chile com intuito de desestabilizar o governo Allende e criar condições para o golpe. Parece a imprensa de outro país, que não será citado para que não digam que sou chavista.

http://cjrarchives.org/issues/2003/5/chile-kornbluh.asp

O 11 de setembro que verdadeiramente mudou a história

Em 11 de setembro de 1973, o general Pinochet chega ao poder no Chile e mata o sonho de toda a América Latina se desenvolver e mostra a impossibilidade de sair dos marcos do atraso e do subdesenvolvimento por vias pacíficas. Salvador Allende imaginava estar criando a via chilena para o socialismo, mostrando ao mundo como era possível um partido socialista chegar ao poder e realizar as transformações sociais conservando as democracia burguesa e as instituições democráticas daí decorrentes. Salvador Allende acredita na burguesia, na lei, na legalidade, acredita que os capitalistas respeitariam as regras que eles mesmo implantaram. Salvador Allende acreditava que seguindo as regras da burguesia poderia realizar um profunda transformação social na América Latina e mostrar para a região que havia uma alternativa à via cubana para o socialismo. Pinochet provou na prática que a teoria de Allende estava errada, a burguesia só cumpre as suas regras enquanto estas regras servem aos seus interesses. Na disputa entre as concepções de esquerda, venceu Fidel Castro. Mas com Allende morreu a esperança, o otimismo que havia sido inaugurado na América Latina a partir das políticas de industrialização desde os anos 50. Com Allende morreu a ilusão do que a América Latina poderia ser algo mais do que era. Com Allende morreu o pensamento latino-americano. É impressionante o impacto da derrota de Allende sobre o pensamento social latino-americano, ele foi totalmente destruído. Uma pena!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Clássico do Grito dos Excluídos

Então como disse numa postagem anterior o clássico do Grito dos Excluídos é uma música do companheiro Zé Pinto do MST chamada "Ordem e Progresso". Vamos à letra:

Esse é o nosso país
Essa é a nossa bandeira
é por amor a essa Pátria, Brasil,
que agente segue em fileira! (bis)

Queremos mais felicidade
No céu desse olhar cor de anil
No verde, esperança sem fogo
bandeira que o povo assumiu! (bis)

Amarelo seus campos floridos
as faces agora rosadas
Se o braço da paz se irradia
Vitória das mãos calejadas (bis)

Queremos que abrace essa terra,
por ela quem sente paixão.
Quem põe com carinho a semente
para alimentar a nação. (bis)

A Ordem é ninguém passar fome
Progresso é o povo feliz
A reforma agrária é a volta
do agricultor a raiz. (bis)

"Glória a Deus nas alturas e libertade aos cativos"

Mais uma vez tomei conhecimento do tamanho da minha ignorância ao tomar conhecimento da existência da Ordem da Santíssima Trindade e da Redenção dos Cativos. É uma ordem católica fundada em 1198 com objetivo de resgatar os cativos cristãos que haviam sido capturados pelos árabes e também libertar os prisioneiros islâmicos. Deveria saber da existência dela porque ela foi responsável pelo pagamento do resgate de Miguel de Cervantes que havia sido feito prisioneiro pelos árabes em 1580. Depois também lutou contra a escravidão negra, no símbolo da ordem acima pode-se ver de um lado um escravo branco de outro um escravo negro. Hoje a principal atuação "normal" da ordem é em Madagascar, o outro trabalho normal em diferentes partes do mundo é a Pastoral Carcerária. No entanto, o trabalho mais importante se realiza no Sudão, a ordem mantém um centro no Egito para abrigar escravos que são resgatados no Sudão, ou seja, compram os escravos dos sudaneses e os levam para o Egito. É trágico pensar que um trabalho desta natureza ainda precise ser desenvolvido no século XXI. http://www.trinitarios.net/

