Angola vai ajudar a construir um novo país: São Tomé e Príncipe
- 18-Sep-2009 - 16:47
O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe convidou esta semana Estados e empresas privadas a apoiarem a transformação do país numa plataforma de prestação de serviços, de negócios e de turismo para a subregião do Golfo da Guiné.
À margem do VI Encontro das Fundações da CPLP, que decorreu na quarta-feira e ontem na capital são-tomenses, Joaquim Rafael Branco disse que o “ciclo do cacau terminou”, o que levou o governo a procurar “uma nova visão” para ultrapassar “as grandes dificuldades” actuais e “iniciar um novo ciclo económico”.
Desenhando o perfil de São Tomé e Príncipe como uma economia que dependeu da produção e exportação de cacau e café nos últimos séculos, o chefe do governo defendeu que se aproveitem as mais-valias do arquipélago em termos de posição geoestratégica e sistema político consolidado, que tem “uma população amável e uma natureza generosa”.
Por outro lado, o país, que partilha a exploração de petróleo nas águas conjuntas com a Nigéria, terá em breve o estatuto de zona franca “offshore”.
Para trilhar esse caminho, onde se “perfilam todas as expectativas, das mais felizes e das que preocupam mais”, o governo de Rafael Branco conta com o apoio de parceiros essenciais – Angola e Portugal.
“São duas parcerias estratégicas que estabelecemos: com Angola em África e com Portugal na Europa, sem minimizar a importância dos países vizinhos e das relações que temos com os mais variados países do mundo”, disse.
“A relação estratégica com Angola e Portugal é fundamental, porque se baseia nos laços de história, de cultura e de identidade, aliados a uma vontade política de participar no desenvolvimento de São Tomé e Príncipe”, salientou o governante.
A mudança de ciclo económico depende também da captação de investimento privado, estrangeiro e nacional, já que prevê a construção de um porto de águas profundas, a renovação do aeroporto, investimentos para melhorar o fornecimento de energia, as telecomunicações, as infra-estruturas turísticas e na formação dos recursos humanos nacionais.
“Nos projectos principais desta nova visão para o país há lugar para os Estados e para empresas privadas”, disse, acrescentando que, ao nível institucional, Portugal apoia São Tomé e Príncipe no ensino, e das empresas, a Sonangol é “parceira importante em vários desses projectos”.
“Mas há lugar para todos os outros.
Estamos convencidos que vai haver oportunidades para empresas portuguesas, angolanas e são-tomenses na construção desse novo país, desse novo ciclo que queremos para São Tomé e Príncipe”, realçou o chefe do governo, exemplificando que vai ser uma empresa francesa a construir o porto de águas profundas.
Em São Tomé e Príncipe, um país arquipelágico de cerca de 1.000 quilómetros quadrados e com 160 mil habitantes, há empresas angolanas ou de capital misto a operar na área da banca, combustíveis, imobiliário e de transportes aéreos.
Fonte: O País
"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."
Ignácio Ellacuría
O que iremos fazer hoje, Cérebro?
domingo, 25 de outubro de 2009
São Tomé e Príncipe quer superar o ciclo do cacau, onde está o Brasil no projeto?
Revolução Bolivariana chega à África
Venezuelana Telesur vai retransmitir em português para os PALOP
- 20-Oct-2009 - 10:23
A estação de televisão estatal venezuelana Telesur prevê iniciar, em breve, a transmissão de noticiários em língua portuguesa para a Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, com parte do objectivo dos governos da África e América do Sul de impulsionar a cooperação sul-sul.
Segundo a emissora, os noticiários vão ser retransmitidos localmente através das estações de televisão públicas daqueles países, após vários acordos bilaterais, entre eles um "memorando de entendimento" entre a Telesur e a televisão da Guiné-Bissau.
Criada em 2005, com sede em Caracas, a Telesur é um canal de televisão informativo que emite em sinal livre e por satélite. Foi criada pelos governos da Venezuela, Argentina, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e Uruguai, e está especialmente orientada para a América do Sul.
Além da América do Sul, é possível ver gratuitamente a sua transmissão na América Central e Caribe, Estados Unidos, Europa Ocidental, Norte da África e parte do Oriente Médio, e também através da Internet em www.telesur.net.
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=24237&catogory=CPLP
Duas notícias sobre Timor Leste. “todos nós julgávamos que tínhamos já uma nação e agora dá impressão que nós não nos preocupamos muito com a construção dessa nação” Não parece com outro processo de independência?
Bispo de Baucau pede mais empenho na reconstrução
- 29-Aug-2009 - 13:41
O Bispo de Baucau, D. Basílio do Nascimento, lamenta que os timorenses não pareçam empenhados em construir a sua nação e critica a forte presença de militares estrangeiros no país.
Num balanço dos 10 anos de independência, D. Basílio do Nascimento disse à Renascença que Timor-Leste tem que, primeiro, criar as bases, para depois aspirar a ser um país desenvolvido.
“Tenho pena e gostaria que os responsáveis e todos os timorenses vissem agora Timor como uma nação. A impressão que tenho é que, quando Timor foi liberto, todos nós julgávamos que tínhamos já uma nação e agora dá impressão que nós não nos preocupamos muito com a construção dessa nação”, sublinha o Bispo de Baucau.
D. Basílio do Nascimento era o mais alto representante da Igreja Católica em Timor-Leste no dia 30 de Agosto de 1999, a data do referendo da independência em relação à Indonésia.
O Bispo recorda essa altura da história do país e destaca a participação da população, mas também a onda de violência ocorrida na altura.
“Isso, felizmente, já passou à história, guardamo-lo na memória e esperemos que isto sirva de alicerce a todo o timorense para que não repitamos o que aconteceu no passado”, sublinha.
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=23735&catogory=Timor%20Lorosae
As forças estrangeiras «já deviam ter saído» de Timor-Leste
- 27-Aug-2009 - 19:47
O chefe de Estado Maior das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Taur Matan Ruak, disse à Agência Lusa que nunca concordou com a presença de tropas estrangeiras no seu país e que podem partir em qualquer momento que queiram.
"Eu, general, nunca aceitei a presença internacional, porque lutei 24 anos, contando unicamente com as minhas próprias forças", afirmou Taur Matan Ruak, a poucos dias da celebração dos dez anos da consulta popular de 30 de Agosto de 1999, que conduziu Timor-Leste à independência.
"Eles [forças estrangeiras] estão aqui porque foram chamados pelo Estado de Timor e vai haver um dia que vão sair quando sentirem que já não são mais úteis", prosseguiu o responsável das forças timorenses.
Estão em Timor-Leste cerca de 750 militares australianos e neozelandeses no âmbito da Força de Estabilização Internacional, pedida pelas autoridades timorenses durante a crise institucional e de segurança em 2006, que teve envolvimento das forças armadas e da polícia, deixando vários distritos em estado de sítio e 150 mil deslocados.
"Em qualquer altura que queiram sair, que saiam. Já deviam ter saído, mas pode ser mais tarde, não há problema", disse o chefe das forças armadas timorenses, deixando claro que seguirá a orientação do poder político.
"Quem sou eu? Sou só um general sob as orientações do poder político", afirmou Taur Matan Ruak, acrescentando que a relação entre as suas forças e as estrangeiras "nunca é fácil, para dizer a verdade".
Há dez anos, Taur Matan Ruak era o comandante das Falintil e encontrava-se acantonado com cerca de mil guerrilheiros em Uai Mori, a meia-encosta da montanha do Mundo Perdido.
No dia 30 de Agosto, recorda-se de ter impedido os guerrilheiros de votar "para mostrar à Indonésia a confiança no povo e na vitória".
As acções das milícias integracionistas, apoiadas pelo exército indonésio, "não eram nada, porque aquilo que eles faziam antes do referendo era bem pior", assinalou Taur Matan Ruak
"A nossa luta não era feita na base da provocação mas dos nossos planos e nossas intenções, com objectivos bem claros", assinalou.
Afinal, "era a primeira e única vez que íamos decidir pela vitória e independência do nosso país", frisou o comandante militar.
"Os guerrilheiros sabiam e foram orientados nesse aspecto de que, no dia em que houvesse muito massacre e muita confusão, era o dia que iríamos ganhar a guerra. Não valia a pena agir de forma irracional como estavam a fazer os indonésios e milícias", explicou.
As cerca de mil mortes ocorridas no processo da consulta popular "foram um mal necessário", declarou Taur Matan Ruak.
"As últimas estatísticas apontam para 180 mil mortes (no período da ocupação da Indonésia], portanto mil entre 180 mil, por amor de Deus", disse o comandante militar, para quem é "compreensível a frustração dos indonésios, depois de 24 anos convencidos que iam vencer", frisou.
"Levaram uma bofetada, é compreensível", insistiu.
Taur Matan Ruak considerou ainda que nos últimos dez anos a liderança timorense sentiu dificuldade em cumprir a expectativa da população, e que apesar do "susto de 2006", o país está no caminho certo.
O comandante das forças armadas lembrou ainda que "a história do país nunca foi um mar de rosas", enquadrando a crise de 2006 como "mais um teste de sobrevivência" na luta pelo desenvolvimento.
"Somos capazes de enfrentar as pancadas e de projectar o país", afirmou, concluindo que "Timor não é um estado falhado".
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=23726&catogory=Timor%20Lorosae
União Africana: convenção sobre refugiados
União Africana adopta convenção
Refugiadas passam por dificuldades em campo de acolhimento no Zimbabwe
Fotografia: AFP
A União Africana (UA) adoptou, na sexta-feira, em Kampala, uma convenção inédita sobre deslocados, repatriados e refugiados, cujo objectivo é proteger as 17 milhões de pessoas forçadas a abandonar as casas em África.
“Os chefes de Estado e de Governo acabam de adoptar a Convenção e a Declaração de Kampala”, disse, à France Presse, uma porta-voz da UA, que pediu o anonimato.
“Houve algumas emendas ao projecto, principalmente depois das discussões sobre os grupos armados e a definição do seu papel. Mas os documentos foram adoptados”.
Os representantes de 46 dos 53 Estados membros da organização continental estiveram reunidos, desde quinta-feira, em Kampala (Uganda), para discutir a convenção, que deve ser ratificada por, pelo menos, 15 países africanos, para poder vigorar.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) refere que África tem 17 milhões de refugiados e deslocados internos. Os deslocados internos, 12 milhões, são a maioria.
A convenção impõe aos países signatários a obrigação de ajudar os deslocados, em particular os mais vulneráveis, como os idosos, e frisa que espera que o “documento sirva como ferramenta para prevenir deslocados forçados”.
Protecção
No ano passado, os 53 Estados membros da UA decidiram melhorar a protecção aos refugiados e deslocados.
Um diplomata africano afirmou que alguns países podem mostrar-se reticentes a ratificar uma convenção que vincula do ponto de vista jurídico.
“Os Estados são obrigados a processar penalmente as pessoas que cometerem violações graves ao direito internacional humanitário”, explicou o presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jakob Kellenberger.
“O direito humanitário internacional preocupa-se, desde o começo, com a questão dos refugiados, mas não completamente com a questão dos deslocados. Esta convenção enriquece o direito internacional, na medida em que o número de deslocados em África é muito superior ao de refugiados”, disse à France Presse o comissário de paz e segurança da UA, Ramtame Lamamra.