domingo, 9 de setembro de 2007

Grito dos excluídos

Sexta-feira, 7:00hs da manhã estava na Catedral da Sé para para assistir a missa do Grito dos excluídos e a manifestação na seqüência. Então vamos às considerações:
1. Quando a missa começou e até a metade a Catedral estava praticamente vazia. Depois encheu, mas não lotou. Os Arautos do Evangelho colocam mais gente nos primeiros sábados do mês nos atos em desagravo a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus. Depois, da missa havia muito mais gente na manifestação. Comentarei depois.
2. Obviamente não esperava ver Arautos do Evangelho no local, mas havia poucos organizações religiosas identificáveis, a maioria franciscanos, inclusive a Toca de Assis. Não esperava ver ninguém da Toca de Assis já que são ligados ao movimento carismático, entretanto havia poucos se compararmos com a quantidade que circula pela região da Sé, mas estavam lá e participaram do famigerado plebiscito sobre a Vale.
3. A privatização da Companhia Vale do Rio Doce foi um erro, boa parte dos problemas que surgiram no Norte do país e descambaram para uma violência aberta decorrem desta privatização. Mas o erro já foi cometido. Os erros em geral só podem ser consertados levando-os adiante e não tentando retornar ao período anterior ao erro. Não se volta ao passado, estatizar a Vale não conserta os problemas gerados pela privatização, mas gera novos problemas. Há portanto objetivos mais importantes e mais exeqüíveis para se lutar no curto prazo há outros setores que poderiam ser estatizados ou desenvolvidos pelo Estado antes. Sinceramente, gostaria de conseguir entrar na cabeça daqueles que propuseram um plebiscito sobre a Vale para para entender de onde sai uma idéia estapafúrdia dessas, com base no que se pensa isso e especialmente se é sincero. Dizem que os sábios são os grandes incompreendidos, eu sinceramente tenho mais dificuldade para entender a ignorância.
4. Não havia nenhuma bandeira do PT. Mas o PT estava lá na linguagem da Pastoral Operária, no tratamento companheiro/companheira. A Igreja se equivoca nesse momento, se quer uma grande mobilização deveria mobilizar pela fé, não pela posição política e pela consciência política. O tratamento companheiro/companheira segrega e divide e desmobiliza os que poderiam ser motivados a participar pela fé. A Igreja progressista incorporou um erro geral da esquerda brasileira, não busca vínculo de fato com o povo, tenta é fazer o movimento inverso absorver o povo em valores e idéias que lhe são estranhas.
5. Um exemplo de como a esquerda não entende o povo brasileiro está em um dos folhetos que recebi do intitulado Partido Operário Revolucionário, nunca tinha ouvido falar e não perdi meu tempo consultando o site do TSE para saber se ele existe de direito. O POR se intitula "um partido de quadros, marxista-leninista-trotskista e membro do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional e o informativo deles é denominado "Massas". Analisemos as informações, primeiro partido de quadros não é uma expressão que devesse ser usada, porque significa um partido controlado pela cúpula, e um partido que tem um informativo chamado massas provavelmente não quer isso. Reconstrução da IV Internacional? Uma pessoa em condição intelectual normal não diz uma bobagem dessas, a IV Internacional na maior parte do tempo foi uma ficção. Pior, alguém acredita que algum partido político consegue se identificar com o povo brasileiro falando em nome da IV Internacional e se auto-denominando marxista-leninista-trotskista? Se eu tenho dificuldade de entender o que é uma partido marxista-leninista-trotskista, imaginem o povo.
6. Outra demonstração da distância entre o povo e a esquerda era a presença do PSOL, descobri que o PSOL tem militantes muito bonitas, mas que para parecerem com o povo precisam se vestir mal, acham que ser de esquerda é vestir-se como hippie. Ou seja, estão muito distantes do povo, idealizam o povo, são jovens de classe média que pensam que sabem o que o povo quer e mais acreditam que fazer parte do povo é um modo de se vestir, e não um modo de ser e pensar. De fato a esquerda agride o povo e violenta o povo quando se apresenta desta forma falsa, sendo que todos sabem que para o povo o seu modo de ser decorre da opressão, enquanto para a maioria dos militantes de esquerda não passa no máximo de uma forma de expiação, que tem data marcada para encerrar. E máximo que conseguem se igualar ao povo é em relação às roupas, porque no demais o estilo de vida da classe média, classe média alta é mantida. A balada do militante do PSOL não é a balada do povo. É uma pena.
7. A imprensa é nojenta. Havia logo na primeira fila da Igreja um morador de rua e obviamente comportando-se como morador de rua, a imprensa não parava de fotografar e filmar o coitado mesmo que tentando disfarçar um pouco para ele não se revoltar. Pela imprensa o povo é tratado como um animal no zoológico. Um dos padres (um franciscano) que estava celebrando a missa foi o único que de fato o tratou como uma pessoal normal, inclusive abraçando-o.
8. Criança é sacanagem. Houve uma apresentação músicas cantadas em guarani por crianças de uma tribo da região de Brasilândia ou algo assim. Colocando crianças lá quase me convencem do preservacionismo. No entanto, não é possível preservar as culturas indígenas e nem é correto obrigar os índios a viverem no seu modo de vida tradicional. Veja que quanto mais tentam conservá-los, mais pobres ficam. Os indígenas precisam ser tirados da pobreza e por isso precisam abandonar o seu modo de vida tradicional e devem poder escolher isso. Abandonar o modo de vida tradicional não significa abandonar a cultura indígena. Se se incorporar a outras civilizações significasse abandonar a sua própria cultura não haveria um judeu na face da terra, o judaísmo sobreviveu ao império romano, ao cristianismo. Se para preservar a cultura fosse necessário manter o isolamento, os ciganos teriam desaparecido há alguns séculos. É preciso que os indígenas se incorporem, caso queiram, e com condições de conservar a sua cultura. E os índios que quiserem manter o modo tradicional de vida? Que mantenham enquanto eles entenderem que isso é o melhor e é possível. No entanto, exceto nas tribos perdidas no meio da Amazônia que nunca entraram em contato com o homem branco isso é possível. Ora em contato com o mundo do dinheiro os índios desejarão o dinheiro, e aí o preservacionismo não passa de um mito, se a sobrevivência da tribo tiver que passar por relações mercantis significa que a cultura e modo de vida tradicional já foram destruídos e que não há nada a ser preservado. É difícil ser racional quando se vê crianças pedindo para que a sua cultura seja salva, mas quando se olha para elas se vê também que a primeira coisa da qual precisam ser salvas é da pobreza.
9. Os progressistas, provavelmente irão odiar o comentário, mas a missa parecia missa carismática com a diferença que a catarse não se dava pela ação do espírito santo, mas pelos hinos mobilizadores.
10. Padres devem se vestir de padres, porque isso aumenta a mobilização pelas razões apenas religiosas e, porque, eles não são iguais ao povo e não devem sê-lo sob o risco da irrelevância. Depois da missa, eu fiquei num canto na porta da catedral, onde pensei que poderia acompanhar a movimentação tranquilamente sem ser perturbado. Logo veio para o meu lado, um senhor baixinho, gordo, queimado de sol, já envelhecido, com um chapéu de fazendeiro já meio desgastado. E eu nem dei bola pra ele, continuei observando. Aí alguém brinca com ele, por causa do chapéu, se ele tinha mudado de lado, e outro faz a mesma piada besta, até que um outro vai fazer a mesma piada e diz pra um terceiro olha aí o nosso bispo passou para o outro lado. O sujeito ao meu lado era o bispo da Diocese de Santo André. Não havia nada, absolutamente nada nele que o identificasse como bispo, nem mesmo como um religioso. Ao fazer isso, ele aboliu o caráter mobilizador da religião, quem o seguiria por ser ele o bispo vai deixar de fazê-lo e ao mesmo tempo não coloca nada no seu lugar, porque ele estava acompanhando o pessoal da Pastoral Operária que não saia do companheiro/companheira. Exceto alguns franciscanos que vestiam os trajes de frades, os demais religiosos e religiosas praticamente não eram identificáveis, havia até monges beneditinos que de monge ali não tinham nada. Não pode ser assim, está errado, inclusive por razões bastante terrenas e políticas.
11. Além de se vestir como religiosos, os padres precisam ter mentalidade religiosa mesmo sendo progressista. Um dos padres que estavam lá no altar parecia ser a pessoa mais entediada durante a missa, não só pela cara, mas pelo comportamento, ficar em pé de braços cruzados durante toda a liturgia eucarística não tem cabimento.
12. Os discursos dos representantes dos movimentos sociais foram suficientemente singelos para serem vazios de conteúdo. Mas mostram que a desgraça do mundo moderno é a substituição das classes sociais por outras categorias com interesses apenas parciais. Estavam no mesmo ato, mas cada um ali defendia apenas o seu próprio pão. Óbvio que os organizadores não colaboram colocando a Vale como tema, mas de todo modo a fragmentação hoje parece ser uma tendência irreversível o que faz com que as classes dominantes e o estado estejam sempre mais fortes. A única coisa que une estes movimentos são teses tão genéricas e abstratas que não geram conseqüência, é preciso que a esquerda entende que ser contra o imperialismo não tem significado prático nenhum, porque isso não tem relação com as lutas e o modo de vida do povo.
13. Manifestação que é feita sem o risco da força ser utilizada contra ela é uma manifestação inútil, porque significa que foi aceita pelo poder. O fato do Lula ter mencionado o plebiscito pela estatização da Vale demonstra a fraqueza do movimento.
14. O movimento que mais levou gente foi com certeza a Educafro dos franciscanos. E logo em uma das primeiras faixas se via como precisam de educação neste país, une do verbo unir estava escrito assim Úne.
15. Cantar "eu só peço a deus um pouco de malandragem" só pode ser sacanagem do cantor. primeiro, porque sendo um movimento liderado pela Igreja não deveria cantar isso. Segundo, porque vai exatamente no contrário da lógica da mobilização, que presa pela saída coletiva e não individualista. Terceiro, porque, o problema do Brasil é a malandragem, inclusive do povo.
16. Obviamente cantaram o bom e velho Geraldo Vandré, "Pra não dizer que não falei de flores". Engraçado é que o cantor gritou "Geraldo Vandré vive" e alguém do meu lado gritou de volta "e vive mesmo, ele não morreu não", o que é verdade, ele está vivo. Mas certamente não parece. De todo modo precisamos de novas composições de protesto, e com alguma criatividade. Na verdade, eles distribuíram um folheto com as três músicas mais tocadas nos treze anos de Grito dos Excluídos, a mais tocada é do companheiro Zé Pinto do MST que se chama "Ordem e progresso", colocarei a letra da música em outro post.
17. Tinha um pessoal lá de serviço social com uma citação do código de ética da profissão que dizia que era contra o capitalismo. Se isso for verdade, se houver no código de ética um artigo que manda lutar contra o capitalismo será, com absoluta certeza, o código de ética mais inútil e tosco da história da humanidade, nem o oferecer a outra face defendido por Jesus é tão inútil.
18. Observei umas três horas e meia o movimento, mas obviamente não segui na caminhada da praça da Sé até o Monumento do Ipiranga. Diria que no final saiu umas 3 mil pessoas da Praça da Sé.
19. Todo mundo que acompanha noticiário já viu as manifestações de estudante na Coréia do Sul. Aquilo é manifestação. No Brasil, o pessoal acha que se manifestar é dançar, nunca vi uma coisa destas. Que manifestação é festa. Manifestação não é festa, está mais para marcha militar. Ao povo brasileiro em geral parece faltar a inflexibilidade necessária para mudar o país, diante da primeira ação da polícia aquela manifestação seria dispersada porque o máximo de protesto que o brasileiro se permite é dançar contra. Mobilizar é organizar tropas para luta e para isso precisa não apenas de unidade de objetivos ( o que não existia como já disse), mas também firmeza de caráter para perseverar diante das adversidades e do fracasso. Infelizmente, os brasileiros são incapazes de atuar com radicalidade (nos dois sentidos do termo) e com inflexibilidade.
20. Mais uma vez constatei que não faço parte do povo, não compartilho os problemas do povo. Uma vez um professor da Unicamp disse que ele não tinha nada a dizer sobre o que o povo queria e sobre o que o povo deveria fazer, porque ele não fazia parte do povo, nunca havia sentido fome na vida, de fato ele se orgulhava de ser de família quatrocentona de São paulo e de pagar para a empregada dele de salário um valor superior ao que recebíamos de bolsa de mestrado (na época 724 reais e ele dizia que já pagava mais do que uma bolsa de doutorado que era 1200 reais). Na época achei que era frescura apenas para ser diferente, porque todo intelectual de esquerda se considera um intérprete da vontade e das necessidades do povo. Mas quanto mais eu observo o povo, mais convicto fico que não necessariamente o que acredito ser importante para o país seja importante para o povo brasileiro.
21. A Educafro estava distribuindo um papel com e-mail de jornalistas e redação de jornais e tvs para que as pessoas enviassem mensagem criticando o Inclusp, porque a mídia racista estaria elogiando o programa (que segundo eles é um fracasso) apenas para atacar as políticas de cotas e ação afirmativa. Como sou contra a ação afirmativa e as cotas raciais ( se forem sociais considero um pouco mais aceitável, mas precisa explicar um pouco as coisas para os professores universitários neste caso) não irei mandar nenhum e-mail.
22. Outro problema dos partidos de esquerda lá era querer vender o jornal deles, um monte de gente ia pegar pensando que era de graça e se decepcionava, o do PSOL era dois reais e pouco, um da Causa Operária era R$3,50, decididamente o jornal não era para a classe trabalhadora ou ainda mais para os excluídos.
23. Outro protesto que havia lá era de um carroceiro pedindo que a prefeitura cumprisse a liminar conseguida pelo Ministério público contra a apreensão das carroças dos catadores. O que mostra que ser pobre não é fácil mesmo.
24. A Educafro tinha uma faixa pela implementação da lei 10.639 que eu não fazia idéia do que tratava, o que mostra a inutilidade de se protestar colocando o número de uma lei. Mas agora eu já sei, é sobre a disciplina de História e Cultura Afro-brasileira e Africana em todos os níveis educacionais. Eu só fico pensando em como é que isso diminui o preconceito. E de fato eles contribuíram mais para o Brasil se lutassem para que dentro da disciplina história do Brasil se enfocasse mais aspectos da história dos negros. Fora isso é apenas mais uma disciplina no currículo para ser mal aplicada. E buscando saber o que era cheguei a uma manifesto onde entre outras coisas se pede a implementação desta lei, o interessante são as organizações que assinam, das quais irei mencionar só uma, a Via Campesina. Meu deus, fora dos manifestos de esquerda, a Via Campesina existe? Eu queria saber se esta Via Campesina ainda é maoísta, mas nem irei procurar de medo de descobrir que é e ter que criticar ainda mais a esquerda.
25. Eu juro, eu quero ser de esquerda, mas a esquerda não me ajuda.