O CICV salientou que se trata de uma “convenção histórica”, mas adiantou que os seus “efeitos não vão ser sentidos imediatamente”.
http://jornaldeangola.sapo.ao/13/0/uniao_africana_adopta_convencao
Imigrantes como fator de instabilidade nas relações entre Angola e República Democrática do Congo
A Palavra do Director
Um grande equívoco
11 de Outubro, 2009
As relações entre Angola e a República Democrática do Congo atravessam momentos menos bons, depois da decisão tomada por autoridades daquele país de expulsar cidadãos angolanos que há mais de duas décadas fizeram do território congolês a sua segunda pátria, tendo, por isso, tratado de legalizar a sua condição e definido claramente o seu estatuto.
Mais de 16 mil é o número de angolanos até agora contabilizados que foram obrigados a deixar o Congo, numa acção em que os relatos dão conta do envolvimento de autoridades policiais na operação de identificação dos angolanos porta a porta e, até mesmo, em estabelecimentos de ensino e em hospitais, com prática de sevícias à mistura.
Decididamente uma acção inqualificável, condenável a todos os títulos, e um grande equívoco, se se atender ao facto de que a situação dos angolanos não pode ser comparada a dos cidadãos congoleses e de outras nacionalidades que Angola tem repatriado, por entrarem e se encontrarem de forma ilegal em território angolano.
A inevitabilidade das relações entre Angola e a República Democrática do Congo leva-nos a concluir, pois, que além de ter sido uma atitude não esclarecida, a expulsão dos cidadãos angolanos, longe de resolver um problema, veio criar outro. Será nos marcos do Direito Internacional que a solução vai ser encontrada e sobre o qual as autoridades congolesas fizeram tábua rasa e para o qual deviam apelar caso se sentissem, por qualquer eventualidade, lesadas.
Angola entende que partilha com os países vizinhos responsabilidades comuns, que não se compadecem com uma análise emocional do fenómeno da imigração ilegal e suas consequências múltiplas, nem tão pouco que descurem a necessidade de cada país assumir a sua quota parte na tarefa de intervir no sentido de as relações fronteiriças procurarem sempre ser qualitativamente melhores.
É ponto assente que a entrada ilegal em Angola de cidadãos congoleses e de outras nacionalidades se processa preferencial e maioritariamente, utilizando o território dos dois Congos. As rotas clandestinas e os métodos empregues foram por várias vezes denunciados pelas autoridades angolanas.
Os dados até agora trazidos a público conferem a Angola a absoluta certeza de que o combate à imigração ilegal não deve cessar e não vai cessar. Diante das informações que possui, Angola não pode assistir ao fenómeno sem que, na base do direito que internacionalmente lhe assiste, actue e impute responsabilidades aos países que porventura se vejam implicados, directa ou indirectamente, no fomento do fenómeno.
A expulsão dos 16 mil angolanos que residiam, a maior parte deles há mais de 40 anos, na República Democrática do Congo, não constitui, pois, motivo para Angola alterar a sua política em relação à imigração ilegal.
sábado, 24 de outubro de 2009
Desvalorização do dólar
El derrumbe del dólar
Muchos amigos me preguntan a menudo sobre el dólar: ¿seguriá siendo la moneda de referencia en el mundo? ¿podrá mantener Estados Unidos la supremacía económica gracias al privilegio de emitir su propia moneda? ¿y podrá seguir haciendo eso solo gracias a que sabe que la mayoría de los intercambios en el mundo la utilizan, es decir, con independencia de su situación económica? ¿podrá seguir inundando el planeta de dólares para poder seguir endeudándose así gratuitamente? No tengo tiempo de hacer un comentario más profundo sobre este tema pero como yo creo que a veces una imagen vale más que mil palabras, pues voy a poner dos y creo que la inmensa mayoría de los lectores de la web van a sacar por sí conclusiones interesantes por sí mismos.
Gráfica 1: Muestra la evolución del poder de compra del dólar a lo largo del siglo XX: ¿Creéis que el dólar podrá seguir esa evolución durante mucho tiempo más?
Gráfica 2: Evolución de la Base Monetaria (dinero en manos del público + reservas de los bancos + depósitos de los bancos en la Reserva Federal) en Estados Unidos: ¿creéis que Estados Unidos puede seguir emitiendo dinero en esta proporción gigantesca que muestra la gráfica sin provocar un caos?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Mais uma ousada proposta de integração de Hugo Chávez
Como se pode ver pela notícia abaixo, os países da ALBA introduzirão uma moeda comum. Choverão críticas e piadinhas toscas sobre o valor de uma moeda comum de Venezuela, Equador, Cuba, Bolívia, Nicarágua e similares. A chance de ser um fiasco é enorme, de todo modo é uma proposta ousada. E do ponto de vista da integração irá aprofundar significativamente a integração entre estes países ainda que não seja um retumbante sucesso a unificação monetária, porque as políticas praticadas por Chávez em relação ao petróleo com os países da ALBA poderão ser utilizadas nesta moeda. Os países da ALBA terão grande estímulo para utilizar a moeda, porque vivem em permanente escassez de dólares e para a maior parte dos membros da ALBA, o petróleo é o principal item da pauta de importações. Se puderem importar petróleo utilizando o sucre terão uma enorme economia de divisas em dólares.
É claro que a chance de não dar certo é enorme. Mas esta é uma vantagem de Hugo Chávez e a Venezuela em relação ao Lula e o Brasil, o Brasil tem muito a perder, não pode propor uma política desta natureza e fracassar. Já Chávez tem pouco a perder, pode propor várias alternativas, caso elas sejam bem-sucedidas, o espaço internacional da Venezuela se amplia, caso fracasse fica como está, pode simplesmente culpar o imperialismo, o capitalismo pelo fracasso.
BBC Brasil
Atualizado em 17 de outubro, 2009 - 21:15 (Brasília) 00:15 GMT
Países da Alba criam nova moeda para comércio no bloco
A sétima reunião de cúpula da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) terminou neste sábado em Cochabamba, na Bolívia, com a aprovação pelos nove países membros da criação de uma nova moeda para substituir o dólar no intercâmbio comercial entre as nações do bloco.
A cúpula aprovou o tratado que constitui o Sucre (Sistema Único de Compensação Regional), mecanismo que deverá substituir o dólar nas transações comerciais entre os países do bloco.
Segundo as autoridades dos países-membros, o Sucre entrará em vigor no começo do ano que vem e poderá no futuro ser adotado como uma moeda comum pelas nações do bloco.
A Alba reúne nove países com governos de esquerda da América Latina e do Caribe – além de Venezuela e Bolívia, fazem parte Antígua e Barbuda, Cuba, Dominica, Equador, Honduras (apenas o governo deposto de Manuel Zelaya é reconhecido), Nicarágua e São Vicente e Granadinas.
No começo, a adoção do Sucre não será obrigatória para todas as exportações e importações no bloco.
Apenas Bolívia, Equador, Venezuela, Cuba e Nicarágua participarão do sistema em seu início. Os outros quatro membros deverão adotar o Sucre gradualmente no futuro.
“É um passo para a nossa soberania monetária, para nos livrarmos da ditadura do dólar, que o império ianque impôs ao mundo”, disse Chávez, que propôs a criação do novo sistema em novembro do ano passado, durante o auge da crise econômica mundial.
O nome do novo mecanismo é também uma homenagem ao venezuelano Antonio José de Sucre, um dos comandantes das batalhas pelas independências dos países sul-americanos no século 19.
Sanções a Honduras
Os membros da Alba também aprovaram sanções econômicas contra o governo de fato de Honduras.
Mas eles não conseguiram chegar a um acordo em relação à proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de formar uma “aliança militar defensiva”.
Segundo Chávez, a aliança seria necessária para conter “as ameaças do império”.
“Por que não? Quem pode proibir a nós, países soberanos, de fazer uma aliança militar defensiva e trocar soldados, oficiais, treinamento, equipamento e logística?”, afirmou o venezuelano.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, que presidia a reunião, se declarou contrário à adoção de uma “resolução acelerada” e pediu mais estudos sobre o tema.
A cúpula acabou aprovando a criação de um comitê com o objetivo de “definir uma estratégia de defesa conjunta”.
Ironias a Obama
O discurso político durante o encontro foi contundente em reafirmar, sobretudo, a vocação socialista do bloco e ao acusar "o imperialismo e a direita" de tramar contra a Alba por meio do golpe em Honduras e da presença militar americana na Colômbia.
O presidente do Equador, Rafael Correa, pediu aos países do bloco que fiquem “muito atentos” porque, em sua opinião, “há uma restauração da direita” na região.
Honduras foi representada na cúpula por Patricia Rodas, chanceler do governo deposto.
Também compareceram à reunião em Cochabamba observadores de Uruguai, Paraguai e Rússia.
Durante a cúpula, Chávez também foi irônico com a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a quem pediu que faça jus à premiação suspendendo o embargo comercial a Cuba.
Em todas as vezes que citou o presidente americano, Chávez se referiu a ele, entre risos, como “Obama, Prêmio Nobel da Paz”.
O presidente venezuelano afirmou que o único merecedor de um reconhecimento semelhante seria seu colega boliviano, Evo Morales.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091017_alba_cupula_rw.shtml
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Qual a lógica de se estatizar um hotel?
Qual a lógica de se estatizar um hotel? O Hugo Chávez se perde em decisões radicais, que são apenas isso radicais, mas não tem nenhum significado, nem mesmo simbólico. Estatizar um hotel serve para quê? Vai desenvolver o país? Não! Vai tornar o Estado mais poderoso? Não! Vai acabar com a pobreza? Não! Vai aproximar mais o país do socialismo? Não!Apenas aumenta a oposição e as críticas ao governo sem que gere qualquer benefício. É preciso ter um pensamento estratégico. Ainda que o hotel fosse baluarte da oposição, a decisão não faz o menor sentido. A oposição deve ser vencida nas ruas e nas urnas.
13/10/2009 - 15h54
Hugo Chávez decreta expropriação do Hotel Hilton na Venezuela
Da AFP
De Caracas
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decretou a "aquisição forçada" do complexo hoteleiro Margarita Hilton & Suítes, no estado de Nova Esparta (nordeste), onde foi realizada recentemente a cúpula África-América do Sul, publicou o Diário Oficial desta terça-feira.
A ordem diz respeito a mais de 89.000 metros quadrados do hotel Hilton Margarita, na ilha do mesmo nome, com 280 quartos e 210 suítes, um cassino, lojas, restaurantes, escritórios e salões, assim como a Marina adjacente, com superfície de 26.000 metros quadrados, propriedades da empresa Inversiones Pueblamar y Desarrollos MBK.
Os bens serão transferidos à empresa estatal Venezuelana de Turismo (Venetur), ligada ao ministério de Turismo.
O Estado venezuelano já havia adquirido o Hotel Hilton em Caracas que, posteriormente, rebatizou como Hotel Alba, em referência à Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), bloco regional impulsionado por Venezuela.
Nos últimos quatro anos, a Venezuela empreendeu a nacionalização de setores considerados estratégicos como os de eletricidade, cimento, siderurgia, petróleo e bancário.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Onde vai parar o conceito de economia nacional?