Intelectuais são working class?

Na discussão mencionada no post anterior alguém respondeu que todo marxista já se encontrou com o proletariado porque os intelectuais são working class, mas serão mesmo? O trabalho que gera valor é o único produtivo e o que a rigor define quem faz parte da classe trabalhadora. Então, nem todo trabalho assalariado é produtivo, apenas o que gera mais-valia para o capital. O trabalho intelectual ocupa uma posição dúbia, hoje o trabalho intelectual está sendo crescentemente proletarizado ao mesmo tempo que alguns supostamente acumulam capital pelo através do trabalho intelectual.

O marxismo acadêmico é marxismo?

Já mencionei a lista de discussão marxista que eu assino, este final de semana foi lançada uma discussão interessante, um membro criticou as discussões por serem pueris e criticou os marxistas americanos porque a maioria deles só viu um proletário pela televisão. E na prática a esquerda americana vive falando para o nada e acusando uns aos outros de desvios. O "dono" da lista respondeu que paga 30 dólares por mês para manter a lista para isso mesmo. Outros responderam que no "mundo real" estavam sim envolvidos com os movimentos. Mas a resposta mais interessante foi de um militante dos anos 60. Nos anos 60 ele militava no trotskismo americano, isso sim é uma minoria. Ele analisa a trajetória dele, conta que foi expulso da organização, o mais relevante é que ele conta que a organização dele era contra o Congresso Nacional Africano do Nelson Mandela por ser pequeno burguês. E isso porque a organização que ele participava era voltada basicamente para para defender os negros, o que já é questionável em termos marxistas. Mas não é só isso, ele afirma que organização estava errada naquele momento, deveria apoiar o CNA. No entanto, hoje olhando retrospectivamente o diagnóstico da organização estava correto o CNA não passava de uma organização pequeno burguesa. Outro problema que ele identificava e este concordo plenamente é como a esquerda idealiza os movimentos revolucionários, vive em busca de heróis, vejam o caso da Venezuela hoje. Discutir o marxismo não é pensar o marxismo como marxista, pensar o marxismo enquanto marxista é agir. É na práxis que o marxismo se formula e se realiza.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O orgulho?

Acho que o fato de ser mais de seis horas da manhã e eu ainda não ter dormido não me fez bem! Mas pelo menos não somos a Bolívia, temos a Amazônia, um grande território, e certamente não somos chatos como alemães, franceses, britânicos, lituanos. Não temos as armas e o poder dos americanos, mas se é para ser fraco, melhor ser o Brazil que a Polônia pelo menos podemos sonhar em ser forte. Digamos a verdade, algum dia em algum lugar do mundo alguém acordou querendo ser polonês? Sem sacanagem, alguém já sonhou em nascer na Moldávia? no Uzbequistão? no Quirquistão? Vejam que eu escolhi países bem esquisitos para garantir que não conheço ninguém, mas ainda que eu escolhesse os meus eleitos tradicionais, a resposta não seria a mesma? O Brazil é tudo o que pensamos de ruim dele com diferença que poderia deixar de sê-lo se fizéssemos alguma coisa, enquanto a maioria dos países nem com o futuro pode sonhar. E veja que a Holanda comparada ao Brazil é ótima, mas só pode ser aquilo, jamais será mais do que é, só pode decair, e aí é melhor encerrar o assunto porque decair é...
E Brazil em homenagem a todos os liberais que fizeram do Brazil o que ele é hoje, incluindo a turminha que nos governa atualmente.

O orgulho!

A vergonha!

PT é o partido mais ético?

Há alguns dias, o nosso grande presidente disse que o PT era o partido mais ético do Brasil. O que quer dizer isso? Nada. Porque em termos de ética ou se é ético ou não. Dizendo que o PT é o mais ético o presidente disse que os demais não são éticos e o PT também não, apenas tem uma folha corrida de infrações menor. Ou seja, nem o presidente tem coragem de dizer que o PT é ético. Ainda bem, pelo menos isso.

Honestidade?

Se o problema dos críticos do governo Lula é a corrupção generalizada. Por que entre as alternativas nenhum deles apresenta como candidato alguém honesto como o Itamar Franco ou o Pedro Simon? Itamar Franco foi certamente o presidente mais honesto desde de 1964, quem sabe até de todo período republicano. Ou então o senador Pedro Simon que é da Ordem Terceira de São Francisco e fez voto de pobreza? Por que sempre a alternativa ao ladrão Lula é outro ladrão como FHC, Alckmin, Serra, Aécio? O problema será mesmo com a corrupção ou preconceito contra origem social do presidente, oposição às políticas sociais? Aí para falar mal do governo dizem que a política social faz com que as pessoas não queriam trabalhar, quem deixa de trabalhar por 172 reais que o valor máximo que recebe do Bolsa Família? Só o preconceito social explica que alguém diga que o pobre prefere viver com 172 reais sem trabalhar do que ganhar mais trabalhando.

Quer dirigir uma empresa?

Dados do Conselho Regional de Administração de São Paulo dizem que 8% dos administradores dirigem empresas, 26% são gerentes. Fico me perguntando, então o que faz o resto?

Típico parágrafo marxista!

In relation to the question of the character of the state we can say that the Venezuelan state is still, in the main, a capitalist state apparatus. However, this state apparatus operates in conditions of revolution and is therefore riddled with all sorts of contradictions and has been weakened as a tool of the ruling class. And at this particular moment in time it is not under the direct control of the capitalist class, in the sense that the ruling class cannot, for now, use this capitalist state in order to impose its class rule. However, this does not mean that the state apparatus even now has ceased to be a source of sabotage and blocking of the revolutionary initiative of the masses; and if it remains untouched it will eventually become a tool for smashing the revolution. It is clear that there is certain understanding of this problem among the rank and file masses of the Bolivarian revolution and even among some layers in the leadership, but unfortunately there certainly is no clear idea of how to solve this problem.

O texto acima pode ser lido em http://www.marxist.com/challenges-facing-venezuelan-revolution050907.htm.
Faço parte de uma lista de discussão norte-americana sobre o marxismo para ficar acompanhando a que se publica no mundo com mais facilidade, o que se discute, de quem se fala mal, etc. A maior parte dos e-maisl pelo título nem abro, a lista, às vezes, é movimentada demais, pode chegar mais de 50 e-mails num dia. Num dos e-mails que abri veio este link para um texto analisando o socialismo na Venezuela. A questão que o parágrafo responde é de fato a questão pertinente, sendo o Estado sempre um Estado de classe, e sendo o Estado no capitalismo um Estado burguês e da burguesia, qualquer mudança de fato de sistema passa pela mudança no caráter de classe do Estado, a revolução só se consolida com a mudança no caráter classista do Estado ( em última instância com a abolição do próprio Estado). Perguntar sobre a natureza classista do Estado para avaliar um processo de mudança é a pergunta correta, mas é feita demais. A esquerda voluntarista tende a ver em toda ação alguma modificação no caráter de classe do Estado. O pobre Emir Sader já citado em outro post consegue ver modificações no caráter do Estado no Brasil. Mudanças de governo não mudam o caráter de classe do Estado. Eleger Karl Marx presidente da República não transforma um país em comunista nem faz com que o Estado deixe de ser o Estado capitalista. O Estado venezuelano é um Estado capitalista e continuará a sê-lo por muito tempo mesmo que Hugo Chávez seja um revolucionário. Ao invés de perguntar sobre o caráter de classe do Estado deveria ser questionado o quanto as políticas adotadas colocam em xeque o Estado capitalista e até que ponto podem ser suportadas pelo Estado capitalista, é isto que determinará o ritmo das transformações na venezuela e inclusive será o que determinará se a Venezuela poderá ser o primeiro país a passar por transformações revolucionárias por vias eleitorais. Deve-se lembrar sempre, especialmente aqueles que sonham com a revolução, que qualquer partido político que dispute eleições é porque abandonou qualquer projeto revolucionário. Participar de eleições é aceitar a regra do jogo, e fazer revolução é virar a mesa, são atitudes políticas distintas. É bastante curioso que nos dias de hoje se falarmos em social-democracia para um brasileiro quem tiver alguma noção sobre o assunto pensará no PSDB, FHC e outras mazelas que nos assombram. Mas os partidos europeus hoje social-democratas eram antes os defensores do comunismo. Marx, Lenin, Rosa Luxemburgo e demais revolucionários faziam parte dos partidos social-democratas. No início do século XX com a controvérsia Bernstein é que a social-democracia se dividiu. Bernstein diz que já não era mais preciso usar táticas revolucionárias, que o partido deveria se incorporar ao processo eleitoral e que seria vencendo as eleições que num processo de evolução natural levaria ao socialismo (exacerba assim o positivismo da II Internacional). Quando as teses de Bernstein são lançadas obviamente não forma bem-recebidas, foram condenadas por Kautsky, o grande herdeiro de Engels. No entanto, logo adiante Kaustsky receberia uma série de adjetivações nada elogiosas da parte de Lenin por ter abandonado o projeto revolucionário e aderido às teses de Bernstein. O renegado Kautsky ao fazer a opção pela domesticação da social-democracia faz com que a maioria do partido o acompanha porque ele naquele momento é a voz autorizada da social-democracia alemã, representa a interpretação oficial da obra de Marx e Engels por ter se relacionado com este último, sendo inclusive responsável pela edição das obras de Marx conhecidas como quarto volume do Capital, as Teorias da Mais-Valia. A guinada direitista gerada pela opção eleitoral é de tal ordem que a social-democracia alemã dá suporte a Alemanha na Primeira Guerra Mundial contra a posição dos radicais Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. Finda a guerra, o Kaiser é deposto e os social-democratas serão a base de sustentação da República de Weimar. Mas antes mataram Rosa Luxemburgo. Nas jornadas revolucionárias iniciadas com a derrota da Alemanha, os verdadeiros comunistas, como Rosa, agora em novo partido, tentam de fato dar um salto para o socialismo. Como em geral ocorre, os melhores morrem primeiro porque se colocam na frente front. Kautsky, Hilferding e outros marxistas (?) estavam do outro lado e ainda viveram para ver os nazistas chegarem ao poder. Mataram os revolucionários, mataram a revolução, agora não havia mais heróis para morrer por eles contra seus algozes. Como bem disse Poulantzas, os nazistas não chegam ao poder para derrotar os trabalhadores e a revolução, mas porque eles já haviam sido derrotados. Derrotados pela social-democracia que criou a República de Weimar.

Vamos todos jejuar? Pelo menos se não houver perdão da dívida haverá mais comida para os pobres!

06.09.07 - MUNDO
Pérez Esquivel faz jejum pela anulação da dívida

Adital - De hoje (6) a 15 de outubro diversas personalidades de todo o mundo se unirão em um jejum iniciado pelo Reverendo David Duncombe na cidade de Washington, exigindo ao Congresso dos Estados Unidos a aprovação de uma lei que leve a anulação da dívida externa cobrada aos países do Sul.

Como ante-sala da Semana de Ação Global contra a Dívida e as Instituições Financeiras Internacionais (IFIs), convocada por centenas de movimentos e organizações em todo o mundo de 14 a 21 de outubro, distintos líderes sociais e religiosos fazem jejum em repúdio à dominação que exerce a dívida sobre os povos empobrecidos do Sul. Entre outros, participarão da manifestação o Arcebispo da África do Sul, Njongonkulu Ndungane, sucessor de Desmond Tutu; Dennis Brutus reconhecido ativista contra o regime do Apartheid e pastores de distintas Igrejas e congregações cristãs.

Ao unir-se ao jejum, Pérez Esquivel afirmou "que não é justo pagar uma dívida imoral que atenta contra Deus e a vida de nossos povos. No lugar de gastar milhares de dólares para a destruição e a morte dos povos em guerras e conflitos em diversas partes do mundo, que paguem aos povos explorados e empobrecidos o que lhes devem, porque não somos devedores, e sim credores".

Na Argentina, se unirão ao jejum no dia 6 de setembro, além de Pérez Esquivel, o Pastor Ángel Furlan, da Igreja Evangélica Luterana Unida (IELU), Gladys Jarazo e Pablo Herrero Garisto do Diálogo 2000.

Já fizeram chegar sua adesão distintas comunidades do interior do país, Nora Cortiñas das Mães da Praça de Maio Linha Fundadora, a Hna. María Bassa, do Espaço Ecumênico, Rina Bertaccini, co-presidente do Conselho Mundial da Paz e Beverly Keene, coordenadora do Jubileu Sul/Américas, entre outros.

Durante o jejum serão convocadas as organizações de todo o país e do continente para participar da semana de Ação Global, realizando ações e atividades em suas cidades e regiões.

A semana de Ação Global contra a Dívida e as IFIs é uma resposta dos movimentos e organizações populares contra as conseqüências da dívida, pelo repúdio e a anulação das dívidas multi-laterais e ilegítimas, a promoção de auditorias integrais das dívidas e as IFIs, a transparência e o controle cidadão nos processos de anulação, o fim dos condicionamentos e as políticas neoliberais e a geração de alternativas autônomas e soberanas de financiamento.

Na quinta-feira (6), às 16 horas, na sede do Serviço de Paz e Justiça (Serpaj), Piedras 730, Adolfo Pérez Esquivel conversará com a imprensa e explicará os motivos do jejum. Quem quiser aderir poderá escrever para: semanadeuda@gmail.com.

Fonte: Jubileu Sul Américas

http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29401

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Você deixaria de trabalhar por 172 reais?

Não? Eu também não. Este é o valor máximo que uma família pode receber do Bolsa Família. Alguém deixará de trabalhar porque passou a receber 45 reais do governo? O que faz as pessoas deixarem de trabalhar no Brasil não é a política social, é a política econômica que atrasa o país. Há fraude no Bolsa Família? Claro que há, agora, porque a vagabunda da mãe da Grazi do BBB se inscreve para receber 45 reais do governo devemos acabar com os programas sociais? Devemos acabar é com as mães da Grazi. Porque não é apenas uma ilegalidade, bandidagem, é gosto, é o prazer pelo roubo e pelo desvio, um total descomprometimento com o país e e a coisa pública, um país de mães de Grazi é inviável, não há o que possa ser feito para resolver o problema.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Antes que o Corinthians volte para sua draga: Barra do Garças humilha Santos de Luxemburgo

Tenho que contar vantagem antes que o Corinthians volte para o fundo do poço e o jogador Nilton seja esquecido na sua mediocridade costumeira. O Nilton é de Barra do Garças-MT.

Era isso que deveria ter sido feito no governo FHC! A economia brasileira seria mais sólida hoje!

04/09/2007 - 12h10

Banco do Brasil confirma estudos para compra do Banco de Brasília

SÃO PAULO - O Banco do Brasil (BB) e o Banco de Brasília (BRB) confirmaram hoje a existência de estudos para que a estatal federal adquira o controle da instituição do Distrito Federal. De acordo com fato relevante publicado pelos bancos, o governo do Distrito Federal " manifestou-se favoravelmente ao início de estudos relativos à aquisição do controle acionário " do BRB pelo BB. Novas informações serão divulgadas conforme avançarem esses estudos, conclui o comunicado.


Em entrevista ao Valor Econômico em julho, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), já aventava a " fusão com o Banco do Brasil" como uma das alternativas para o futuro do BRB. Ele também mencionava três outras opções: deixar como está, abrir o capital, ou privatizar. Para Arruda, o banco é estável e equilibrado, mas corre o risco de ter o patrimônio desvalorizado após 2011, quando acaba a obrigatoriedade de os funcionários públicos do estado manterem as contas-salário na instituição.


O Bando do Brasil também está prestes a concluir a incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC). A instituição ainda poderia incorporar outros bancos estaduais e federais, como banco da Amazônia (Basa).


O BRB apresentou lucro líquido de R$ 37,5 milhões no primeiro semestre de 2007, crescimento de 22% no comparativo anual. O patrimônio líquido ao final do semestre era de R$ 326,8 milhões, apresentando crescimento de 9,62% em relação ao primeiro semestre do exercício de 2006. As receitas com intermediação financeira cresceram 18%, para R$ 406 milhões, com as operações de crédito somando R$ 333 milhões.


(Valor Online

De como sou e não sou marxista ou uma introdução ao marxismo

Meus amigos e colegas de faculdade sempre dizem para os alunos que eu sou marxista. Por outro lado, os alunos sempre estranham porque raramente menciono o marxismo e em geral não gosto de responder perguntas sobre o marxismo. Então parodiando um texto de Gilberto Freyre intitulado “Como sou e não sou sociólogo”, explicarei como sou e não sou marxista e explicar um pouco a questão e o marxismo.

1. O marxismo é uma teoria do capitalismo e visa explicar única e exclusivamente o capitalismo, mas não para fazer uma boa teoria científica do capitalismo, e sim para compreender o capitalismo, seu mecanismo de transformação, mostrar a historicidade do capitalismo, suas limitações e deste modo fundamentar a ação política para por fim ao capitalismo. Deste modo, o marxismo não é uma teoria das relações internacionais, Marx rejeitaria qualquer relação com alguém que dissesse que estava fazendo uma teoria marxista das relações internacionais, sequer reconheceria as relações internacionais como campo autônomo de estudo. Como uma teoria geral da sociedade capitalista, o marxismo não permite um estudo compartimentalizado, dividindo o econômico do político do social do cultural do internacional. Como disse Lukacs, o princípio metodológico fundamental do marxismo ortodoxo é a totalidade. A apreensão da totalidade social como única unidade de análise válida é a única ortodoxia do marxismo enquanto método. Ora, isso significa não ser possível ao marxismo falar apenas de economia, ou apenas de política, ou de algo tão indefinido quanto relações internacionais.