São Paulo, segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Fundo árabe compra fatia no Santander Brasil
Aabar Investments, de Abu Dhabi, comprou US$ 328 mi em papéis na maior oferta de ações do ano
DA REDAÇÃO
DA REPORTAGEM LOCAL
O fundo de investimentos Aabar Investments, com sede em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, comprou US$ 328 milhões em ações vendidas na semana passada na oferta global de ações do Santander Brasil, a maior operação do tipo feita neste ano no mundo e que levantou R$ 14,1 bilhões (US$ 8,1 bilhões).
O Aabar Investments pertence majoritariamente ao fundo estatal International Petroleum Investment, que é controlado pelo governo de Abu Dhabi, e deverá ficar com cerca de 0,65% do capital da unidade brasileira do banco espanhol. A participação foi comprada por meio de ADRs (recibos de ações brasileiras negociadas nos EUA) emitidos pelo Santander.
A oferta de ações do Santander aconteceu simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo a Bolsa de Nova York, os investidores americanos ficaram com 60% das ações ofertadas, enquanto aos brasileiros restaram apenas 40% dos papéis para negociar na BM&F Bovespa.
Os investidores institucionais, a maioria fundos de pensão e de investimentos nacionais e estrangeiros, levaram 85% dos papéis ofertados, enquanto os investidores pessoa física ficaram com apenas 15%.
A dispersão dos papéis ocorreu dessa forma porque os coordenadores da operação -os bancos Crédit Suisse, Bank of America Merrill Lynch e o próprio Santander- acabaram priorizando os papéis nos mercados em que houve maior demanda. A oferta de ações do Santander foi a primeira grande operação desde a reabertura do mercado de ações brasileiro, em 2004, que permitiu aos investidores estrangeiros participarem sem ter de trazer novos recursos para o Brasil.
Diversificação
A iniciativa do fundo de Abu Dhabi se insere em um processo de diversificação de investimentos dos fundos controlados pelos governos de grandes produtores de petróleo, que vêm dando mostras de recuperação após a crise econômica internacional.
Os países detentores desses fundos têm muito dinheiro em caixa, proveniente de anos de alta no preço do petróleo, e buscam alternativas de investimento para suas economias, que são excessivamente dependentes da venda de combustíveis fósseis.
Nos últimos meses, o Aabar comprou 9,1% da montadora alemã Daimler, fabricante dos carros da Mercedes-Benz, e 32% da empresa de turismo espacial Virgin Galactic.
O fundo também adquiriu a divisão suíça de private banking (gestão de fortunas) da AIG (American International Group), seguradora que teve aporte de mais de US$ 90 bilhões do governo dos EUA para não quebrar em 2008. Sob controle do fundo árabe, a unidade recebeu o nome de Falcon Private Bank.
No sábado, outro fundo estatal da região do golfo pérsico, o Qatar Holding, controlado pelo governo do Qatar, elevou sua participação a US$ 559 milhões e tornou-se o maior acionista da Songbirds Estate, companhia imobiliária proprietária de grande parte do distrito financeiro londrino de Canary Wharf.
Tristeza evolutiva
São Paulo, domingo, 11 de outubro de 2009
Tristeza evolutiva
Dupla defende que depressão é traço positivo moldado pela evolução
Aristóteles notou que grandes pensadores costumam ter índole depressiva
DA REPORTAGEM LOCAL
Nos levantamentos epidemiológicos sob critérios da Associação Psiquiátrica Americana, tipicamente cerca de 17% das pessoas acabam sendo diagnosticadas com depressão em algum momento de suas vidas. O número é razoavelmente constante na maior parte dos EUA e onde quer que o método seja reproduzido. Para muitos cientistas, isso revela uma entre duas coisas: ou uma epidemia de tristeza, ou uma falha no sistema diagnóstico.
Em um artigo na última edição da revista "Psychological Review", da Associação Psicológica Americana, uma dupla de cientistas elenca uma série de evidências em favor da segunda hipótese. J. Anderson Thomson e Paul Andrews, da Virginia Commonwealth University, adotam a perspectiva da psicologia evolutiva para investigar o que Darwin e a teoria da evolução teriam a dizer sobre episódios de depressão.
"Acreditávamos que dificilmente um traço tão prevalente na população poderia ser considerado doença", disse Andrews à Folha. Apresentando um arsenal de referências a estudos de genética, neurociência e farmacologia (e literatura das psicologias cognitiva, comportamental e clínica), a dupla chega a uma conclusão: "a depressão é uma adaptação que evoluiu para analisar problemas complexos".
Andrews explica que a literatura científica dá apoio à ideia de que a depressão induz pessoas a pensarem de maneira analítica e "ruminativa", o que as ajuda a solucionar problemas complexos. O benefício do sofrimento melancólico seria o aumento da capacidade de lidar com a desgraça que o causou. "Dilemas sociais são particularmente fortes em sua capacidade de induzir depressão."
Não é uma ideia propriamente nova, reconhece Andrews, lembrando ela remonta à Grécia Antiga. "Aristóteles notou que grandes pensadores com frequência tinham uma personalidade de tendência depressiva", afirma. O psicólogo diz esperar que seu extraordinário corpo de evidência "biológica", porém, comova os psiquiatras mais do que os textos da Antiguidade Clássica.
Contra o diagnóstico
Outro livro lançado neste mês que ataca o modo como psiquiatras têm lidado com a depressão é "Doctoring the Mind" (Medicando a Mente), de Richard Bentall, psicólogo clínico da Universidade de Bangor (Reino Unido).
O britânico, que diz não ser "contra drogas" por princípio, reconstrói uma história da psiquiatria apontando como a teoria vigente sobre depressão e seus protocolos de tratamento farmacológico foram moldados mais pelos fracassos do que pelos sucessos dessa disciplina.
Questionado sobre se os psicólogos não deveriam construir seu próprio manual de diagnósticos como reação, Bentall dá de ombros. "Não precisamos de coisas como o DSM", diz. "Minha abordagem é pôr o foco em cada sintoma das pessoas, em vez de tentar dar um diagnóstico que abarque todos eles."
Convencer os planos de saúde privados disso, porém, é um problema, admite o psicólogo. E a pressão da indústria farmacêutica sempre vai existir.
Para ele, o grande desafio agora é transformar o debate corporativo em um científico. Segundo ele, há algum motivo para otimismo, já que o panorama acadêmico de "batalha" entre psiquiatras e psicólogos já não é tão real. "Conheço alguns psiquiatras que concordam com minhas ideias, e conheço alguns psicólogos que não." (RG)
LIVRO - Doctoring the Mind Richard Bentall; New York University Press; 384 págs. US$ 30
LIVRO - The Emperor's New Drugs Irving Kirsch; Bodley Head; 230 págs. US$ 19
domingo, 11 de outubro de 2009
Resistimos o suficiente? É possível passar para a próxima etapa?
João Manuel Cardos de Mello escreveu em 1992: “É claro que há alternativa ao neoliberalismo que não seja nem o “desenvolvimentismo” fora de época, nem o fundamentalismo. Mas não tem cabimento propor novas utopias (quais?) quando a História frustrou a realização dos velhos sonhos. Penso que só nos resta defender a Nação dos efeitos destrutivos da crise e ir preparando com paciência e determinação, as condições para que, no futuro, possamos incorporar plenamente os resultados econômicos e sociais da Terceira Revolução Industrial.”
De John Negroponte, diplomata americano conservador
FOLHA - Mas o sr. não acha que vai ser prioridade, acha?
NEGROPONTE - Quando meus amigos me perguntam "meu país é prioridade?", eu respondo: "Tenha cuidado em relação à lista em que você quer estar". Na lista com Iraque e Afeganistão e Irã? Não! Obama reconhece a importância da América Latina e uma das coisas importantes que ele pode fazer é ter diálogos.
A China e o dólar
El problema de China con el dólar
Kenneth Rogoff
CAMBRIDGE -- ¿Cuando comprenderá China por fin que no puede acumular dólares eternamente? Ya tiene más de dos billones. ¿De verdad quieren los chinos permanecer sentados sobre cuatro billones de dólares dentro de otros cinco o diez años? Cuando el Gobierno de los Estados Unidos tiene la mirada puesta en los costos a largo plazo del rescate financiero, además de aumentar inexorablemente los costos de los subsidios, ¿no deberían preocuparse los chinos por una repetición de la experiencia de Europa en el decenio de 1970?
Durante los decenios de 1950 y 1960, los europeos amasaron una cantidad enorme de letras del Tesoro de los EE.UU. para intentar mantener unos tipos de cambio fijos, de forma muy parecida a lo que ha hecho China actualmente. Lamentablemente, la capacidad adquisitiva de los dólares de Europa se redujo en gran medida durante el decenio de 1970, cuando los costos de la guerra de Vietnam y un repentino aumento de los precios del petróleo contribuyeron en última instancia a un desastroso aumento de la inflación.
Tal vez los chinos no deban preocuparse. Al fin y al cabo, los dirigentes del mundo que acaban de reunirse en la cumbre del G-20 celebrada en Pittsburgh han dicho que adoptarán todas las medidas necesarias para impedir que semejante cosa vuelva a suceder. Un pilar fundamental de su estrategia de prevención es el de reducir los “desequilibrios mundiales”, eufemismo para referirse al enorme déficit comercial de los EE.UU. y los correspondientes superávits comerciales de otros países, en particular China.
La de que los dirigentes mundiales reconozcan que los desequilibrios mundiales son un problema enorme es una buena noticia. Muchos economistas, incluido yo, creen que la sed de capital extranjero que tienen los Estados Unidos para financiar su orgía de consumo desempeñó un papel decisivo en la formación de la crisis. El dinero barato procedente del extranjero alimentó una estructura reguladora y supervisora financiera ya frágil que, más que efectivo, lo que necesitaba era disciplina.
Lamentablemente, ya hemos oído a los dirigentes –en particular los de los EE.UU. – afirmar en momentos anteriores que reconocían el problema. En el período anterior a la crisis financiera, el déficit exterior de los EE.UU. estaba absorbiendo hasta casi el 70 por ciento de los fondos excedentes ahorrados por China, el Japón, Alemania, Rusia, Arabia Saudí y todos los países con superávits por cuenta corriente combinados, pero, en lugar de adoptar medidas efectivas, los EE.UU. siguieron engrasando las ruedas de su sector financiero. Los europeos, a los que se pedía que mejoraran la productividad y aumentasen la demanda interna, reformaron sus economías a un ritmo muy lento, mientras que China mantuvo su estrategia de crecimiento basada en la exportación.
Fue necesaria la crisis financiera para frenar el tren de los préstamos recibidos por los EE.UU.: el déficit de los EE.UU. por cuenta corriente se ha reducido ahora a tan sólo el 3 por ciento de sus ingresos anuales, frente a casi el 7 por ciento hace unos años, pero, ¿durará la nueva moderación de los americanos?
En el momento actual, en que el Gobierno de los EE.UU. intenta sacar a los mercados financieros un enorme 12 por ciento de los ingresos nacionales (1,5 billones de dólares, más o menos), los préstamos extranjeros seguirán siendo excesivos, salvo que hubiera un aumento repentino de los ahorros de los consumidores y las empresas de los EE.UU. De momento, el sector privado de los Estados Unidos cuenta con un superávit suficiente para financiar el 75 por ciento, aproximadamente, del voraz apetito gubernamental, pero, ¿cuánto tiempo durará la frugalidad del sector privado de los EE.UU.?