2. Sendo uma teoria geral da sociedade capitalista para compreender o marxismo é preciso partir do mesmo ponto que Marx, a estruturação da sociedade capitalista a partir da mercadoria e do fetiche da mercadoria, o que significa entender a teoria do valor. Nada mais distante dos cânones acadêmicos de hoje do que a teoria do valor, portanto para explicá-la é preciso um estudar prévio da economia política clássica, é preciso voltar na questão posta pelos mercantilistas e fisiocratas para explicar a especificidade da teoria do valor-trabalho de Adam Smith. E mostrar como o próprio Smith entra em contradição com a sua teoria do valor ao passar a análise da sociedade de produtores independentes para a sociedade capitalista. E como Ricardo para tentar fundamentar uma teoria do valor busca definir o valor absoluto. E mais é preciso que até este momento conseguir explicar aos alunos que valor não é igual ao preço, que os preços oscilam em torno dos valores. E preciso explicar que o lucro existe mesmo quando as mercadorias são trocadas pelo seu valor, ou seja, a troca de mercadorias de valores iguais ainda gera lucro. É preciso que isso seja compreendido para que se entenda os equívocos da teoria ricardiana do valor absoluta para compreender o caráter revolucionário da teoria marxista do valor-trabalho, para entender que Marx é ao mesmo tempo o ponto mais alto da economia política clássica e um rompimento com esta mesma economia política clássica.

3. Para compreender a teoria marxista do valor-trabalho é preciso entender que as mercadorias se trocam pelos seus valores e que a força de trabalho é ma mercadoria como outra qualquer, ou seja, o valor força de trabalho é definido pelo valor necessário para manter a força de trabalho e reproduzi-la. O que significa que o capitalista remunera o trabalhador pelo valor da força de trabalho, ou seja, não há troca desigual. No entanto, a força de trabalho é uma mercadoria especial, no processo produtivo ela reproduz não apenas o seu próprio valor, mas gera um valor excedente, a mais-valia. Mais-valia essa que é gerada no processo produtivo e é acumulado sob a forma de lucro industrial, lucro comercial, juros. E só o trabalhador produtivo gera mais-valia, o que significa que o comerciário não gera valor do mesmo modo que o capitalista industrial, que o funcionário público não gera valor. Estas categorias profissionais são trabalhadores improdutivos, e não fazem parte, portanto, do proletariado, que será o sujeito revolucionário.

4. Para compreender o marxismo é preciso compreender que o sujeito da sociedade capitalista é o capital e não o trabalhador. Entender o capitalismo é entender o que se passa com o capital. A passagem da lei do valor em lei de valorização do capital. E como nesta passagem as relações sociais de produção se tornam obscurecidas. Na sociedade capitalista, o mercado aparece como um conjunto de relações entre mercadorias, se troca uma mercadoria por outra. De fato, o que aparece como troca de mercadorias é uma relação social de produção que fundamenta a geração do valor e transformação do valor na lei de valorização do capital. O que se troca de fato é valor, trabalho acumulado, ou seja, o capitalismo vive sob o fetiche da mercadoria. Então, as fases da história do capitalismo são definidas em função do processo de acumulação de capital. A luta de classes está pressuposta, mas não está posta, ou seja, a dinâmica do capitalismo não é marcada em primeira instância pela luta de classes, mas pela lei do valor.

5. Qual o espaço da acumulação do capital? O mundo, o espaço do modo de produção capitalista. E como a política é um epifenômeno, não há espaço para uma análise autônoma do que hoje se chama de relações internacionais.

6. E a teoria do imperialismo? Em Marx não há uma teoria do imperialismo. A teoria do imperialismo é leninista. E é uma teoria ainda mais histórica do que a teoria do capital de Marx, teoria do imperialismo de Lênin é para explicar uma fase do capitalismo e não o capitalismo em geral. Além disso, é preciso que se diga que nem Marx nem Lênin, nem nenhum marxista clássica jamais foi contra o imperialismo. Ao contrário, Marx defendia a colonização britânica na índia como meio de retirar a sociedade indiana da letargia secular e viabilizar o desenvolvimento do capitalismo na região. Para Lênin, o imperialismo difunde o capitalismo e o capitalismo é progresso. Marx é um hegeliano (ainda que a seu modo) o que significa que a história da humanidade é a história da liberdade, da razão, na medida em que a história avança o homem se torna cada vez mais livre e senhor da sua própria história, é uma visão tipicamente racionalista e iluminista. Marx é um ardoroso defensor do capitalismo, porque o capitalismo libertou o homem das amarras da natureza e das amarras do feudalismo. Mas o capitalismo elimina alguns grilhões e cria outros, a propriedade privada dos meios de produção mantém o trabalhador livre (livre de todas as posses e livre para vender a sua mão-de-obra) sob o jugo do capital, é imperativo vender a sua mão-de-obra no mercado. Entretanto, o capitalismo cria as próprias bases (racionais e lógicas, não necessariamente) para a sua destruição que é o brutal desenvolvimento tecnológico, o desenvolvimento das forças produtivas permite uma organização racional da economia e da sociedade que viabiliza o fim do trabalho compulsório e da propriedade dos meios de produção. Deste modo, o fim do capitalismo é vitória da razão sobre os elementos irracionais que o capitalismo ainda preserva, o fetiche da mercadoria. O comunismo é o ápice da organização racional da sociedade. Mas este ápice só pode ser alcançado passando pelo desenvolvimento do próprio capitalismo, então não cabe impor qualquer freio ao desenvolvimento do capitalismo, nada mais anti-marxista e conservador do que tentar frear o desenvolvimento do capitalismo. O papel de tentar barrar o desenvolvimento do capitalismo não é dos marxistas e dos trabalhadores, mas da nobreza feudal. Ao contrário, os trabalhadores são aliados da burguesia contra a nobreza feudal para viabilizar o desenvolvimento capitalista. É apenas quando o capitalismo esgotou o seu caráter civilizatório que os trabalhadores e a burguesia rompem a aliança. E nisto os partidos comunistas stalinistas da América Latina dos anos 50 e 60 eram claramente marxistas e leninistas. Claro que é possível dizer que no imperialismo o capitalismo perde o seu caráter civilizatório e que, portanto, os marxistas devem lutar contra ele, mas aí seria preciso mostrar o erro dos clássicos e não como faz as esquerdas em geral que lançam libelos anti-imperialistas como se fossem tributários dos clássicos do marxismo.

7. Em Lênin, o imperialismo é uma categoria da economia e não da política. O imperialismo não é um fenômeno político, é uma relação entre o capital bancário e o capital industrial que se fundem e formam o capital financeiro. Lênin tem algumas imprecisões conceituais porque escrevia para os debates políticos sobre a revolução e não para fazer teoria científica, mas imperialismo é sempre uma categoria da economia, se explica pela economia e não pela política, por isso se diferencia do era chamado de imperialismo na época de Roma, o imperialismo de Roma é político. Hoje a maioria das análises pretensamente marxistas trata o fenômeno imperialista como político.

8. O equívoco de tratar o imperialismo como evento político reflete um erro mais geral do marxismo contemporâneo que é predomínio de concepções voluntaristas decorrentes de certas visões equivocadas do leninismo, mas especialmente de Gramsci e dos movimentos revolucionários latino-americanos, especialmente do guevarismo. Não há o que se discutir, em Marx, a política é um epifenômeno, os fenômenos essencialmente políticos refletem apenas a superfície das coisas, refletem as circunstâncias conjunturais. A política que conta é indissociável da estrutura econômica e só pode ser compreendida fazendo referência a ela, o que nem significa determinação em última instância, nem determinismo econômico, significa que a análise marxista sói se realiza na órbita da totalidade,e portanto sempre com referência a estrutura social (ainda que não definida em termos althusserianos). Ora qualquer análise da política que difira dista é uma análise burguesa e liberal. E de fato, as análises marxistas retrocederam a Marx. Isto se explica pela valorização das análises gramscianas. Gramsci revaloriza as conjunturas políticas de tal modo que praticamente suspende a análise marxiana. Ora na medida em que os movimentos revolucionários fracassam e a análise política passa a ser dominada basicamente por teóricos burgueses, os marxistas responderam com Gramsci, mas com isso mataram o marxismo. É isto que viabilizou o surgimento da excrescência que é o chamado marxismo analítico, que de marxismo só tem o nome. E as análises marxistas se tornaram indiferenciáveis de muitas análises liberais que trabalham com o conceito de grupos de interesses e não com classes sociais, tudo se reduz a um jogo de interesses que só se manifesta no tempo conjuntural nada mais distante de Marx e do marxismo clássico. O marxismo foi profundamente empobrecido. O sociólogo Emir Sader é um exemplo claro desta virada, a dissertação de mestrado dele dos anos 60 é excelente, é uma análise perfeita da posição da política em Marx e uma crítica das análises gramnscianas. Hoje o que é Emir Sader? Um grmasciano, a tese de doutorado dele nos anos 80 depois que ele retornou do exílio já é uma tese elaborada com base no conceito de hegemonia de Gramsci. A tese até é boa antecipa em 10 anos o caráter neoliberal das posições teóricas de FHC, quando FHC ainda era considerado social-democrata Emir Sader já conseguia mostrar sua guinada à direita. Mas ao longo do tempo, a análise de Emir sader foi se tornando cada vez mais gramsciana, mais presa a conjuntura e mais esquemática. Então se para ser marxista é preciso compartilhar da análise política pueril que é praticada hoje, então não sou marxista.

9. Se o lugar da política já é difícil estabelecer. Mais difícil é estabelecer ainda o lugar da teoria do valor hoje. Como demonstrar que o valor só é gerado pelo trabalho num cenário de brutal valorização fictícia do capital? Como explicar o descolamento dos preços dos seus valores? Como explicar que não há transformação dos valores em preços de produção, mas que inda assim a teoria do valor é uma categoria explicativa válida? Como explicar que a enormidade de papel que foi gasto para explicar a transformação dos valores em preços de produção, mas que os preços de produção não são os preços que vigoram no mercado, ainda são uma categoria teórica? Mas que mesmo as mercadorias não sendo vendidas pelo seu valor, não havendo transformação de valores em preços e havendo acumulação de capital em setores que não são produtivos no sentido clássico ainda assim a economia política marxista do capitalismo vigora e explica o sistema? Como explicar que a teoria neoclássica que explica o valor pela utilidade ao faz sentido, que é uma teoria subjetivista e irracional em uma sociedade em que até a moral se mede pela utilidade, a religião é utilitarista? Como é possível demonstrar que o marxismo é a mais realista das teorias, quando o apelo ao irracional vigora? Como demonstrar que a teoria marxista é a que melhor explica o capitalismo, mas é ela é uma teoria para os padrões liberais inútil? Ela serve para propor políticas públicas? Não. Serve para ganhar dinheiro? Só escrevendo livros que outros marxistas irão ler e ninguém fica rico assim. E ela é uma teoria para a revolução? Sim; ensina como fazer a revolução? Não. Diz que quem irá liderar é a revolução é o proletariado? Sim, mas diz alguma coisa sobre o que fazer caso o proletariado não queira fazer revolução? Não. O marxismo explica o capitalismo, formula as perguntas corretas sobre o capitalismo. Mas o marxismo não é um manual prático de como gerir o capitalismo ou como acabar com ele.

10. A revolução ocorre por uma crise econômica ou pela ação dos trabalhadores na luta de classes? O comunismo está inscrito no DNA do capitalismo e é inexorável ou depende da ação consciente e racional dos trabalhadores? Já que o capitalismo é histórico e necessariamente irá acabar, existe outra possibilidade de futuro que não seja o comunismo? É possível retroceder na história, não dar o salto para o comunismo é retroceder para a barbárie? As revoluções burguesas foram não-intencionais, não responderam a um plano de implantar o capitalismo, o fato da razão avançar, do racionalismo dominar significa que a revolução proletária deve ser um processo racional e consciente controlado pelo homem ou pode resultar de processos espontâneos e não intencionais? Médicos, advogados, profissionais liberais em geral, sacoleiros, manicures, bancários, entre outros não fazem parte das grandes classes sociais e, portanto, são incapazes de definir um modo de produção, mas desempenham algum papel na transformação social? Podem ser sujeitos revolucionários?

11. A teoria marxista é uma teoria humanista ou anti-humanista (estrutural)? Quem está certo Dunayveskaya ou Althusser? Rosa Luxemburgo, Stemberg ou Henryk Grossman?

12. Nada mais anti-nacionalista que o marxismo, o marxismo é a teoria do internacionalismo proletário. Sendo assim, nada mais distante de uma teoria das relações internacionais que o marxismo e aí como reduzi-la ao pueril debate entre realistas e liberais para enquadrá-la nos cânones acadêmicos? É interessante notar como Carr, um dos clássicos das relações internacionais, inclui o marxismo no interior da grande escola realista. O que é fato, o marxismo está, mas não se restringe a ela, ao contrário, é realismo que pode ser colocado no interior do marxismo in totum. Porque nada mais marxista do que o reconhecimento da lógica crua do poder. A diferença é que o realismo clássico postula esta situação como eterna por fundá-la na natureza humana, e marxismo a explica pela estrutura do sistema capitalista. O que novamente estabelece um ponto de contato com o realismo científico de Waltz, a diferença é que o sistema de Waltz só pode ser política, a política internacional é uma esfera autônoma. Enquanto no marxismo a política internacional reflete ma estrutura, mas uma estrutura que não é apenas política, mas imbricada na totalidade do social. Sendo assim, os realismos podem ser lidos como formas de reducionismos da teórica geral que é o marxismo, não sendo o inverso verdadeiro. Em relação ao marxismo, o realismo só pode ser uma teoria parcial e incompleta. Do mesmo, as diferentes teorias liberais (podem ser institucionalistas) também podem ser lidas como teorias reducionistas, tomam a aparência pelo real. A teoria liberal das relações internacionais é como a teoria econômica neoclássica, fica presa ao fetichismo da mercadoria e não é capaz de identificar as densas relações sociais que fundamentam a sociedade capitalista e deste modo reduzem o comportamento dos agentes a uma lógica de preferências determinadas exogenamente. Ora exatamente por isso é um caso particular do marxismo que explica a formação de preferências endogenamente apelando para as relações sociais de produção, para a lei de valorização do capital e para a luta de classes. É na esfera do real que as preferências (para continuar utilizando um termo liberal, mas de preferências elas não tem nada, pois não são uma escolha do agente, mas uma determinação sistêmica) são definidas. E por serem definidas na esfera do real não podem ser explicadas pela teoria utilitarista seja sofisticada versão desenvolvida pelos economistas neoclássicos, seja na versão simplificada da teoria das relações internacionais. É preciso ficar claro que o primado razão só pode ser definido em termos sociais, o que significa que ser carente de significado falar em racionalidade individual, pois o que esta de fato está se fazendo é transformando uma racionalidade sistêmica em racionalidade individual supondo que é racional todos buscarem o mesmo objetivo, quando isto só é racional do ponto de vista individual porque foi socialmente definido. O resultado é que a análise liberal/neoclássica toma por individual uma racionalidade que foi definida pelo sistema e internalizada. O indivíduo quando vai fazer terapia deve tomar aquela racionalidade como individual, do contrário a cura seria desde sempre impossível. Mas do ponto de vista da análise social deve se partir da impossibilidade da cura senão a sociedade é impossível.

13. Enfim, como teoria geral o marxismo não concorre nem com o realismo nem com o liberalismo. O marxismo só pode disputar com outra teoria geral, como desde o século XIX o pensamento burguês se colocou diante da impossibilidade de uma teoria geral, o marxismo não tem competidores no mesmo plano de análise. As teorias pós-modernas são uma alternativa ao marxismo, mas são o seu antípoda, e, portanto, não diálogo possível, o racional não pode debater com o irracional. A crise da racionalidade, a proliferação do irracionalismo e das teorias irracionais colocou o marxismo em xeque, mas não pelos seus defeitos, mas pelas suas virtudes. O marxismo ainda é ponto mais seguro de defesa contra o irracionalismo que prolifera atualmente no conjunto das ciências sociais, desde a teoria econômica (a menos irracional) até as teorias sociológicas e políticas mais irracionais. Como parêntesis, é interessante notar que pela natureza do seu objeto a difusão da irracionalidade na economia é limitada, a irracionalidade pode predominar apenas nas concepções gerais, no atacado, no varejo, a racionalidade tem que de alguma forma ser recuperada sob risco da irracionalidade das formas de acumulação capitalista contemporâneas ficarem evidentes até para os mais incautos.

14. O marxismo ainda tem ma característica que o torna enquanto teoria completamente diferente das demais, a verdade do marxismo só se comprova na história, porque é uma teoria sobre a história, sobre o movimento histórico da sociedade capitalista. Portanto, por mais, contraditório que seja, a falsidade do marxismo só se comprova no fim do capitalismo, é forma como o fim do capitalismo é encaminhado que comprova a veracidade ou não do marxismo. O marxismo nunca foi uma teoria sobre o comunismo, o que significa que o fim do comunismo não diz nada sobre a teoria marxista estar errada na análise do capitalismo. Demonstra que a maioria dos marxistas estava errada sobre o que falaram sobre o socialismo real.

15. A complexidade da teoria marxista faz com que seja necessário tempo para apresentá-la, não se faz isso em uma aula ou duas. Daí entre ensinar um mau marxismo e nada dizer sobre o marxismo, entendo que faço menos mal ao marxismo guardando o silêncio. Entre ensinar mal ou errado e não ensinar, prefiro não ensinar. Do mesmo modo, um diálogo frutífero sobre o marxismo só pode ser um diálogo culto e ilustrado, do contrário, fica-se na série de bobagens sobre luta de classes, exploração dos trabalhadores, imperialismo, etc. que se diz por aí. Adoro dizer bobagens, mas neste caso novamente prefiro o silêncio, o diálogo desinformado e simplista não gera ganhos para nenhum dos interlocutores no caso das profundas questões filosóficas que envolvem o marxismo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Mais Congresso de Defesa Nacional e tietagens intelectuais