Cuando se normalice la economía, el consumo y la inversión se reactivarán. Cuando así sea –y suponiendo que el Gobierno no se apriete el cinturón de repente (no tiene un plan creíble para hacerlo)–, es muy probable que el apetito de fondos extranjeros por parte de los Estados Unidos reaparezca con fuerza.
Naturalmente, el Gobierno de los EE.UU. afirma que quiere frenar los empréstitos, pero, suponiendo que la economía tarde al menos uno o dos años más en salir de la recesión, resulta difícil ver cómo podrá cumplir su promesa de Pittsburgh.
Sí, la Reserva Federal podría endurecer la política monetaria, pero no se preocupará demasiado por la próxima crisis financiera, mientras se prolonguen las secuelas de la actual. En nuestro nuevo libro This Time is Different: Eight Centuries of Financial Folly (“Esta vez es diferente. Ocho siglos de locura financiera”), Carmen Reinhart y yo llegamos a la conclusión de que, si una enseñanza se desprende de las crisis financieras, es la de que sus secuelas tienen una larga cola.
Cualquier cambio real a corto plazo debe proceder de China, que será quien cada vez tendrá más que perder de un desplome del dólar. Hasta ahora, China se ha fijado en los mercados exteriores a fin de que los exportadores puedan lograr las economías de escala necesarias para mejorar la calidad y ascender por la cadena de valor, pero no hay razón, en principio, para que los planificadores chinos no puedan seguir el mismo modelo al reorientar la economía hacia una estrategia de crecimiento más impulsado por la demanda interna.
Sí, China debe fortalecer su red de seguridad social y afianzar los mercados internos de capital antes de que el consumo pueda despegar, pero, como el consumo representa el 35 por ciento de la renta nacional (¡frente al 70 por ciento en los EE.UU.!), hay mucho margen para que aumente.
Los dirigentes chinos comprenden claramente que su acopio de letras del Tesoro es un problema. De lo contrario, no estarían pidiendo públicamente al Fondo Monetario Internacional que proponga un substituto del dólar como divisa mundial.
Tienen razón para estar preocupados. Una crisis del dólar no está a la vuelta de la esquina, pero no cabe duda de que constituirá un enorme riesgo a lo largo de los diez próximos años. China no quiere quedarse con una bolsa de cuatro billones de dólares, cuando llegue dicha crisis. Corresponde a China ponerse a la cabeza del programa posterior a Pittsburgh.
Kenneth Rogoff, ex economista jefe del FMI, es profesor de Economía y Políticas Públicas en la Universidad de Harvard.
Ignorar a história é um problema e não só na economia
Los muchachos anti-historia
J. Bradford DeLong
BERKELEY – Si le preguntaran a un historiador económico moderno como yo por qué el mundo actualmente es víctima de una crisis financiera y una profunda depresión económica, diría que es el último episodio en una larga historia de burbujas, colapsos, crisis y recesiones similares que se remontan al menos a la burbuja de la construcción del canal de principios de los años 1820, la quiebra de Pole, Thornton & Co en 1825-1826 y la subsiguiente primera recesión industrial en Gran Bretaña. También hemos visto este proceso en funcionamiento en muchos otros episodios históricos -en 1870, 1890, 1929 y 2000.
Por alguna razón, los precios de los activos se desestabilizan y suben hasta alcanzar niveles insostenibles. A veces los culpables son los pésimos controles internos en las firmas financieras que recompensan en exceso a los subordinados por asumir riesgos. A veces la causa son las garantías gubernamentales. Y a veces es simplemente una larga racha de buena suerte, que deja al mercado en manos de optimistas poco realistas.
Luego llega la crisis. Y cuando esto sucede, la tolerancia al riesgo se derrumba: todos saben que existen inmensas pérdidas no percibidas en los activos financieros y nadie sabe a ciencia cierta dónde están. A la crisis le sigue una fuga a la seguridad, que a su vez es seguida por una profunda caída de la velocidad del dinero mientras los inversores acaparan efectivo. Y esa caída de la velocidad monetaria trae aparejada una recesión.
No voy a decir que éste es el patrón de todas las recesiones; no lo es. Pero sí diré que es el patrón de esta recesión, y que ya antes hemos estado aquí.
Pero si le formulan la misma pregunta a un macroeconomista moderno -por ejemplo, el extremadamente brillante Narayana Kocherlakota de la Universidad de Minnesota-, descubrirán que dice que no sabe, y que los modelos macroeconómicos atribuyen las recesiones económicas a diversas causas. La mayoría, señala, "se basan en alguna forma de grandes movimientos trimestrales en la frontera tecnológica. Algunos tienen shocks colectivos a la utilidad marginal del ocio. Otros modelos tienen grandes shocks trimestrales a la tasa de depreciación del capital social (para generar altas volatilidades en los precios de los activos)…"
Esto es, las recesiones son el resultado de un gran olvido del conocimiento tecnológico y organizacional, de una gran vacación en vista de que los trabajadores de repente desarrollan un gusto por el ocio adicional o de una gran oxidación a medida que se acelera la velocidad a la que el oxígeno se correo, reduciendo el valor de las cosas grandes hechas de metal.
Pero los macroeconomistas modernos también dirán que todos estos modelos les parecen historias inverosímiles que no deben tomarse en serio. De hecho, según Kocherlakota, nadie realmente cree en ellos: "Los macroeconomistas los utilizan exclusivamente como atajos convenientes para generar los niveles requeridos de volatilidad" en sus modelos matemáticos.
Esto me lleva a formular dos preguntas:
Primero, ¿es realmente cierto que nadie cree estas historias? Ed Prescott de la Universidad del Estado de Arizona efectivamente cree que las recesiones de gran escala son causadas por episodios a nivel de toda la economía de un olvido del conocimiento tecnológico y organizacional que apuntalan la productividad total de los factores. Una excepción es la Gran Depresión que, según Prescott, fue causada por salarios reales que excedían en mucho los valores de equilibrio, debido a las políticas extraordinarias pro-trabajadores y pro-sindicatos del presidente Herbert Hoover.
De la misma manera, Casey Mulligan de la Universidad de Chicago realmente parece creer que las grandes caídas en la relación empleo-población deben considerarse como "grandes vacaciones" -y como el efecto colateral de políticas gubernamentales destructivas como las que están vigentes hoy, que llevan a los trabajadores a abandonar sus empleos para obtener mayores subsidios del gobierno a fin de refinanciar sus hipotecas (lo sé, yo también lo encuentro increíble).
Segundo, más allá de si los macroeconomistas modernos atribuyen nuestras dificultades actuales a causas que son "evidentemente poco realistas" o simplemente se declaran ignorantes, ¿por qué tienen una opinión tan diferente de la que tienen los historiadores económicos? Más allá de si han rechazado nuestras interpretaciones y entendimientos o simplemente han construido o dejado de construir los suyos por ignorancia de lo que nosotros hemos hecho, ¿por qué no usaron nuestro trabajo?
La segunda pregunta es particularmente perturbadora. Después de todo, la teoría económica debería ir de la mano de la historia económica. La teoría es historia cristalizada -no puede ser otra cosa-. Alguien observa algún caso instructivo o alguna regularidad anecdótica o empírica, y dice: "Esto es interesante; construyamos un modelo en base a esto". Después de la cristalización inicial, la teoría, por supuesto, se desarrolla de acuerdo con sus propios imperativos y procesos intelectuales, pero la semilla de la historia todavía está allí. ¿Qué pasó con la semilla?
Esto no quiere decir que la construcción de modelos macroeconómicos de la generación pasada haya sido inútil. Pero sí pienso que es necesario reunir a los macroeconomistas modernos, so pena de perder el trabajo, y enviarlos a un campamento de entrenamiento de reclutas un año entero con los historiadores monetarios reunidos del mundo como sus sargentos de instrucción. Necesitan escuchar y aprender de Dick Sylla sobre el rescate bancario de Alexander Hamilton de 1825; de Charlie Calomiris sobre la crisis de Overend y Gurney; de Michael Bordo sobre la primera quiebra de los hermanos Baring; y de Barry Eichengreen, Christy Romer y Ben Bernanke sobre la Gran Depresión.
Si los macroeconomistas modernos no vuelven a conectarse con la historia -si no toman conciencia de dónde se cristalizaron sus teorías y cuál es el objetivo de la tarea-, entonces su profesión se marchitará y morirá.
http://www.project-syndicate.org/commentary/delong94/Spanish
Crise da indústria automobilística
Alemania tira de Europa a golpe de ayudas
El pasado mes de julio, Seat incremento un 71,7% las entregas de automóviles en Alemania, en relación con el mismo mes del año anterior; especialmente de su modelo superventas , el Ibiza, gracias a la ayuda del Gobierno federal para comprar un coche. Pocos ejemplos resultan tan gráficos para ilustrar el beneficio que están teniendo los numerosos planes gubernamentales para estimular el mercado de automóviles en todo el mundo. Y para darse cuenta de la dependencia de la industria española del exterior.
Probablemente, el país germano es uno de los grandes ganadores de esta crisis. No sólo porque sus fabricantes de referencia -Volkswagen, BMW y Daimler- siguen, de momento, lo suficientemente sólidos como para aguantar la crisis y porque Opel está encontrando allí un buen refugio. También por el decidido impulso a la industria, gracias al plan más potente de ayudas, de 5.000 millones de euros, ya finalizado.
La medida ha funcionado: Alemania acumuló hasta septiembre un aumento de las matriculaciones del 26%. Mientras las marcas alemanas incrementaron un 18% sus ventas interiores, las no alemanas lo hicieron en un 50%. ¿Generosidad o negocio? Los coches franceses, italianos y españoles están llenos de piezas alemanas y las fábricas, de su maquinaria. Ayudando se ayuda.
En Francia, PSA (Peugeot-Citroën) y Renault tienen serias dificultades, por lo que el Gobierno de Nicolas Sarkozy les ha inyectado a cada uno 3.000 millones de euros. El país vecino tampoco ha escatimado esfuerzos con las ayudas al achatarramiento de vehículos.
La patronal europea, Acea, advierte que la mayoría de planes nacionales se han agotado o están a punto de hacerlo, por lo que reclama a los gobiernos que los mantengan. "Las economías todavía están conectadas a una máquina que les mantiene las constantes vitales y la ayuda adicional sigue siendo necesaria", explica el secretario general de Acea, Ivan Hodac.
En España, el presidente de Anfac, Francisco Javier García Sanz, también considera "muy necesaria" la renovación del Plan 2000E, ante su éxito e inminente finalización. Según la patronal española, las ayudas han permitido crear una demanda adicional de turismos de entre 80.000 y 90.000 unidades.
http://www.elpais.com/articulo/economia/industria/automovil/encoge/elpepueco/20091011elpepieco_1/Tes
Los olvidados del Nobel
Los olvidados del Nobel
Ni Mendeleyev ni Gandhi ni Tolstói recibieron el premio - La selección implica a 6.000 expertos, y la Academia prefiere omisión a escándalo
JAVIER SAMPEDRO 11/10/2009
¿Qué premio Nobel explicó la física cuántica de la radiactividad, postuló la versión moderna del Big Bang, propuso que las estrellas brillan por reacciones termonucleares y descubrió el concepto de código genético? Ninguno. La persona existió -se llamaba George Gamow-, pero no recibió el premio.
¿Qué premio Nobel explicó la física cuántica de la radiactividad, postuló la versión moderna del Big Bang, propuso que las estrellas brillan por reacciones termonucleares y descubrió el concepto de código genético? Ninguno. La persona existió -se llamaba George Gamow-, pero no recibió el premio. Ni el de física ni el de medicina.
Tampoco lo recibió Dmitri Mendeleyev, cuya tabla periódica decora las escuelas de todo el mundo; ni Oswald Avery, que demostró que el ADN es la molécula portadora de la información genética; ni Lise Meitner, descubridora de la fisión nuclear; ni Julius Lilienfeld, creador del transistor; ni George Zweig, codescubridor de los quarks. Es sólo el arranque de una larga lista de ilustres no premiados nunca con un Nobel de ciencias.
Y fuera de las ciencias es peor aún. El pacifista más célebre del siglo XX, Mahatma Gandhi, no recibió el Nobel de la paz, a diferencia de Henry Kissinger o Yasser Arafat. Y el de literatura ha tenido que afinar realmente su puntería para no recaer en León Tolstói, Anton Chejov, Franz Kafka, Marcel Proust, James Joyce, Henry James, Vladimir Nabokov, Graham Greene o Jorge Luis Borges, por citar sólo a los muertos.
El Nobel, con todo, sigue siendo el premio más prestigioso que puede recibir un intelectual en este planeta. Y su prestigio no se debe a la tradición -¿por qué tendría el mundo que respetar una tradición sueca?-, sino a su exhaustivo mecanismo de selección. Los premios que hemos conocido esta semana son el resultado de un año de investigación sobre los candidatos.
La Real Academia Sueca de Ciencias (que concede los premios de física, química y economía), el Instituto Karolinska (medicina), la Academia Sueca (literatura) y el Comité Nobel Noruego (paz) invitaron en octubre del año pasado -como hacen cada otoño- a 6.000 expertos de todo el mundo a presentar las nominaciones (nunca de sí mismos).
Eso son unos 1.000 expertos por premio, entre ellos, los anteriores premios Nobel de cada área, y el resultado suelen ser 100 o 200 nominaciones en total. Los seis comités Nobel, uno por premio, empezaron en febrero a seleccionar esas nominaciones, y sólo han acabado hace un par de semanas. Durante este proceso consultan a muchos expertos externos, y de ahí suelen venir los rumores sobre la identidad de los premiados, por lo general escasos y poco fiables.
Una selección de este tipo garantiza que todos los premiados merecen serlo -en ciencia ha habido pocas concesiones controvertidas-, pero no que todos los merecedores sean premiados. Es lógico por lo tanto que la mayoría de las decisiones polémicas de la Academia lo hayan sido sobre todo por ausencia. O por tardanza, que sólo difiere de la ausencia en la longevidad del candidato. Pero lo cierto es que cada caso es un mundo.
Una clase minoritaria de no-premiados son los que el físico británico John Gribbin llama los visionarios. Son "más importantes que los premios Nobel", según Gribbin. El paradigma es el mismo Gamow citado en el primer párrafo. Su influencia en la ciencia es incalculable, aunque también en el sentido literal: que no puede calcularse. Son ideas, avistamientos, pautas. Su alcance se debe a cómo han influido en otros científicos, y el Nobel suele ser para éstos.
Gamow nació en Odesa cuando era parte del Imperio Ruso, y estudió física en San Petersburgo cuando se llamaba Leningrado, pero trabajó toda su vida en Gotinga, Copenhague, Cambridge y Boulder (Colorado, EE UU). En 1948 propuso con Ralph Alpher la teoría del Big Bang. Otros físicos habían especulado antes con la idea, pero fue el artículo de Alpher y Gamow el que permitió demostrar el Big Bang 15 años después.
Como Alpher y Gamow parece alfa y gama, Gamow no pudo resistirse a buscar una beta para redondear el artículo. La encontró pronto en uno de los grandes físicos teóricos del siglo XX, Hans Bethe, a quien persuadió de firmar el trabajo pese a su nula contribución. El histórico artículo The origin of chemical elements salió así firmado por Alpher, Bethe y Gamow, a satisfacción de este último. Bethe, al menos, sí recibió el Nobel, aunque por otra cosa.
James Watson y Francis Crick descubrieron la doble hélice del ADN en 1953. Poco después de haber publicado el hallazgo en Nature recibieron una carta de Gamow, a quien no conocían de nada. El físico proponía allí el primer modelo de un código genético: un lenguaje que traducía el orden lineal de las letras del ADN -recién descubierto por los receptores de la carta- en otro tipo de secuencia: la hilera de aminoácidos que constituye las proteínas. Su modelo concreto era incorrecto, pero el concepto de código genético resultó capital.
Thomas Edison patentó 1.093 inventos, entre ellos el fonógrafo, el altavoz y el micrófono del teléfono, las piezas clave del cinematógrafo, el primer generador eficaz y un modelo de ferrocarril eléctrico. Y la bombilla, por supuesto. Entretanto, su colega Nikola Tesla ideaba las dinamos de corriente alterna, la transmisión de la energía eléctrica y la bobina de inducción, que le permitió adelantarse a Marconi en la patente de la radio. Edison y Tesla fueron nominados al Nobel en 1915, pero la Academia los descartó por una razón de peso: no se podían ni ver el uno al otro. Marconi había recibido el galardón seis años antes.
Durante la primera mitad del siglo, los experimentos en aceleradores descubrieron tantas partículas subatómicas que los físicos las llamaban "el zoo": protones, neutrones, rho, delta, sigma, xi, kaones, antikaones, piones, cientos de partículas elementales. En 1964, Murray Gell-Mann y George Zwieg se dieron cuenta de que podían explicarlas como distintas combinaciones de sólo tres partículas aún más elementales: los quarks. Gell-Mann, que fue quien les puso ese nombre, fue el único de los dos que recibió el premio Nobel. Zwieg los había llamado "ases".
El mayor descubrimiento de la biología del siglo XX, la doble hélice del ADN -la clave de la herencia-, no hubiera sido posible sin un dato previo esencial: que el ADN es el material hereditario. Fue Oswald Avery quien lo demostró en 1944, y contra todo pronóstico, porque casi todos los científicos pensaban lo contrario hasta entonces (y la mayoría siguió pensándolo aún después).
La razón de que Avery no recibiera el galardón ha sido un misterio durante 50 años, el tiempo que tarda la comisión Nobel en hacer públicas sus deliberaciones. Hoy se sabe que el químico sueco Einar Hammarsten bloqueó su candidatura, y que siguió haciéndolo incluso después de que Watson y Crick descubrieran la doble hélice en 1953. Hammarsten creía que la información genética estaba en las proteínas, y su convicción era impermeable a los datos.
Barbara McClintock descubrió los transposones -genes que saltan de un lugar a otro del genoma- en 1948 con una serie impecable de experimentos en el maíz. No sólo demostró su existencia, sino también que suelen alterar la actividad de los genes que tienen al lado, y percibió que debían ser muy importantes en el desarrollo y la evolución. McClintok ya estaba reconocida para entonces como una de las genetistas más brillantes del mundo, pero sus resultados fueron recibidos con escepticismo por muchos científicos, e ignorados por muchos otros.
El resultado fue que McClintock recibió el Nobel, pero 35 años después, cuando ella había cumplido 81. Al menos pudo vengarse en la cena protocolaria de Estocolmo con estas palabras: "Debo admitir que al principio me sentí sorprendida, y después confundida. Nadie me invitaba a dar clases o seminarios, ni a intervenir en comités o tribunales académicos. Pero ese largo intervalo resultó ser una delicia. Me dio una completa libertad para seguir investigando por puro placer y sin interrupciones".
Einstein ganó el premio Nobel en 1921 por su explicación del efecto fotoeléctrico, uno de los artículos clave que publicó en su annus mirabilis de 1905. Esto implica que su teoría de la relatividad, uno de los dos pilares de la física actual junto a la mecánica cuántica, es otro de los grandes olvidados de la Academia, aunque su autor no lo sea. Y la razón tiene esta vez algo de paradójico.
Einstein formuló la relatividad, también en 1905, para responder a la pregunta: ¿qué ocurriría si una persona corriera tan deprisa que lograra alcanzar a una onda de luz? La persona vería una onda de luz que está quieta, como parece quieto un tren que se mueve en paralelo al nuestro. Pero la velocidad de la luz es una ley fundamental de la naturaleza, y por tanto no puede parecerle quieta a nadie.
La solución de Einstein fue aceptar los hechos y derivar sus consecuencias lógicas, por extrañas que pareciesen. La velocidad no es más que el espacio partido por el tiempo. Si la velocidad de la luz tiene que ser constante aunque corras tanto como ella, es que el tiempo y el espacio no pueden serlo. Esta teoría de 1905 se llama relatividad especial, y una de sus consecuencias directas es la célebre ecuación E=mc2, que reveló que la masa (m) y la energía (E) son dos caras de la misma moneda, y que una ínfima cantidad de masa puede convertirse en una gran cantidad de energía al multiplicarse por el cuadrado de la velocidad de la luz (c), que es un número enorme. Es el fundamento de la energía nuclear y de la bomba atómica. También del brillo de las estrellas.
Einstein fue nominado por esta teoría varias veces desde 1910, pero la Academia prefirió esperar a que los experimentos despejaran las dudas. Eso ocurrió en 1915, pero para entonces Einstein ya había desarrollado la relatividad general, la teoría de la gravitación que corrigió a Newton. Y ésta era más chocante aún que la relatividad especial, por lo que Estocolmo se volvió a echar atrás. De modo que el físico fue, en cierto modo, víctima de su propio éxito. Sin embargo, éste es un asunto sobre el que los científicos sólo albergan una duda: si Einstein mereció otros dos premios Nobel, o si más bien fueron tres.
Alfred Nobel, el inventor de los premios -y de la dinamita-, dejó escrito en su testamento que el galardón de literatura se concediera a escritores de "tendencia idealista". El comité se tomó la frase a la tremenda en los primeros tiempos, y la adujo para rechazar las candidaturas de Tolstói, Twain, Ibsen y Zola. Cuando se relajó la norma ya estaban todos muertos.
Karel Capek, el gran escritor checo de la primera mitad del siglo XX -e introductor de la palabra robot-, suscitó las dudas del comité Nobel por sus obras antinazis de los años treinta. A los académicos les parecían demasiado insultantes para el Gobierno alemán. De todos modos quisieron dar una oportunidad a Capek, de cuyos méritos literarios no dudaban, y le pidieron que presentara alguna obra menos controvertida. "Gracias por la intención", respondió Capek, "pero ya escribí mi tesis doctoral". Se quedó sin premio, como es natural.