Aí estou eu pegando um autógrafo do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães no livro "Desafios Brasileiros na era dos gigantes". Mas não consegui bajular mais o poderoso secretário-geral do Itamaraty, porque não contei com a solidariedade dos meus diletos alunos. Enquanto uma professor de Brasília tinha uma estratégia montada para agradar todos os palestrantes. Ela sempre sentava-se na segunda fila de frente para o palestrante e no fim da palestra, as quatro alunas dela que se sentavam lá no fundo desciam para serem apresentadas pela professora aos palestrantes, tirar fotos estas coisas e eu não tive esta solidariedade (felizmente, deporia contra eles depois). Não tenho uma carreira intensa de tietagem (como ex-aluna que dormia na fila para pegar autógrafo de cantores), mas tenho alguma. Quando tive aula na UnB com o Francisco Rezek de Direito Internacional Público, no dia que terminou o curso e todo mundo estava pedindo dedicatória no livro dele, eu também peguei apesar das aulas deles serem uma chatice (ou se lia o livro ou assistia as aulas, era igualzinho, até as exceções e as ironias), mas ele era um sujeito acessível apesar de parecer muito metido, quando nós inventamos de criar uma empresa júnior, eu falei com ele e ele cedeu a sala dele para este fim. Deu o maior problema com o departamento de Direito, porque ele fez isso por conta própria. Quando ele foi para a Haia, não teve jeito aí o departamento de Direito ganhou a luta. também peguei um autógrafo do Itamar Franco quando ele era presidente. Eu estava na Feira do Livro de Brasília, que ainda era grande e no Parque da Cidade (depois ela foi para o Pátio Brasil, diminuiu muito e hoje não sei onde é), quando anunciaram nos microfones a chegada do Presidente da República. Na época o Itamar estava namorando com uma oficial da Polícia Militar de Minas Gerais e aquela era uma das primeiras aparições públicas dos dois. Aí eles sentaram num banco lá e as pessoas iam conversar com ele normalmente, aí eu fui também e peguei um autógrafo dele. Em outra oportunidade, eu estava no Conjunto Nacional em Brasília, e quando saí para ir para a UnB vi que o Lula estava fazendo campanha na plataforma superior da rodoviária, era a campanha de 1994, aí também peguei um autógrafo do Lula. Na época, uma amiga ficou morrendo de inveja, acho que hoje depois deste desastroso governo já não tem inveja alguma. Na verdade, não sei nem onde está este autógrafo, ele assinou no meu caderno e não lembro se destaquei a folha depois ou não. O caderno eu tenho certeza que está guardado. Em outra oportunidade, quando o Cristovam Buarque era governador, eu estava na livraria do Chiquinho na UnB olhando os livros quando o Cristovam chegou lá para pegar alguns livros. Aí eu peguei o livro "Revolução de Prioridades" do Cristovam Buarque que estava em exposição e avisei para o Chiquinho, "estou comprando este livro, depois eu te pago" (depois que eu sai da UnB tenho certeza que ele nunca mais lucrou tanto apesar das broncas que levava), e aí pedi para o governador autografar. Ele considera este livro um dos seus mais importantes. Eu já havia lido uma parte do livro para disciplina Formação Econômica do Brasil, a primeira parte que fala sobre os equívocos da sociedade brasileira, os erros na sua formação, na verdade metodologicamente o livro que é um erro, porque sociedade não erra, não há erros históricos. Quando eu fui me formar, propus que o nome da turma fosse Theotonio dos Santos. Theotonio dos Santos é um dos formuladores da teoria dependência e se não for o cientista social brasileiro mais publicado exterior, é um deles. Como era uma homenagem a um teórico ainda vivo, meio que exigiram que já que haviam aceitado a minha sugestão, eu teria que garantir a presença dele. E como o Theotonio é uma pessoa acessível, ficou muito contente com a homenagem e se dispôs a ir por conta própria para participar da colação de grau. E aí eu exacerbei a tietagem e pedi que fizesse uma dedicatória em dois dos livros que eu tenho dele, seria vergonhoso pedir que assinasse todos os livros dele que eu tinha, então dois já eram suficientes. Depois disso, ele ainda fez parte da minha banca de mestrado.
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Congresso de Defesa Nacional: navio aeródromo São Paulo


Renato, eu, Luís Felipe, Cauê, Tamiris

Eu juro que me esforço!

Eu juro que me esforço para não ver os erros dos outros. Mas não consigo, ninguém colabora, tão logo o primeiro slide do general Santa Rosa foi projetado, eu vi o erro cometido pelo assessor e obviamente pedi para a Tamiris fotografar. Leaim o nome do Congresso e vejam se assessor não deveria ser demitido. Se foi feito por um assessor, seria capaz de jurar que foi proposital.

domingo, 2 de setembro de 2007

Paulistas saúdam a Cidade Maravilhosa a partir do porta-aviões São Paulo


Cauê, Renato e Luís Felipe
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Congresso de Defesa Nacional


Interior do porta-aviões São Paulo, onde deveriam estar os aviões.
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Congresso de Defesa Nacional

Posso garantir, a fumaça não é por equipamento obsoleto, por decadência da Marinha, mas é uma estratégia para encobrir a localização dos carros anfíbios. Foto da repórter fotógrafica Tamiris Santos.
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O Direito Internacional existe?

Ao escrever o post anterior lembrei-me do Francisco Rezek e fui procurar no Google o que ele está fazendo após ter terminado seu mandato na Corte de Haia e encontrei uma entrevista para o site Consultor Jurídico do Estadão. Os que acreditam no Direito Internacional devem lê-la, com certeza irão se entusiasmar com um ex-juiz de uma corte internacional dizendo que o único ramo do direito internacional que funciona é o comercial (e olhe lá!).

Aniversários e irmãos

Ontem, 1 de setembro foi aniversário do meu irmão Geovan. Somos em três irmãos. Eu nasci em 1974, o Geovan em 1975, e o Adriano em 1976. Dentre as estórias que a minha mãe inventa, ela diz que eu pedia um irmãozinho, mas quando o Geovan nasceu, eu reclamei porque ele era muito quieto e não servia para nada, não dava para brincar com ele. Então eu queria outro irmão, quando o Adriano nasceu, eu reclamei, porque ele não me obedecia, então eu queria que ele fosse devolvido. Realmente, é impossível existir três pessoas tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidas. O Geovan continuou sempre sendo o mais quieto especialmente na frente dos outros para ficar com fama de bonzinho. O Adriano nunca me obedeceu, ao contrário. Quando ele era pequeno torcia para eu ser reprovado na escola para conseguir me alcançar.

Régis Debray

Os intelectuais, em geral, tem um grande problema acham que podem falar sobre qualquer assunto. Poderia dar exemplos brasileiros, mas como na pesquisa sobre Michel Camdessus reencontrei Régis Debray falarei sobre ele. Debray ficou famoso pela teoria do foco, ele transformou em teoria revolucionária a ação de Fidel castro em Cuba e passou a defender que a Revolução iria ocorrer a partir de um foco revolucionário, não era necessário um amplo movimento de mobilização das massas. O foquismo foi um teoria bastante popular nas esquerdas latino-americanas nos anos 60 e 70, de fato, os movimentos de resistências armada aos regimes militares na América Latina. Anos depois, Debray se torna teórico da mídia. E agora descubro existir um relatório Debray sobre ensino religioso nas escolas francesas. Debray foi convidado a alguns anos pelo ministro da Educação da França a elaborar um relatório sobre como deveria ocorrer o ensino religioso na França. No Brasil tem um sujeito que nos anos 80 quando movimentos sociais era moda pesquisava movimentos sociais e tinha ligações com as teorias marxistas, nos anos 90 começou tratando de questões ecológicas, depois das maravilhas do mundo globalizado do neoliberalismo e por fim se tornou um ardoroso defensor da política externa de Bush. E diante da pergunta do que ele entende de fato, só se pode dizer, de nada.

Joseph Ratzinger

Acabei de ler "Jesus de Nazaré", último livro de Joseph Ratzinger, Bento XVI, excelente livro, o Papa ou o tradutor escrevem muito bem, é um livro de fácil leitura. Gostei especialmente da análise das bem-aventuranças principalmente no que se refere a "Bem-aventurados os pobres", onde o papa tenta conciliar uma leitura terrena e espiritual da salvação dos pobres. De fato, apesar de não entender muito de cristianismo e catolicismo, parodiando Lenin, eu diria que o esquerdismo não é apenas a doença infantil do comunismo, o esquerdismo é também a doença infantil do catolicismo e do cristianismo. E prometo que o próximo livro a ser mencionado aqui será canonicamente marxista.

Michel Camdessus e os pobres na porta da igreja

Depois de ter descoberto que Michel Camdessus, ex-diretor-gerente do FMI, além de católico praticante, é seguidor da doutrina social católica, pesquisei mais sobre o assunto na internet e descobri que ele dirigiu depois que saiu do FMI as Semaines Sociales de France que existem desde1904 e faz parte de um movimento chamado Campaigne pour une société plus juste (Campanha por uma sociedade mais justa) que apresentou um conjunto de 12 proposições para reformar a sociedade. Claro, são propostas reformistas, não revolucionam a sociedade ou capitalismo, mas talvez sejam as reformas possíveis ou mais ainda as reformas urgentes. Daí me surpreendi mais uma vez, concordo com Michel Camdessus. A única coisa que não me surpreende é a hipocrisia humana. E mais um site em francês: http://www.une-societe-plus-juste.org/unesocieteplusjuste
E desviando de assunto, ouvi uma senhora dizendo para o marido que os pobres ficam na porta da Igreja no fim da missa para se aproveitar, esperando que as pessoas saiam boazinhas, sentidas e dêem dinheiro para eles, ou sejam, os pobres são oportunistas. E aí eu me, se eles não puderem esperar isto neste momento quando poderão esperar? Ora, se os pobres e os desvalidos da terra não puderem contar com o coração piedoso dos cristãos, cujo Deus alertou que poderia aparecer a sua porta na forma da daqueles que são rejeitados pela sociedade, com quem os pobres podem contar? Na verdade, o desgosto pela presença dos pobres na porta das igrejas é o desgosto pela presença dos pobres em qualquer lugar com um agravante a presença do pobre na porta da igreja mostra da forma mais crua possível a hipocrisia dos ricos, e especialmente das classes médias. O espírito cristão tem um limite, e um local para se manifestar, é dentro da igreja, no momento do culto, fora dali ser cristão é impossível, mas este é um fato que ninguém quer encarar e o encontro com o pobre na porta da igreja mostra a divisão entre estes dois mundos. Segundo o Evangelho de Lucas, Jesus disse: "Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. 13Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. 14Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos".