El caso de 1974 en literatura es poco representativo, pero aún menos eludible. Vladímir Nabokov, Graham Greene y Saul Bellow fueron rechazados ese año para otorgar el premio a Eyvind Johnson (Retorno a Ítaca) y Harry Martinson (Ortigas en flor), dos escritores bastante conocidos en Suecia, entre otras cosas por ser miembros de la Academia Sueca.
No está claro cuánto podrán resistir los Nobel con su esquema actual. Los matemáticos y los paleontólogos siempre se han quejado de que no haya un Nobel para sus disciplinas, pero la lista de agraviados puede crecer pronto hasta límites insoportables. Porque tampoco hay un Nobel de computación, ni de nuevos materiales, ni de nanotecnología ni de climatología. Ni de cine, que se lo podrían haber dado a Ingmar Bergman sin hacer el ridículo.
http://www.elpais.com/articulo/sociedad/olvidados/Nobel/elpepusoc/20091011elpepisoc_1/Tes
El Dorado carioca: empresas espanholas invadem o Brasil
El Dorado carioca
Un centenar y medio de empresas españolas habla 'brasileiro'
CARLOS GÓMEZ 11/10/2009
Algunos analistas dudan sobre quiénes están más contentos, los brasileños o las empresas españolas, con la concesión de los Juegos Olímpicos de 2016 a Río de Janeiro. No es para menos. No ha pasado una semana desde las votaciones olímpicas en Copenhague y en tan breve periodo Telefónica se ha adelantado a Vivendi y ha lanzado una OPA por el 100% de la operadora de móviles local GVT por 2.550 millones de euros en efectivo; Santander ha cerrado una OPV sobre el 16,2% de su filial Santander Brasil y ha ingresado 5.500 millones de euros (unos 1.430 millones de plusvalías para la matriz), y Mapfre ha sellado una alianza estratégica con Banco do Brasil para distribuir seguros a través de sus 4.928 oficinas. Repsol, que se ha erigido en el primer grupo petrolero privado de exploración de crudo y gas en aguas brasileñas, hizo público en vísperas de las votaciones su decimocuarto gran descubrimiento de hidrocarburos en doce meses.
Unas operaciones que con toda seguridad, y no sólo la del último descubrimiento de Repsol, estaban perfiladas desde bastante antes de conocerse la decisión de la sede olímpica, pero que revelan la pujanza de la economía brasileña y las grandes oportunidades que allí existen, y que ahora pueden acrecentarse con ese evento deportivo y con su Mundial de Fútbol en 2014, para la empresa española. Hay ya un centenar y medio largo de compañías instaladas en un país en el que España es, tras EE UU, el segundo inversor extranjero (absorbe el 33% de toda la inversión española en Latinoamérica en términos brutos y el 28% en términos netos). Las privatizaciones de 1995 abrieron el desembarco empresarial. Nuestras ventas al gigante latinoamericano -es la décima economía del mundo, según el Banco Mundial, y será la quinta en 2016- son aún modestas, pero están creciendo a tasas del 25% anual.
Buena parte de los resultados de algunas cotizadas españolas, como Santander y Telefónica (que pesan en torno al 22,5% y al 22% en el Ibex), OHL o Abengoa, provienen de Brasil. Además, Brasil es el país que cuenta con un mayor número de representantes en el Latibex, el mercado español de empresas latinoamericanas, con 16 de sus 33 compañías.
Santander Brasil, que supone por tamaño el 24% del grupo Santander, va a ser, según JP Morgan, soporte principal de los resultados y del crecimiento a largo plazo del grupo cántabro.
"Es un país clave para Abengoa; desde hace más de diez años es, con EE UU, el principal destino de nuestra inversión en el exterior. Somos el primer operador privado de concesiones de transmisión de energía con más de 8.200 kilómetros de líneas, negocio en el que hemos desarrollado una alianza estratégica con Eletrobrás, la principal compañía pública del país, lo que nos sitúa en una posición inmejorable para seguir participando en la construcción de una infraestructura esencial para el país", señalaba el jueves pasado Amando Sánchez Falcón, director financiero de Abengoa. "Otro negocio muy importante para nosotros en Brasil", agregó, "es el del bioetanol, en el que estamos presentes desde 2007. Brasil es un mercado donde ya los combustibles renovables han superado a los de origen fósil".
Infraestructuras y construcción, transporte y comunicaciones, energía y renovables, reúnen las mayores oportunidades. No en vano el Gobierno de Lula va a destinar 7.500 millones de euros a los Juegos Olímpicos, fundamentalmente al transporte y a cinco grandes proyectos: ampliación del aeropuerto de Río (270 millones), circunvalación y otras carreteras en el entorno de dicha ciudad (410 millones), ampliación del metro (890 millones), conexiones con autobuses rápidos entre las distintas zonas y sedes olímpicas (840 millones) y nuevo material rodante para la red de transporte (925 millones). Estas últimas inversiones ferroviarias son adicionales a otros programas de reforma de la red brasileña que incluyen la adjudicación de un tren de alta velocidad entre las ciudades de Río y São Paulo, proyecto en el que aspiran a participar firmas españolas como Abengoa,
CAF, Talgo, Siemens España, Ineco
Elecnor y la práctica totalidad de las constructoras.
"La producción del sector de la construcción en Brasil ha crecido a un ritmo superior al 15% anual en el periodo 2006-2008 por el desarrollo de programas gubernamentales de inversión en infraestructuras y vivienda. Durante 2009 se está produciendo una moderación en el crecimiento, como consecuencia de la coyuntura económica internacional", pero el mercado ofrece buenas perspectivas y se espera "una fuerte reactivación a partir de 2010", señalaba esta semana un informe de la consultora DBK. Brasil tiene en marcha un denominado Programa de Aceleración del Crecimiento con 150.000 millones de euros de inversiones en infraestructuras.
Casi todos los grandes grupos españoles y algunos medianos de construcción y servicios están ya ahí. La palma se la lleva OHL. Está presente en concesiones de infraestructuras de transporte, a través de la filial OHL Brasil (60%), que cotiza en la Bolsa de São Paulo, y en medio ambiente (depuración de aguas), a través de la filial Ambient (100%). "Brasil es un país estratégico para el grupo OHL. En 2008, los ingresos por actividades en este país ascendieron a 351,8 millones de euros, con un crecimiento del 43,5% y representando el 9% de las ventas totales del grupo y el 17% de los ingresos internacionales", señalan fuentes del grupo. Tenemos "3.226 kilómetros de autopistas en este país", explican, en el que somos "el primer gestor de autopistas de peaje, con una cuota del 25% (en kilómetros) y una inversión total comprometida de 5.078 millones de euros".
Acciona, cuya división de agua ha logrado un contrato de 25 millones de euros este mismo año en Brasil, está presente en los sectores de concesiones, construcción e inmobiliario. El grupo de los Entrecanales fue adjudicatario en noviembre de 2007 de un contrato que engloba la financiación, recuperación, conservación, ampliación y explotación durante 25 años en régimen de peaje de una autovía desde Río de Janeiro hasta la vía Dutra (BR-116). Acciona Inmobiliaria, por su parte, llegó al país en 2008 y está promoviendo unas 2.000 viviendas.
ACS entró en 2006 en el negocio de la gestión portuaria de Brasil mediante la adquisición, por 25,5 millones de euros, del 50% de la concesionaria Terminal de Santa Catarina, que opera en el puerto de São Francisco do Sul, el quinto mayor del país. Su filial Dragados Servicios Portuarios gestiona la terminal hasta 2047. El grupo ACS está presente también en Brasil, a través del área de Servicios Industriales, en la construcción y gestión de líneas de alta tensión y subestaciones, así como en servicios de mantenimiento industrial. Su filial Cobra cuenta con tres empresas en Brasil.
Isolux Corsán, la mayor constructora de España no cotizada, se hizo en enero, a través de un consorcio que lideraba con el 75% del capital, con la adjudicación de la primera fase de la ampliación del corredor que une Salvador de Bahía y Río de Janeiro, de 680 kilómetros, que explotará en régimen de concesionaria durante 25 años. Y seis meses antes se erigió en uno de los principales operadores de la red de alta tensión en Latinoamérica a través de un contrato, con un plazo de explotación de 30 años y una inversión prevista de 800 millones de euros.
Elecnor, otro de los grupos españoles en liza por hacerse con tendidos de líneas de alta tensión, logró recientemente derechos para tender dos líneas que conectan los Estados de Río de Janeiro, Minas Gerais y Goiás. Desde que Elecnor ganó en 2000 la primera concesión en Brasil, son ya 15 los sistemas de transmisión en los que participa, ocho de los cuales se encuentran en operación y el resto en construcción. La longitud total de las líneas es de 6.700 kilómetros. Todas estas concesiones suponen una inversión atribuible a Elecnor superior a los 800 millones de euros, según la compañía. En el sector eólico es titular, a través de la filial Ventos do Sul, del mayor parque de Latinoamérica, de 150 megavatios, situado en Río Grande do Sul.
Brasil tiene en marcha un proyecto de instalación de 140.000 megavatios eólicos, en el que quieren participar numerosas empresas españolas. Un interés bien recibido por las autoridades brasileñas. Así lo manifestó recientemente el ministro de Minas y Energía de Brasil, Edison Lobão, en su visita al Centro de Operación de Energías Renovables de Iberdrola Renovables en Toledo. La filial de renovables de Iberdrola posee en Brasil, desde 2006, el parque eólico de Río do Fogo (49,3 MW de potencia). Iberdrola produce además en este país 450 MW de generación hidráulica.
Endesa, por su parte, cuenta con un grupo, Endesa Brasil, que opera en distribución, generación, transmisión y comercialización de energía en cuatro Estados (Río de Janeiro, Ceará, Goiás y Río Grande) y cuenta con 5,1 millones de clientes. Y Gas Natural, a través de su filial CEG, es la mayor distribuidora de gas por cartera de clientes.
La parte del león, en presencia en el sector energético, se la lleva Repsol. Explora 21 bloques, 11 de ellos como operadora, y es la compañía privada con mayor dominio minero en las cuencas brasileñas de Santos, Campos y Espírito Santo. Ha descubierto 14 grandes yacimientos y otros tres también muy grandes en 2008. Recientemente la compañía anunció que, tras las primeras pruebas de producción del pozo Guará, el volumen recuperable del área se estima entre 1.100 y 2.000 millones de barriles de crudo ligero de alta calidad y de gas natural, lo que equivale a dos años de consumo de petróleo y gas en España. La compañía y sus socios Petrobrás y BG Group instalarán una plataforma para producir crudo en el citado campo de Guará. El presidente de la compañía, Antonio Brufau, ha declarado que en toda la cuenca de Santos hay trabajo para un periodo de unos 30 años y alabó la estabilidad jurídica que presenta Brasil. Repsol lleva invertidos en el país unos 2.000 millones de euros en 12 años.
Las telecomunicaciones son otra de las mecas empresariales en este momento. Un informe del Comité Olímpico Internacional señala que las compañías de este sector van a invertir 58.000 millones de euros en este país. Brasil sigue "siendo el principal motor de Telefónica", sobre todo por el negocio de la telefonía móvil. "Aporta el 35% del resultado operativo bruto del grupo en América Latina y el 14% del consolidado del grupo. Además, el 33% del flujo de caja operativo generado en la región procederá de Brasil (Telesp + Vivo)", dice un informe reciente, pero previo a la OPA sobre GVT (véase información gráfica adjunta) de Ahorro Corporación.
Indra, uno de los cinco proveedores globales más importantes de TI en Latinoamérica, está presente en Brasil desde 1996. Actualmente trabajan en la compañía más de 500 profesionales en São Paulo, Belo Horizonte y Campinas. En Brasil ha alcanzado sólida posición en los mercados de transporte y tráfico -con importantes proyectos de desarrollo de infraestructuras inteligentes-, administraciones públicas, telecomunicaciones, industria y consumo, y energía y utilities. Recientemente, Indra ha firmado con la Armada brasileña un contrato para la implantación del sistema de comunicación por satélite en su buque insignia, el portaaviones São Paulo. Y en el mercado de tráfico terrestre, en colaboración con la firma local Esteio, se ha adjudicado la implantación de sistemas de peaje en tres grandes tramos de autopista.
También es importante la presencia de Amper en Brasil hasta el punto de atribuirle sus pérdidas del primer semestre, "aunque este mercado tiene para nosotros un gran potencial".
Hispamar, joint venture entre la española Hispasat y la brasileña Oi, lanzó en 2004 el satélite Amazonas, que lleva comercializándose desde 2005, y está fabricando ahora para su próximo lanzamiento el satélite Amazonas 2.
Prosegur es otro grupo veterano y con fuerte implantación. Su filial brasileña aporta a la matriz del grupo el 16% de sus ventas.
También ha ganado atractivo, con los Juegos Olímpicos, la inversión en turismo. Iberia, que tiene dos vuelos semanales a São Paulo y entre cinco y siete semanales a Río, es una de las compañías que más esperanzas albergan de ampliar sus negocios. También las tiene las cadenas Sol Meliá, que gestiona ya 14 hoteles (2.974 habitaciones) en el país; Iberostar, que cuenta con dos establecimientos en Salvador de Bahía y uno en Manaos; Fiesta Hotels & Resorts, que explota un complejo de 654 habitaciones en Salvador de Bahía, y Hotusa, que tiene un cuatro estrellas en Río de Janeiro.
En industria destaca CAF, que opera en Brasil desde 1997 a través de talleres de mantenimiento y que va a abrir ahora una planta de producción para atender el suministro de 17 unidades del metro de São Paulo y 40 unidades de cercanías (320 coches). Dos contratos que se ha adjudicado por importe de 626 millones.
La siderúrgica Gombarri cuenta ya con dos plantas en Brasil, una con capacidad de 800.000 toneladas de acero en Campinas (São Paulo) y otra con capacidad de 400.000 en Curitiba (Paraná).
Otras industrias españolas con fuerte implantación son el grupo Mondragón, que cuenta con varias plantas de producción; Viscofan, Roca y Grifols, entre otras.
También es importante la presencia en el mundo editorial brasileño. El Grupo Santillana, que entró en este mercado en 2001 con la compra de Editora Moderna y que ha incorporado después las editoriales Salamandra y Objetiva, es líder en libros educativos. También opera en Brasil desde 2004 el grupo SM.
http://www.elpais.com/articulo/primer/plano/Dorado/carioca/elpepueconeg/20091011elpneglse_3/Tes
O Brasil no “El País”: Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza
REPORTAJE: Primer plano
Brasil va a por todas
Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza
FRANCHO BARÓN 11/10/2009
En 1941, el escritor austriaco Stefan Zweig recaló en Río de Janeiro. No era consciente, pero había llegado a Brasil para consumir el poco tiempo que le quedaba de vida. Antes de suicidarse a comienzos de 1942, Zweig culminó un ensayo titulado Brasil, un país de futuro, en el que retrató magistralmente un país de gran potencial que algún día sería un referente económico y tecnológico en el mundo, una potencia emergente que lograría superar el drama de la desigualdad y las favelas.
Desde entonces, no pocos han tachado la obra de Zweig de poco objetiva, de eurocéntrica y de no tener en cuenta la cruda realidad de un país que aún tenía las heridas abiertas de las ocupaciones coloniales, de la tragedia de la esclavitud y los caciques. Cierto es que después de la publicación de este libro vinieron épocas más o menos prósperas, una dictadura militar de 20 años que mutiló las libertades en todo el país y, por fin, la decadencia más absoluta en las últimas dos décadas del siglo pasado, con una hiperinflación descontrolada y una desigualdad social que no hizo más que crecer exponencialmente. La violencia y el narcotráfico camparon a sus anchas en las principales urbes brasileñas. Los tristemente conocidos meninos da rua pasaron a ser la dramática fotografía de Brasil. El panorama era desalentador y parecía que Zweig hubiese errado de lleno en sus vaticinios.
Ha sido necesario esperar casi 70 años para que la visión que tuvo el autor de Carta de una desconocida comience a tornarse en realidad. Hoy, Brasil, un país de futuro podría revelarse como una obra más actual que nunca, aunque también podría titularse perfectamente Brasil, un país de presente. Lo confirman las constantes noticias que surgen sobre el gigante suramericano: crecimiento económico sostenido, solidez para aguantar la embestida de la crisis financiera, creación imparable de empleo, descubrimiento de ingentes cantidades de petróleo en sus profundidades marinas, consolidación de su tejido industrial, disminución incesante de la desigualdad social con un consecuente surgimiento de la denominada nueva clase media, liderazgo político, económico y militar en Latinoamérica...
Hace algunos días, este rosario de éxitos alcanzaba su clímax con la victoria de Río de Janeiro en la pugna por la sede de los Juegos Olímpicos de 2016, que supondrá una inversión de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros) en mejoras para una ciudad que arrastra como una cruz la fama de ser uno de los lugares más violentos e inseguros del planeta. El Mundial de Fútbol 2014 también se celebrará en Brasil. La euforia y el optimismo están presentes a lo largo y ancho del país porque, por primera vez en muchas décadas, los brasileños están viviendo un momento histórico en el que todas las piezas parecen encajar. Y todos estos éxitos giran en torno a la figura del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuyos niveles de popularidad superan el 76%. Hasta Barack Obama lo certificó en la pasada cumbre del G-20 celebrada en Londres, cuando le espetó a Lula frente a otros líderes: "Éste es el hombre del momento".
¿Cuáles han sido las claves del éxito de la política económica aplicada por el ex sindicalista? Sería injusto responder a esta pregunta sin hacer mención al periodo de ocho años comandado por el antecesor de Lula en la Presidencia, el socialdemócrata Fernando Henrique Cardoso, la persona que puso las bases del aún vigente modelo económico basado en tres pilares: un tipo de cambio flexible, un sistema de consecución de metas anuales para reducir progresivamente la inflación y el rigor como principio inquebrantable en la gestión de las cuentas públicas.
El Gobierno brasileño, que al iniciar su gestión suscitó no pocos recelos en el mundo empresarial, ha demostrado que se puede llevar a cabo un programa político de corte social sin necesidad de entrar en colisión con los dictados del mercado. Muchos creyeron que el desembarco de Lula podía suponer una suerte de cubanización de Brasil. Y se equivocaron. Hasta Cardoso, que continúa militando en las filas de la oposición más feroz al Partido de los Trabajadores (PT) de Lula, admitió recientemente: "Brasil está mejor de lo que estaba y va a continuar mejorando".
La crisis financiera internacional ha supuesto el bautismo de fuego de la política económica del Gobierno. Pese al descalabro de los índices de crecimiento en el último trimestre de 2008 y el primero de 2009, la economía brasileña ha demostrado una solidez inusitada en medio de una debacle general. Los analistas consultados por el Banco Central de Brasil (BCB) para la elaboración de sus previsiones semanales coinciden en que el país suramericano cerrará el ejercicio 2009 con una tasa de crecimiento del PIB prácticamente nula (0,01%). La noticia no es para nada negativa, sobre todo si se tiene en cuenta que hace tan sólo algunos meses los mismos expertos pronosticaron números rojos para este año. El Banco Central también prevé un despegue definitivo de la economía brasileña en 2010, con un crecimiento estimado en el 4,5%. El Fondo Monetario Internacional (FMI) es más comedido: considera que la economía brasileña caerá este año el 0,7%, para crecer el 3,5% en 2010. Aunque el FMI tiene previsto mejorar esas cifras en sólo unos días, cuando presente las perspectivas económicas de América Latina, que al igual que Brasil está capeando bastante bien la crisis.
"Hemos demostrado tener musculatura a la hora de afrontar la crisis económica. Mientras en el resto del mundo se ha reducido el empleo, nosotros vamos a cerrar este año con un mínimo de un millón de nuevos puestos de trabajo", comentó recientemente ante un grupo de corresponsales extranjeros Dilma Rousseff, número dos del Gobierno brasileño y candidata del PT para suceder a Lula en las elecciones del próximo año. El dato está en sintonía con el último informe presentado por el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), en el que se muestra que en 2008 Brasil alcanzó su mejor indicador de paro desde 1992. La tasa de desempleo cayó el año pasado hasta el 7,2% y fue acompañada de una subida considerable de la renta per cápita mensual, que llegó a los 1.041 reales (algo menos de 400 euros).
Rousseff, ex guerrillera y mujer de confianza del actual presidente, que hace dos semanas anunció su curación definitiva de un cáncer linfático, mencionó también varios indicadores que en su conjunto configuran un horizonte muy alentador: los analistas estiman que el superávit de la balanza comercial brasileña llegará a los 25.850 millones de dólares (17.800 millones de euros) en 2009. Brasil también muestra unas cuentas razonablemente saneadas, con una deuda pública estimada en el 44% del PIB en 2009 y unas reservas que ascienden a 220.000 millones de dólares. Además, el país suramericano ha obtenido el grado de inversión otorgado por las más acreditadas agencias de calificación crediticia: Moody's, Standard & Poor's y Fitch, una especie de sello de calidad que se concede a los países que demuestran garantías y seguridad para la entrada de capitales extranjeros.
Sin embargo, esa pujanza no está exenta de peligros. "Existe el riesgo de que el atractivo de la economía brasileña provoque una entrada masiva de capitales, y es problemático manejarse en la abundancia: en especial, por una peligrosa apreciación del tipo de cambio del real, que perjudicaría su competitividad", advierte Nicolás Eyzaguirre, responsable del FMI para el hemisferio occidental (es decir, para América). "Pero Brasil se erige claramente como locomotora de América Latina, tanto por sus materias primas y su relación privilegiada con China como por esos deberes hechos en materia de política macroeconómica", añade.
Durante los siete años que Lula lleva al frente del Ejecutivo, Brasil ha logrado garantizar la estabilidad de los precios, uno de los asuntos más delicados en un país en el que, desde mediados de los ochenta, una hiperinflación desbocada mutiló la exigua capacidad de consumo de las clases menos pudientes (en 1993, la inflación anual alcanzó la friolera del 2.477%). A través de un sistema de metas para cada ejercicio, Brasil registra desde 2005 índices de inflación por debajo del 6% anual. Otro de los grandes aciertos atribuibles a los dos últimos presidentes brasileños consiste en una política cambiaria anclada en una fluctuación estable del real frente al dólar. La divisa brasileña lleva meses fortalecida con tipos de cambio por debajo de dos reales por dólar, algo que los más críticos consideran un grave obstáculo para las exportaciones. El real se ha apreciado más del 30% respecto al dólar desde finales de marzo. No obstante, el destacable superávit que registra Brasil en su balanza comercial contradice esta tesis.
El difícil acceso al crédito bancario es otro de los asuntos más candentes en este país, que en las últimas décadas ha tenido los tipos de interés más altos del mundo. La situación parece que se está revirtiendo progresivamente con constantes recortes de tipos por parte del Banco Central, hasta llegar al escenario actual (tipo básico anual del 8,75%), que se añaden a los estímulos fiscales y monetarios. Eyzaguirre, del FMI, es partidario de una retirada gradual de esos estímulos una vez se ha demostrado que Brasil va a salir de la crisis como un tiro.
Lula lleva meses haciendo campaña para prescindir del dólar como divisa de referencia en las operaciones comerciales entre Brasil y terceros países. Es una idea que ya ha vendido a los presidentes de Argentina, Uruguay, Colombia y China. Según Brasilia, el objetivo principal de esta maniobra consiste en simplificar y abaratar las transacciones eliminando un eslabón de la cadena cambiaria. Sin embargo, tras esta lógica aplastante se vislumbra otro argumento de mayor calado: la clara intención de Brasil de mermar la influencia de EE UU en la economía mundial. "No necesitamos el dólar. ¿Por qué dos países importantes como China y Brasil tienen que usar el dólar como referencia en lugar de sus monedas nacionales? Esto es absurdo, así como darle a un solo país el poder de imprimir esta moneda. Necesitamos darle más valor a las monedas china y brasileña", afirmó Lula el pasado mayo a la revista china Caijing. Esta declaración coincidió con otra noticia aún más inquietante para Washington: un mes antes, China se había convertido en el primer socio comercial de Brasil, desbancando por primera vez a EE UU.
El FMI defiende parcialmente esa tesis. "La preponderancia del dólar como moneda de reserva internacional y como divisa para las transacciones comerciales genera ciertos problemas: si EE UU endurece su política monetaria y restringe su oferta de dólares, o si hay un colapso en el mercado como ocurrió tras la quiebra de Lehman Brothers, desaparece la liquidez en dólares y las economías más ligadas a esta economía sufren en demasía", declara Eyzaguirre. Por esa razón, economías como la brasileña acumulan grandes reservas en dólares, que de alguna manera lastran la recuperación mundial, pero a la vez suponen un seguro de vida contra crisis imprevistas.
Lula es un animal político cuya intuición y olfato para estar en todo momento en el lugar indicado está fuera de discusión. Despierta la simpatía de Barack Obama, al tiempo que mira hacia otro lado ante las tropelías del presidente venezolano Hugo Chávez. Su carisma y capacidad para agradar a tirios y troyanos parece no conocer límites, quizá porque ha forjado un estilo muy personal de hacer política basado en la moderación. Nunca lo ha reconocido abiertamente, pero de esta manera lleva años desmarcándose de Chávez, que encarna a la izquierda suramericana más tradicional. Sin embargo, el líder bolivariano continúa considerándolo de los suyos. Lula se ha consagrado como el rey del funambulismo político.
Un asunto crucial para el presidente brasileño es la reforma de los órganos de Gobierno de instituciones financieras como el Banco Mundial o el FMI, que Brasilia considera obsoletos y nada representativos del nuevo orden planetario. Lula opina que las potencias emergentes englobadas en el grupo BRIC (Brasil, Rusia, la India y China) están infrarrepresentadas en estas instituciones y, cada vez que tiene la oportunidad, exige modificaciones urgentes en este sentido. Lo hace con la autoridad de quien ejerce activamente un liderazgo económico: cuando la crisis mundial alcanzó su máxima expresión, Brasil anunció un préstamo al FMI por valor de 10.000 millones de dólares, y de esta manera pasó a formar parte del selecto grupo de socios donantes de la institución. Incluso el FMI es consciente de que ese movimiento tectónico de la economía mundial dará más poder a los emergentes. "Tras esta crisis, China se ha convertido ya en el imperio oficioso: en este periodo de transición veremos a grandes potencias convertidas en débiles potencias, y a débiles potencias, como los BRIC, convertidos en fuertes", señalaba esta semana Niall Ferguson, historiador económico de Harvard, en la cumbre de otoño del FMI en Estambul.
El pasado marzo, el líder brasileño responsabilizó a los banqueros "blancos con ojos azules" del estallido de la crisis mundial y a día de hoy su opinión no ha cambiado. En los foros internacionales, Brasil asume desde hace años el papel de portavoz oficioso de los países en vías de desarrollo, en especial de los latinoamericanos y africanos. De hecho, en los contubernios de la política brasileña cada vez cobra más fuerza la tesis de que Lula, una vez abandone el Gobierno en enero de 2011, podría lanzar una fundación que tendría como objetivo mejorar las condiciones de vida en África.
Para Brasilia, lograr un asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, el órgano donde se toman las verdaderas decisiones y en el que, desde su fundación, sólo están representadas las potencias vencedoras de la Segunda Guerra Mundial (EE UU, China, Francia, Reino Unido y Rusia), sería la manera más efectiva de que la voz y los intereses del Tercer Mundo sean tenidos en cuenta. El argumento esgrimido por Lula para alcanzar este objetivo a corto o medio plazo es el indiscutible liderazgo brasileño en la región suramericana. Brasil es la primera economía de América Latina, y esta supremacía se asienta en unas sólidas finanzas que representan el 57% del capital del subcontinente.
Los constantes hallazgos petrolíferos frente a las costas de los Estados de Espíritu Santo, Río de Janeiro y São Paulo apuntalan la tesis de que Brasil marcará el paso de la región en las próximas décadas. Antes de que acabe el año, Lula pretende aprobar un nuevo marco legislativo para regular la explotación de las enormes bolsas de crudo de excelente calidad que se encuentran en el denominado presal, una zona submarina ultraprofunda situada bajo una gruesa capa de sal de dos kilómetros de espesor. Este marco estará compuesto por cuatro leyes que definirán, entre otros asuntos, las cuotas de participación de las petroleras extranjeras en el negocio, la creación de una nueva compañía estatal, ya bautizada como Petrosal, o las compensaciones económicas que recibirán los Estados brasileños donde se sitúan los megacampos de crudo. Ya se sabe que la estatal Petrobras, aparte de ser la operadora privilegiada, tendrá un mínimo del 30% de las participaciones en todas las perforaciones.
El presal, que, según los expertos en energía, representa la gallina brasileña de los huevos de oro, está predestinado a convertirse en la fuente de financiación de un nuevo fondo social que sustentará proyectos relacionados con la educación, la erradicación de la pobreza y el desarrollo tecnológico y científico del país. Habrá dinero para todo ello, puesto que sólo en uno de los campos, el bautizado como Tupí, frente a las costas paulistas, se estima que hay sumergidos entre 5.000 y 8.000 millones de barriles de crudo ligero.
La reducción de la pobreza y de la desigualdad social ha sido otro de los grandes retos del Gobierno durante los últimos años. El crecimiento sostenido y la creación de empleo, acompañados de una sólida política social cuyo talón de Aquiles es el programa de asistencia Bolsa Familia, han surtido un efecto innegable: entre 2003 y 2008, 19,3 millones de personas dejaron atrás la miseria y se incorporaron a la bautizada como nueva clase media, que hoy representa el 53,2% de los brasileños, según datos de la Fundación Getulio Vargas.
No obstante, el trabajo infantil y los excesivos niveles de analfabetismo siguen siendo un problema enquistado en Brasil. Según el IBGE, aunque entre 2007 y 2008 el índice de trabajo infantil mejoró sensiblemente, el año pasado aún trabajaban en Brasil casi 4,5 millones de niños de edades comprendidas entre 5 y 17 años. Esto quiere decir que el 10,2% de los niños y adolescentes brasileños formaban parte de la masa trabajadora del país, en su mayoría de manera ilegal.
El instituto estadístico apunta un dato aún más sangrante: muchos de estos niños y adolescentes afrontaban "triples jornadas", que se traducen en simultanear trabajo con estudios (80% de los que trabajan) y con tareas domésticas (57,1% de los que trabajan y estudian). Pese a una elevada tasa de escolaridad (97,5%), los brasileños mayores de 15 años que no sabían leer ni escribir aún representaban el 10% de la población total del país el año pasado, y analfabetos funcionales había más del doble (21%). La idea del Gobierno es que los beneficios del boyante negocio petrolífero contribuyan a revertir estas más que preocupantes cifras.
Brasil es actualmente la novena economía del planeta, pero según el FMI tiene el potencial para escalar en la lista de los países más prósperos hasta situarse en la sexta posición de un nuevo orden mundial liderado por el grupo BRIC. Para que esto suceda, el gigante suramericano aún debe demostrar que sabe aprovechar esta oportunidad única que le brinda la historia. Con una población de 192 millones de habitantes, petróleo en cantidades nunca antes imaginadas y una democracia consolidada, debería tener la capacidad de hacer frente a los retos que se alzan en el horizonte más inmediato.
Sólo la corrupción, enquistada desde hace décadas en la clase política brasileña, representa en sí misma un dragón de siete cabezas que amenaza con desdibujar un futuro prometedor. El mismo futuro que Stefan Zweig soñó para Brasil hace casi 70 años. La semana pasada, Lula tuvo otro sueño: que en 10 años las favelas se conviertan en barrios humildes libres de una violencia sinfín. Que a nadie le extrañe si termina haciéndose realidad.
El deporte como religión
La victoria de Río de Janeiro en la pugna para albergar los Juegos Olímpicos de 2016 llega como el maná en un momento de euforia colectiva. Para Brasil, que también organizará el Mundial de Fútbol de 2014, el acontecimiento representa la cuadratura del círculo, ya que en este país el deporte es como una religión más. Con esta victoria, el presidente Lula da Silva no sólo ha conseguido poner por primera vez a Suramérica en el mapa olímpico, sino también colgarse una medalla otorgada por la comunidad internacional en reconocimiento a una brillante gestión de siete años. Con tamaño colofón, el ex sindicalista ha ingresado definitivamente en el Olimpo de los líderes más valorados e influyentes del planeta.
La realidad es que muchos brasileños tenían fe ciega en que Río conseguiría alzarse con la victoria en Copenhague. La ciudad está tocada por una belleza natural incomparable, y aunque aún hay mucho trabajo por delante, el dinero del petróleo descubierto frente a los litorales de tres Estados brasileños garantiza los recursos necesarios para la ejecución de unas faraónicas obras. El capital humano carioca también será decisivo para el éxito del cónclave olímpico: los vecinos de la ciudad maravillosa son optimistas y resueltos por naturaleza. No en vano, la revista Forbes acaba de escoger a Río de Janeiro como la ciudad más feliz del planeta.
Brasil ya ha anunciado una megainversión pública y privada en infraestructura por valor de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros). El dinero irá destinado a culminar las obras del metro de Río, nuevas instalaciones deportivas, duplicar las plazas hoteleras, mejoras urbanísticas y refuerzo de la seguridad en la ciudad. De cumplirse estos objetivos, Río podría sacudirse definitivamente el estigma de ser una de las ciudades más violentas del mundo.