Atenção alunos: cairá na prova!

O link abaixo é para um livro (em francês e em vários volumes) intitulado História do Tratado de Westphalia.

http://books.google.com/books?vid=0V7p4h-CkrDrECH5unE&id=Np1YdFk-0AgC&printsec=titlepage&dq=bougeant+westphalie

sábado, 1 de setembro de 2007

Islamismo na França e na Europa

Quem tem interesse na situação do islamismo na França e na Europa em geral deve visitar o site http://oumma.com/. O site está em francês.

Quem estará mandando no inferno hoje?

Uma porção de políticos viajava em um avião, quando o capeta aparece de repente e anuncia que vai derrubá-lo.

Foi um corre-corre danado. Em discursos inflamados (pra variar ), deputados declaravam que seria uma perda irreparável para o país, senadores suplicavam por compaixão, líderes se diziam injustiçados.

Mas nada disso comovia o diabo. Até que, em determinado momento, ACM pediu a palavra, levantou-se, cochichou algo no ouvido de Satã, e este último finalmente resolveu reconsiderar sua decisão, e saiu se desculpando.

Curiosos e aliviados, os políticos foram ter com ACM:

- O que foi que Vossa Excelência disse ao capeta?

- Eu disse apenas que Salvador tem prefeito, mas quem manda lá sou eu; a Bahia tem governador, mas quem manda lá sou eu; o Brasil tem presidente, mas quem manda lá sou eu..., e enfatizei: "O senhor não se iluda, quando eu morrer, vou direto para o inferno!"

http://charges.uol.com.br/piadadodia.php?idpiada=122&PgAtual=35

À espera da Aurora

Nesta sexta- feira eu li "À espera da AURORA: um cristianismo para o amanhã" de Jean Delumeau. Delumeau é um renomado historiador francês, alguns diriam que é um renomado historiador católico. Porque ele parece ser uma exceção entre os intelectuais num mundo cada vez mais laico, ele se posiciona não apenas como historiador, mas como católico, acredita de fato em Cristo e na ressurreição (como na missa de São joão Crisóstomo, ele afirma Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou). Para o meu gosto o livro é bastante singelo, excessivamente ecumênico, mas é interessante ver um intelectual respeitável defendendo um concepção religiosa, mística do mundo. De fato, a principal informação que eu extrai do livro é que o ex-diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, não apenas é um católico praticante, mas também é militante em movimentos católicos leigos. E pior não milita nos movimentos tradicionalistas e conversadores, mas em movimentos modernistas e ligados defesa da doutrina social da Igreja. Para uma TFP da vida, ou para o prof. Feliepe Aquino da Canção Nova, Michel Camdessus seria praticamente um defensor da teologia da da libertação. Sinceramente com um defensor destes, o catolicismo só pode estar com os dias contados.
Os livros de Jean Delumeau sobre o período do Renascimento e da Reforma protestante são muito bons. O livro dele sobre o milenarismo intitulado "Mil anos de felicidade" é excelente.

José de Souza Martins elogia Bento XVI! O mundo é cada vez mais incompreensível!

No correr da semana, o Papa Bento XVI divulgou ao episcopado, ao clero, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos, a sua Exortação Apostólica "Sacramentum Caritatis" sobre a Eucaristia. A Exortação retoma a riqueza de reflexões e propostas surgidas na recente Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, no intuito de explicitar algumas linhas fundamentais de atuação para despertar na Igreja novo impulso e fervor eucarístico. O longo documento tem todas as características de uma aula magistral, em que Sua Santidade convida seus discípulos, com firmeza, ao aprendizado e revalorização de regras fundantes da Igreja Católica, centrando todo o edifício eclesial no constitutivo sacramento da Eucaristia. Essencialmente, o documento é um elaborado manifesto em favor de uma volta ao sagrado.

É um documento pedagogicamente claro, atraente e interessante. Interessante, sobretudo, porque Joseph Ratzinger é o único filósofo contemporâneo cujo magistério encerra a conversão das idéias em regras de conduta, como é próprio de uma monarquia absoluta. No entanto, a combinação de reflexão aberta e de exortação tem mais o intuito de paciente correção de rumos do que de ordem impositiva que, sem dúvida, Bento XVI estava em condições de adotar. Em vários pontos da Exortação, o Papa "pede" ou "sugere" a bispos e sacerdotes que procedam deste modo ou daquele. Mas, mesmo que não queira, suas reflexões serão lidas e interpretadas como regras absolutas.

Não vamos nos iludir. O Papa personifica a multiplicidade de vontades que na Igreja se inquietam com a complicada relação entre o catolicismo e a sociedade contemporânea, "em um mundo em que ao nome de Deus vem, às vezes, relacionada a vingança ou até mesmo o dever do ódio e da violência". O convite à volta ao sagrado é, portanto, uma recusa da mescla de religião e política e suas tensões. O território do sagrado fica precisamente marcado no documento, em todos os detalhes, sem margem a qualquer interpretação alternativa. Não é, pois, surpresa que na mesma semana o Vaticano tenha proibido o jesuíta Jon Sobrino, teólogo da libertação hispano-salvadorenho. de ensinar em seminários e escolas católicas, justamente por suas idéias a respeito da humanidade de Cristo.

É evidente que o Papa reafirma valores e orientações que nunca foram abolidos nem suspensos, como é o caso do veto à comunhão dos divorciados que estejam em segundo casamento. Mas não deixa de haver sugestões de compaixão em relação aos que se afastam do padrão de família que a Igreja reconhece e aceita. E é mesmo interessante, e até intrigante, que o Papa insista na importância de valorizar e ampliar o número dos tribunais eclesiásticos que possam examinar e decidir anulações de casamentos.

Os detalhados cuidados com a ordem e o decoro na liturgia podem parecer reacionários aos olhos dos que vão ocasionalmente à Igreja, sobretudo por uma obrigação social, muito mais ao que entendem ser um espetáculo, do que propriamente ao rito sacramental, como nos casos de casamentos, batizados e funerais. Isso atinge não só os fiéis, mas também os celebrantes. Não há como não concordar com Sua Santidade quando humilde e divertidamente fala na "necessidade de melhorar a qualidade da homilia", não sem antes ter chamado reiteradamente a atenção para o fato de que o celebrante não está ali para mostrar sua pessoa, mas como sacerdote, como personificação do sagrado.

Todo o texto está claramente orientado no sentido de uma exortação pelo reconhecimento e reafirmação do espaço e dos ritos do sagrado. E esse é, sem dúvida, o seu sentido mais importante. A Exortação pós-sinodal do Papa é motivada pelo reconhecimento da banalização do sagrado e orientada inequivocamente em favor da precisa demarcação da distinção entre sagrado e profano. Ela aponta vários sinais de banalização nos próprios rituais, na música, na arquitetura, no abandono da arte religiosa. As extensas referências em favor da arte, desde a arquitetura do templo até o canto litúrgico, constituem um dos mais belos e surpreendentes aspectos desse documento. Bento XVI pensa a arte como sendo ela própria um dos momentos do sagrado, o sagrado contido na obra de arte, como referência integrante dos elementos do culto.

É no âmbito do retorno ao sagrado que o Papa pede que se distinga a hierarquia própria dos participantes do culto e revaloriza o carisma do sacerdote, justamente em função do caráter sacrificial da celebração da missa e da investidura sacerdotal na função de agente desse mesmo sagrado. Espaços do sagrado restritos ao acesso dos celebrantes ordenados reafirmam algo muito difícil de entender no mundo contemporâneo que é o fato simples de que no sagrado não há nem pode haver democracia.

As resistências gratuitas ao documento papal, divulgadas apressadamente, tentaram sugerir que se trata de manifestação de arcaico conservadorismo. Sequer levaram em conta os porta-vozes da banalização que o Papa não recomendou a obrigatoriedade do retorno ao latim e ao canto gregoriano como linguagens da missa. Ao contrário, Bento XVI apenas recomendou que, nas grandes celebrações próprias de encontros internacionais, cada vez mais comuns, seja usado o latim, como língua de comunicação universal, e o canto gregoriano como opção litúrgica universal em situações de culto que reúnam celebrantes de distintas origens culturais. Recomenda mesmo, no fundo, às novas gerações de sacerdotes que se preparem para o sacerdócio no mundo moderno, cada vez mais internacionalizado (e globalizado), aprendendo o latim e o canto gregoriano. São reiteradas as manifestações de reconhecimento da diversidade cultural e até mesmo de culto e as sugestões para que os bispos se esmerem em ter em conta a centralidade do sagrado e da tradição nas inculturações, sem desconsiderá-las. A manifestação do Papa, longe de ser conservadora e de ser uma condenação dos avanços de uma igreja atualizada, é na verdade uma espantosa manifestação de pós-modernidade.


*José de Souza Martins é professor titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo