"Desde mi punto de vista –y esto puede ser algo profético y paradójico a la vez– Estados Unidos está mucho peor que América Latina. Porque Estados Unidos tiene una solución, pero en mi opinión, es una mala solución, tanto para ellos como para el mundo en general. En cambio, en América Latina no hay soluciones, sólo problemas; pero por más doloroso que sea, es mejor tener problemas que tener una mala solución para el futuro de la historia."

Ignácio Ellacuría


O que iremos fazer hoje, Cérebro?

sábado, 19 de maio de 2007

Não acredito no que vou dizer!

Não acredito que irei recomendar que alguém leia Luiz Carlos Bresser-Pereira, mas farei isso, o que ele diz na entrevista abaixo puclicada na Folha é bastante pertinente.

19/05/2007 - 20h35

Para Bresser, Brasil deve crescer pouco

CRISTIANE BARBIERI

da Folha de S.Paulo

O ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira lança, nesta semana, o livro "Macronomia da Estagnação". Resultado de sete anos de pesquisas sobre a economia brasileira, o livro faz sérias críticas ao modelo que orientou a política econômica brasileira nos últimos anos.

Bresser propõe em seu livro o que chama de "terceiro discurso". O novo desenvolvimentismo, como foi batizado, seria um modelo intermediário entre a ortodoxia "ditada pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para os países em desenvolvimento" e o velho desenvolvimentismo, baseado na forte intervenção do Estado na economia.

Para ele, o Brasil vive hoje "numa armadilha, um ciclo vicioso formado pelos juros altos, baixa taxa de câmbio e ajuste fiscal frouxo". Ele recebeu a Folha para a seguinte entrevista:

Folha - O que é o novo desenvolvimentismo?

Luiz Carlos Bresser-Pereira - É um terceiro discurso entre a ortodoxia convencional e o velho desenvolvimentismo. A ortodoxia é o conjunto de diagnósticos, recomendações e pressões que os países ricos, por meio do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, fazem aos países em desenvolvimento. Já o desenvolvimentismo era baseado na forte intervenção do Estado na economia, que o Brasil não precisa mais. O país ainda precisa de política industrial mas, o essencial, é ter uma estratégia nacional de desenvolvimento, o novo desenvolvimentismo.

Folha - O segundo mandato do governo Lula está dando passos nessa direção?

Bresser - Estou mais otimista e esperançoso em relação ao segundo governo Lula. Ele montou um ministério competente. O ministro da Fazenda [Guido Mantega] é muito melhor do que o primeiro ministro, não tem comparação. No BNDES, temos o Luciano Coutinho e, no FMI, o Paulo Nogueira Batista, excelentes economistas. O PAC não resolve nossos problemas mas é um passo correto.

Folha - Por que não resolve?

Bresser - Porque o que não fizemos ainda foi mudar a política macroeconômica. Esse é o tema fundamental do livro, que está todo organizado em cima da taxa de câmbio, da taxa de juros, da taxa de inflação e do ajuste fiscal.

Folha - As tão faladas reformas estruturais não são essenciais para o crescimento mais vigoroso?

Bresser - Elas são importantes, mas não é por falta de reformas que o Brasil não está crescendo. Estamos fazendo reformas como devem ser feitas,graduais. O Brasil não cresce porque não consegue uma verdadeira estabilidade macroeconômica.

Folha - Como assim?

Bresser - A ortodoxia define estabilidade macroeconômica como estabilidade de preços. Ganhamos muitos elogios vindos do Norte por isso mas, o fato de estarmos quase estagnados há 27 anos não importa.

Folha - O que é, então, a estabilidade macroeconômica?

Bresser - É ter estabilidade de preços, taxa de juros moderada que garanta o equilíbrio fiscal, taxa de câmbio competitiva que garanta o equilibrio das contas externas e, finalmente, o pleno emprego. Hoje temos inflação controlada e, no momento, equilíbrio das contas externas. Mas estamos com sofrendo da doença holandesa que é incompatível como o equilíbrio das contas externas a longo prazo.

Folha - O que é a doença holandesa?

Bresser - É a doença que atinge os países produtores de petróleo ou que têm recursos naturais abundantes e baratos, como ferro e agronegócios, no Brasil. Chama-se doença holandesa porque, na década de 1960, foi descoberto gás de petróleo na Holanda e a taxa de câmbio começou a se valorizar. Com isso, perceberam que o país estava ameaçado de trocar a Philips, por exemplo, pelo gás de petróleo.

Folha - Por que?

Bresser - Porque países que sofrem da doença holandesa têm dinheiro, mas as indústrias que estejam utilizando tecnologia no estado da arte internacional são impedidas de serem competitivas por causa da apreciação do câmbio.

Folha - Qual foi a solução?

Bresser - Eles colocaram um imposto de exportação no gás e trouxeram a taxa de câmbio para patamares mais próximos do interesse de toda indústria.

Folha - Colocar um imposto em setores fortemente exportadores não vai contra tudo o que o país faz hoje? O barulho não seria enorme?

Bresser - Esse imposto causa um receio muito grande nos exportadores mas sem motivo. Atividades como mineração e agronegócio são muito importantes para o Brasil. São tecnologicamente sofisticadas, com empresários modernos e competentes. Se colocarmos um imposto de R$ 0,50 sobre uma taxa de câmbio de R$ 2, eles não perdem nada. Ao contrário, até ganham um pouco na venda de seus produtos com o câmbio valorizado. E toda a economia em geral ganha mais.

Folha - O senhor citou o caso da Holanda na década de 1960. Funcionaria nos dias de hoje, da economia globalizada?

Bresser - O Chile faz isso hoje com o cobre. Mas quem faz isso com maestria é a Noruega, que descobriu petróleo no Mar do Norte, 20 ou 30 anos atrás. O dinheiro do imposto de exportação foi colocado num fundo de títulos e ações internacionais. Assim, o dinheiro não entra na economia e não pressiona câmbio e inflação. Só o rendimento líquido desse fundo entra na Noruega.

Folha - Por que o senhor diz que o brasileiro é hoje um refém?

Bresser - Os brasileiros são reféns porque a ortodoxia ameaça o tempo todo: "se vocês baixarem os juros, a inflação volta". Mentira! Volta coisa nenhuma! Se fizerem o que proponho e isso envolve depreciação da taxa de câmbio, a inflação vai voltar um pouco, sim.

Folha - Mas isso não é arriscado?

Bresser - A inflação sobe um pouquinho e depois volta para baixo se os preços públicos forem desindexados.

Folha - Economistas dizem que suas idéias pertencem ao passado.

Bresser - Sei que vou ser chamado de nacionalista atrasado. Ser nacionalista é vestir a camisa do seu país. É entender que no mundo da globalização existe a possibilidade e a necessidade da cooperação entre povos e nações, mas que a regra fundamental é da competição.

Folha - O que isso significa?

Bresser - O capitalismo é baseado na competição não apenas entre empresas, mas também entre os Estados-nação. Se a globalização é uma grande competição, o desenvolvimento econômico é o sucesso dessa competição. Nós estamos fracassando miseravelmente há 27 anos. Estamos ficando para trás, para trás e para trás.

Folha - Por que?

Bresser - Com a crise dos anos 80, o Brasil perdeu a idéia de nação e voltou a aceitar uma estratégia dada pelos concorrentes, que não têm interesse em que sejamos bem-sucedidos.

Folha - Qual é a solução?

Bresser - Há países que estão crescendo extraordinariamente, como China, Índia, Malásia, Rússia e, agora, Argentina porque têm estratégias nacionais de desenvolvimento a seu modo, definindo sua taxa de câmbio, pondo juros a níveis civilizados, com ajuste fiscal e um pouco de política industrial.

Folha - No seu livro, o senhor diz que esses fatores levaram o Brasil a uma armadilha.

Bresser - O Brasil vive uma armadilha de altos juros, baixa taxa de câmbio e ajuste fiscal frouxo. O Brasil só voltará a crescer quando tiver taxa de juros moderada, câmbio competitivo e um ajuste fiscal para valer, como estão fazendo esses países.

Folha - Como romper esse ciclo?

Bresser - A coisa fundamental hoje para o Brasil é neutralizar a doença holandesa. Para isso, o câmbio tem de ser administrado, mantendo-o flutuante. Sou contra voltar o câmbio fixo, mas deve-se mantê-lo flutuante. Já se viu que a compra de reservas não é suficiente. Mas pode-se fazer com controle de entradas. Há países que têm feito isso sistematicamente. Não funciona 100%, mas razoavelmente bem.

Folha - Não é intervencionismo demais?

Bresser - Insisto muito na idéia de que hoje a intervenção que o Estado precisa fazer na economia é muito menor do que antes. O Brasil estava num outro estágio de desenvolvimento. Se você fizer uma política econômica decente, neutralizar a doença holandesa e alguma política industrial, também limitada, como nossos concorrentes fazem, a coisa funciona perfeitamente. O mercado é que vai coordenar a economia.

Folha - As palavras ajuste fiscal estão presentes em todo discurso de quem se identifica com as teorias das quais o senhor discorda. Por que o senhor diz que, no fundo, no fundo, eles não querem o ajuste fiscal?

Bresser - Não é no fundo, no fundo. É no raso, no raso mesmo. A ortodoxia não tem interesse em que o ajuste fiscal aconteça. Primeiro, eles não usam o conceito de déficit público porque inventaram o superávit primário, para esconder os juros. Mas é uma conta é simples. Para o Brasil zerar o déficit público teria de ter um superávit primário de 7,5% a 8% do PIB, que é o que ele paga de juros reais. No entanto, eles colocam como meta de superávit 4,25% e aceitam 3% a 3,5% de déficit público. Estão fazendo um ajuste frouxo. Para fazer ajuste duro, tem de cortar despesas corrente do Estado, mas tem de cortar os juros também.

Folha - É possível baixar as taxas de juros como o senhor propõe?

Bresser - Claro, só tem de fazer a reforma. O setor financeiro faz suas ameaças, dizendo que eles pararão de financiar o Estado e a dívida não rolará.

Folha - Que reforma?

Bresser - A reforma não é reduzir juros de uma hora para outras, mas determinar a suspensão definitiva da emissão de qualquer título pós-fixado. Os títulos que estão nos bancos continuarão sendo honrados, mas vão acabando e sendo substituídos por novos que não são pós-fixados.

Folha - Não haveria uma gritaria?

Bresser - Os investidores vão reagir no começo, mas eles não têm onde por o dinheiro e continuarão financiando o governo. Não há perigo.

Folha - Por que o senhor considera o câmbio o problema mais importante do Brasil?

Bresser - O câmbio se valoriza nos países em desenvolvimento por quatro razões. Uma, política, é que, valorizada, ela aumenta salário e facilita a reeleição dos governantes, enquanto não resultar numa crise. Outra é que a taxa de câmbio valorizada abaixa a inflação. Essas duas coisas, juntas, dão origem ao chamado populismo cambial.

Folha - Quais são as outras?

Bresser - Uma é a doença holandesa. Mas, a razão mais grave é a aceitação, pelos países em desenvolvimento, da política recomendada pela ortodoxia convencional de crescimento com poupança externa. A tese foi dita e repetida infinitamente no Brasil nos anos 90: que o país só poderia crescer se tivesse acesso à poupança externa. Isso é uma grande tolice. Quando você recorre à poupança externa pensa que está aumentando o investimento mas não, você está aumentando principalmente o consumo.

Folha - Como assim?

Bresser - Há uma alta taxa de substituição da poupança interna pela externa. No Brasil dos anos 90, essa taxa foi mais de 100%. É uma substituição total. É um desastre para o país.

Folha - O senhor diz que seu livro não foi escrito apenas para economistas. É comum em outros países a população entender tão a fundo teoria econômica?

Bresser - Quanto mais forte for o Estado, suas instituições e a organização do Estado que garante essas instituições, menos você precisa de governo. Na Suíça, por exemplo, imagino que o debate econômico deva ser muito pequeno porque as questões nacionais são garantidas pelo Estado. Já num país como o Brasil, o Estado ainda não está bem organizado, as instituições que o Estado garante e define não estão bem formuladas, de forma que o governo é muito decisivo.

Folha - É possível comparar o crescimento atual do Brasil com o da China? Ela não está vivendo agora um período bem-sucedido pelo qual passamos há muitos anos?

Bresser - Brasil e China estão em desenvolvimento, sua renda por habitante é muito menor do que os países ricos. Temos uma faixa empresarial importante, uma classe média grande e instituições razoáveis, mas deveríamos crescer a taxas bem mais elevadas para alcançarmos os países ricos.

Folha - Por que o senhor diz que o Brasil precisa ter um sentimento de nação para voltar a crescer?

Bresser - Uma nação é um grande acordo entre empresários, trabalhadores, classe média e os técnicos do governo, a burocracia pública e os intelectuais. Todos eles podem ter conflitos entre si, debates mas, quando se trata de competir internacionalmente eles estão juntos. E têm uma estratégia nacional para competir, portanto. Não é tudo escritinho, mas todos sabem para onde vão e como estão indo. O governo tem de criar condições favoráveis para ao investimento privado, ao mesmo tempo em que monta uma sociedade mais equilibrada, por meio de uma série de compromissos feitos entre os grupos. É isto que todos os países fazem e é isto que perdemos a capacidade de fazer no momento em que nos subordinamos à ortodoxia convencional. Aceitamos essa taxa de câmbio, essa taxa de juros e todos os elogios que recebemos todos os dias dos representantes de Washington, Nova York, Paris, Londres, Frankfurt. O que me interessa é voltar a crescer e este livro é uma tentativa de contribuir para o debate sobre esse assunto.

A modernidade belga

Apre ndam sobre como se ganha eleições na Bélgica!

http://viomundo.globo.com/site.php?nome=Bizarro&edicao=883

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Augusto Frederico Schmidt

Segue abaixo primeiro uma citação de uma crônica de Schmidt e na sequência algumas poesias. Augusto frederico Schmidt é importante como intelectual, como formulador da OPA, como ghost-writer dos principais discursos de JK, como empresário de diversos setores. A obra de Schmidt é nostálgica, sempre aparece um resgate do passado, uma forma de reviver o vivido (para usar o nome de um livro de um escritor esotérico equatoriano, Jorge Adoum), muitas vezes com a esperança que o passado possa ser retomado e modificado. Isto gera um descompasso entre o poeta e escritor Augusto Frederico Schmidt e o homem público e empresário . Porque o homem público e empresário não apenas acredita no futuro do país e no seu próprio como encaminha-se para a ação para modificar o país e desenvolver os seus negócios. É uma pena que hoje ele seja um desconhecido apesar de ter sido uma das eminências pardas de um dos períodos áureos da história do Brasil.
Recomendo em primeiro lugar a biografia romanceada do Schmidt, é uma forma de conhecer a vida e a obra: MEY, Leticia e ALVIM, Euda. Quem contará as pequenas histórias? Uma biografia romanceada de Augusto Frederico Schmidt. São Paulo, Globo, 2005.
SCHMIDT, Augusto Frederico. Um século de poesia. São Paulo, Globo, 2005.
SCHMIDT, Augusto Frederico. Antologia de prosa. Rio de Janeiro, Topbooks, 2000.
SCHMIDT, Augusto Frederico. As Florestas: páginas de memórias. Rio de Janeiro, Topbooks, 1997.
SCHMIDT, Augusto Frederico. Poesia Completa. Rio de Janeiro, Topbooks, 1995.

Augusto Frederico Schmidt 5

“Quem contará as pequenas histórias a que assisti durante minha vida, quem falará dos meus mortos depois que eu me for, quem se lembrará de mim mesmo, depois que esta existência se transformar numa vida verdadeira ou em nada, em sono sem despertar.”

Augusto Frederico Schmidt 4

Quando eu morrer

Quando eu morrer o mundo continuara o mesmo –
A doçura das tardes continuará a envolver as coisas todas
Como as envolve agora neste instante,
O vento fresco dobrará as árvores esguias
E levantará as nuvens de poeira nas estradas...

Quando eu morrer as águas claras dos rios rolarão ainda,
Rolarão sempre, alvas de espuma.
Quando eu morrer as estrelas não cessarão de acender-se no lindo céu noturno,
E nos vergéis onde os pássaros cantam, as frutas continuarão a ser doces e boas.
Quando eu morrer os homens continuarão sempre os mesmos,
E hão de esquecer-se do meu caminho silencioso entre eles.
Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão,
Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão.
Quando eu morrer a humanidade continuará a mesma –
Porque nada sou, nada conto e nada tenho.
Porque sou um grão de poeira perdido no infinito.

Sinto porém, agora, que o mundo sou eu mesmo
E que a sombra descerá por sobre o universo vazio de mim –
Quando eu morrer...

Augusto Frederico Schmidt 3

Oração (apenas os três versos finais)

Que não se cale a voz que me livra do exílio.
Que dá forma ao meu pranto
E desoprime o peito meu de saudades eternas
E de dores eternas sem remédio.

Voz que diz dos amores meus defuntos,
Dos amores que eu quis e a vida não me deu
Voz com que posso chorar a mocidade morta
A minha mocidade inútil e sem rumo

Que não se cale a voz que sou eu, melhorado,
A voz que Deus me deu!

Augusto Frederico Schmidt 2

Soneto

Eu queria chorar pelos que não choram.
Eu queria chorar pelos olhos secos,
Pelos olhos que não são fortes
Onde as mágoas se purificam e se libertam.

Eu queria chorar pelos corações feridos
E que sangram obscura e silenciosamente.
Eu queria chorar pelas almas mártires
Que estão invisivelmente entre nós.

Eu queria chorar pelos indiferentes
E pelos que escondem num sorriso
As decepções de uma incompreendida bondade.

Eu queria chorar pelas almas fechadas,
Pelas almas que são como os desertos
E que não conhecem a libertação das lágrimas!

Augusto Frederico Schmidt 1

Soneto

Passa a saudade do que foi e é morto.
Passa a glória que eu quis e me fugiu.
Passam as próprias visões do mundo e da vida.
E é sonho quanto tive em minhas mãos.

Passam as flores nascidas mais perfeitas.
Passa a beleza, e a dor, passam tormentos.
Passa essa angústia diante do eterno nada.
Que não passa, Senhor, todo momento?

De incerteza em incerteza, a vida corre,
E nos mudamos nós, de instante em instante.
O que foi, ele próprio, sofre, muda.

Só não passa este amor tão passageiro.
Só não muda este amor que é tão mudável.
Só este amor incerto é certo em mim.

Não me ufano do meu país e menos ainda de seus sindicatos

É um absurdo! País nenhum progride com as centrais sindicais que temos, além de defenderem mais o governo contra os trabalhadores do que defender os trabalhadores da ação do governo. Já não fosse suficiente este peleguismo, a Força Sindical consegue a proeza de se tornar sindicato patronal e ainda se aliar às máfias. O ano passado a Força Sindical fez campanha para reduzir os impostos, agora defende os bingos que o argumento fajuto de preservar o emprego. A Força Sindical desmoraliza 200 anos de história do sindicalismo ao assumir a defesa de causas e interesses escusos cuja defesa apenas enfraquece os sindicatos e desmoraliza o sindicalismo. Os donos de bingo defendem os seus negócios. Sindicatos dos trabalhadores defendem o conjunto dos trabalhadores. No Brasil, o sindicalismo foi destruído pelo Luís Antônio de Medeiros e pelo PT. A Força Sindical nunca prestou, mesmo com outros nomes; mas ver a morte da CUT é lastimável.

Interessado em aprender matar um país? Faça estágio com Lula e Mantega!

A sabedoria do presidente Lula nos informou que alguns ganham com a valorização cambial e outros perdem, óbvio. A questão é sobre quem ganha e quem perde, e especialmente, se o país ganha, e usando uma impropriedade conceitual, se atende ao interesse nacional. Claro que as classes médias comemoram a valorização cambial, mas a maior parte dos setores médios conspira contra o país diuturnamente. Os interesses pretensamente cosmopolitas, mas de fato uma submissão colonial infantil (não passam de menininhas vestidas de Xuxa porque passam o dia na frente da TV) desagregam a sociedade brasileira, dissolvem os laços de solidariedade social, suspende qualquer idéia de nacionalidade. Sendo assim, as classes médias devem ser desconsideradas quando se pensa o país. Os ricos, temos que dividir os ricos em duas frações, os financistas e os não-financistas. Os financistas ganham, claro, estão participando da especulação, são co-responsáveis pela valorização do real, e são causadores da desvalorização do real e da especulação. E os não-financistas? Os setores exportadores são profundamente prejudicados, é besteira do ministro Mantega e dos puxa-sacos em geral dizer que apenas os setores intensivos em mão-de-obra são prejudicados, é apenas um tipo de desculpa para justificar a reforma trabalhista. Os setores intensivos em capitais só não seriam prejudicados se houvesse desenvolvimento tecnológico endógeno, que reduzisse os custos compensando a valorização, o que obviamente não é o caso. É verdade que a valorização permite a importação de máquinas e equipamentos, mas isto não fará a economia crescer enquanto o câmbio estiver valorizado. As empresas na medida em que o câmbio permanece valorizado irão perder mercado, então o desemprego irá aumentar. O que nos leva ao terceiro setor, os trabalhadores. Os setores de baixa renda são beneficiados inicialmente do ponto de vista do consumo, ficam felizes por poder consumir produtos importados legalmente ou ilegalmente com preços mais baixos, as áreas de consumo de massa tendem a se expandir. O problema é que irão ficar desempregados. Mas como não são todos teremos um crescente desemprego, mas frações dos trabalhadores continuaram sendo favoráveis ao câmbio valorizado. Eles podem ser desculpados por não serem capazes de compreender um problema tão amplo, mas conspiram contra o país. Os desempregados por sua vez não serão capazes de identificar no câmbio valorizado a causa do seu desemprego. Os pobres, verdadeiramente pobres nada tem a dizer, pois sempre estão em situação ruim. Mas o pior resultado é para o país. Um país como Brasil precisa ter superávit comercial crescente para conseguir um superávit nas Transações Correntes e não ficar dependendo de movimentos de capitais, mesmo que seja IED. Porque caso o Brasil, devido a valorização cambial, volte a ter déficit comercial e em transações correntes crescentes, os investidores irão abandonar o Brasil, retirar o capital no momento de maior necessidade, do mesmo modo, os IED não entraram, e o Brasil mergulhará na crise. A única aposta certa que um governo pode fazer no Brasil é apostar na crise. A crise é a única coisa certa. Os assessores do Lula sabem disso, quando FHC fez o mesmo, eles fizeram as críticas que agora eles rejeitam e dão a mesma resposta que o Pedro Malan e o Gustavo Franco davam, agora é diferente. Nada de diferente, tudo igual, governos escondendo a incompetência aproveitando o movimento da economia mundial e ignorando o futuro. Claro o governo permite que isso ocorra porque politicamente é muito bom, se o governo tentasse mudar haveria crise e ele seria responsabilizado e perderia as eleições de 2008, então não muda nada, e depois das eleições de 2008, o governo também não faz nada pensando nas eleições de 2010. É melhor deixar que a crise ocorra sem fazer nada porque aí pode culpar os fatores externos, e esconde que durante os quatro anos não fez nada para impedir a crise que estava marcada. Keynes dizia que no longo prazo estaremos todos mortos, no Brasil, morremos todos no curto prazo, governo nenhum pensa além do dia seguinte. E quando tentam pensar não passa de farsas, como o PAC, Brasil em Ação e similares. E o pior do atual governo é desfaçatez com que se diz que nunca se fez nada melhor do que este governo está fazendo. É de chorar, mas para pensar o interesse do Brasil desde o fim da ditadura, apenas o Sarney e o Itamar pensaram no interesse do Brasil em alguma momento. Apenas na política externa, o governo Lula recupera algumas tendências virtuosas da política externa brasileira, mas para alcançar objetivos que tornam o Brasil ainda mais débil, transformá-lo num grande pasto ou grande canavial. Porfírio Díaz, presidente do México entre 1870 e 1910, capaz de deixar o FHC morrendo de inveja com suas 10 reeleições, dizia “Pobre México, tão longe de Deus, tão perto dos EUA.”, no Brasil nos achamos abençoados por Deus, pelo menos ao estamos tão perto dos EUA. Mas de fato parece mais que fomos amaldiçoados e não há exorcismo que resolva, olha que seqüência lastimável (não sei se está em ordem crescente ou decrescente de incompetência): João Baptista Oliveira Figueiredo, José Sarney de Araújo Costa, Fernando Affonso Collor de Mello, Itamar Augusto Cautiero Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva. Desta lista, só um tem que ter sido honesto e combatido a corrupção como se faz em país sério, o Itamar Franco e, veja, é só uma possibilidade.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Hoje as Américas são América!!!!!!!!!!

Hoje todos torcendo por uma derrota santista para o América, também seria bom que o Zé Roberto se machucasse e não pudesse jogar o próximo jogo. Não seria de todo ruim se o Luxemburgo fosse expulso de campo. América, time de todos os povos da América hoje.

Rel serve pra quê?

A mensagem abaixo foi postada no orkut por um ex-aluno do curso de relações internacionais da UnB. A mensagem em inglês não é afetação, ele é de Barbados. Como gostei da mensagem, coloco aqui.

O REL eh...o siguinte
I graduated from REL in 1993 then did the Masters program at UnB and completed that in 1995 before going onto Japan and specializing in Comparative Business and Management at the International University of Japan. REL is not going to make you a world citizen. It depends on you the individual. There are some who will do this course and become very successful and there are others who will not. One thing I can say is that it's an excellent course for developing your intellect and asking the BIG questions about the world's problems. It also helps to give you great insight into understanding the human condition at the level of nations. However, in today's world, you need at least four or five foreign languages, some notion of Business Management and/or Economics together with International Development. I believe REL is a great spring-board into all these areas but you need to supplement it with something else. I'd recommend a bachelors degree in REL but a Masters in Business, Law, International Development, Economics, Marketing or any social science. That's an excellent combination even if you want to go into Itamaraty after. Good luck...
REL eh excelente...

domingo, 13 de maio de 2007

Bem-vindo o que vem em nome do Senhor! 2

O presidente Lula posicionou-se contra um plebiscito sobre o aborto tomando a posição desejada pela CNBB. Mas Lula espera que o papa se posicione favorável à liberalização agrícola e a reforma das Nações Unidas. Se o comércio agrícola for liberalizado graças ao papa podemos encerrar as atividades do Itamaraty, se é que ainda resta alguma.

O belo diálogo entre a rosa e a couve-flor

Paquistão e agora?

Em depoimento no Congresso americano um especialista disse que o maior responsável pela proliferação de armas nucleares no mundo hoje é o Paquistão, que sem o Paquistão não haveria a questão iraniana. E agora o que os EUA farão? Invadirão o Paquistão? Já há tropas no Afeganistão. Este é o problema dos EUA estão sempre alimentando o inimigo supondo que o bem está em um lugar e o mal no outro. Fortaleceram o Iraque para destruir o Irã. Apoiaram o Talibans contra os Soviéticos, e entregaram o Afeganistão aos Talibans. Apóia a família real saudita e alguns setores dela apoiaram o Bin Laden. E os EUA sempre têm que corrigir os apoios que foram distribuindo ao longo do tempo.

Isto, sim, é organização!!!!


Esta é a festa para comemorar o Dia internacional das enfermeiras na China. Modelo de organização. Claro que é um exagero. Mas no Brasil não só não se comemora nada, como quando há comemorações sempre é um caos. No Brasil falta um pouco de ordem e determinação.

EUA e Japão

Clinton diz qua a parceria entre o Japão e os EUA são vitais para as gerações futuras, será? A virada na economia do governo Clinton ocorreu no mesmo momento que ele conseguiu vencer o Japão. O Japão que já esava em crise, continuou em crise, e quando parece estar saindo da crise está saindo ligado à China e não aos EUA. Para o Japão a única parceria que interessa hoje é militar. Por incrível que pareça, hoje do ponto de vista econômico os EUA são passado para o Japão e continuará sendo assim se a China conseguir se consolidar como potência econômica. Como já disse outras vezes, não sei se acredito na China.

Alguém viaja tranqüilo?

O nome do principal aeroporto internacional do Irã é Imã Khomeini. Alguém consegue viajar tranqüilo em um aeroporto onde o homenageado daria uma passagem direta para o céu para aqueles que derubassem aviões com maioria de estrangeiros? Com certeza algum funcionário já pensou se eu colocar uma bomba em cada avião que sair daqui hoje o nosso grande líder me garante garante um lugar no paraíso com todas as virgens. Como hoje estou num dia anti-islâmico tenho dúvidas: 1. de onde vêm as virgens do paraíso? Da terra (acho difícil, mas quem sabe)? 2. Se o prêmio dos homens-bombas são as virgens, qual o prêmio da mulher-bomba? Ficar virgem de novo? Ou ela também tem alguns virgens a espera dela? 3. Se há tantos mulçumanos na terra a espera de suas virgens, o que Alá faz com tantas virgens no céu? 4. Se Alá é realmente o clemente, o misericordioso, porque ao invés de guardar estas virgens no céu, ele não as manda para a terra para acalmar os mulçumanos e fazer a paz na terra?

O Irã não é apenas bombas!!!!!! Mas nunca se sabe!!!!

Para quem pensa que no Irã só se joga bombas, que quando um iraniano te abraça é porque é o homem-bomba e que quando vai se presentear uma mulher o que se dá uma bomba (mesmo que seja de chocolate), o Iran News noticia o Festival de Tulipas do Irã. Claro, só esperemos que em cada botão de flor não haja uma bombinha.

Eleições Francesas!

É interessante como hoje ser eleito não significa ter o seu programa de governo aprovado. Por isso os temores em relação às ações do governo Sarkozy na França são exageradas. Chirac foi eleito para um governo de reformas conservadoras, no entanto, o fato de ter ido para o segundo turno com Le Pen e recebido o apoio da esquerda já esfria as propostas conservadoras, queira ou não boa parte dos eleitores estavam escolhendo o menos ruim. Uma vez no governo, Chirac ainda descobrirá a oposição que vigora na sociedade em relação ao programa de reformas conservadoras, críticas que resvalaram inclusive sobre a proposta de Constituição Européia apesar dela não ter a cara de Chirac. Do mesmo modo, o governo Sarkozy será menos conservador do que Sarkozy, a exceção é se continuar existindo protestos violentos contra o governo que legitimem o uso da força e faça aumentar a demanda por medidas conservadoras por parte da sociedade. No entanto, há um aspecto onde o conservadorismo de Sarkozy deve conseguir se impor, a União Européia. Este conservadorismo significa não apenas vetar a entrada da Turquia, uma política imigratória mais rígida, mas uma moderação no ritmo da integração e inclusive questionando o que já está ocorrendo, como é o caso da política monetária européia. Certamente a questão da valorização do Euro deve se tornar um problema franco-germânico.
Outra questão sobre as eleições francesas refere-se à derrota socialista. É claro que o fato de ter lançado uma candidata foi uma desvantagem, até que a primeira mulher seja eleita apostar em uma mulher como candidata é muito arriscado. Notem que nem Margareth Thatcher nem Angela Merkel foram eleitas, são regimes parlamentaristas, onde o líder da maioria se torna primeiro-ministro, não se vota para primeiro-ministro. Então foi arriscado lançar uma mulher quando o cargo de presidente da França não é apenas decorativo. Mas o problema não é apenas esse, o PS ficou no meio do caminho entre se manter como partido de esquerda ou fazer como o Partido Trabalhista britânico e se tornar um partido de centro-direita. A França ainda é um país onde a política tem verniz ideológico, o caráter amorfo do atual PS afasta os eleitores, e é curioso que isso ocorra agora já que o PS logo no primeiro governo Mitterrand, o governo não foi propriamente de esquerda.

Quem está apostando errado?

A China continua apostando em aumentar a sua influência na África mesmo se isso significa impedir a resolução de conflitos como Darfur. O Brasil também é apaixonado pela África. Mas há uma diferença na estratégia. O Brasil quer vender para os países africanos, a China quer comprar a África, controlar os recursos naturais estratégicos, tenta fazer o mesmo, por exemplo, no Brasil. Então a China não aposta que os países africanos serão um grande mercado para seus produtos para isso ela tem os EUA.

sábado, 12 de maio de 2007

Marxist Internet Archive e Stálin

Está entre os links favoritos o MIA, onde é possível encontrar a obra de dezenas de autores marxistas em diferentes idiomas. A maior parte das obras completas de Lenin já estão disponível. Os organizadores do MIA participam de uma lista de discussão aberta, onde a única proibição é falar mal do marxismo, mas pode falar mal dos marxistas. Para elaborar o MIA há uma questão prévia quais autores são marxistas, eu mesmo tenho algumas divergências em relação a alguns autores que foram colocados. No entanto, a discussão que eles estão tendo é sobre um autor em relação ao qual não deveria pairar dúvidas. Deve Stálin fazer parte do MIA? Stálin é marxista? Claro que Stálin é marxista, ele não é marxista no mesmo sentido Korsch é, ou que Lukacs o é. E Lukacs nunca negou que Stálin fosse marxista. Todos os que escreveram sobre o marxismo debateram com Stálin durante a maior parte do século XX. Então é marxismo. Até porque alguém que mata milhões em defesa do marxismo só pode ser marxista, mesmo que seja possível demonstrar que possui uma visão equivocada do marxismo. É o mesmo que ocorre com os radicais islâmicos, alguns insistem em dizer que os atos deles não são aprovados pelo islamismo, então eles não seriam verdadeiros fiéis. Errado, quem morre pelo islã é islamita, mesmo que seja ignorante em relação ao Alcorão.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Estranho mundo político!

Uma coisa que me chama atenção é o surrealismo no qual fomos colocados por países como a Síria e a Coréia do Norte onde criaram repúblicas hereditárias. Nada contra não haver eleições democráticas, mas transmissão hereditária do poder numa república é muito estranho, a teoria política não está preparada para a realidade.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

República de Weimar

A República de Weimar, produto do idealismo que sedimentou o caminho de Hitler. Em geral a maior causa da guerra é a paz.


GAY, Peter. A cultura de Weimar.

“A tragédia da República de Weimar é que, conquanto fosse bem-sucedida nessa meta – o brilhantismo dos refugiados de Hitler é uma medida de seu êxito – o trauma de seu nascimento foi tão grande que ele não pode nunca registrar a lealdade desinteressada de todos, ou mesmo de seus beneficiários.”

“Certamente, a mentalidade política não pode ser treinada numa atmosfera de frustração permanente, ou com a sensação de que tudo é uma impostura. Quando a Constituição democrática de Weimar abriu suas portas para verdadeiros políticos, os alemães ficaram à porta, de boca aberta, como camponeses convidados para um palácio, mal sabendo como se comportar.”

Mais uma da UnB, empresa júnior

Como este final de semana haverá um encontro de 10 anos do término da graduação em Brasília e eu não estarei lá, mais uma questão da UnB.
Quando eu estava na UnB, uma parte dos meus colegas inventaram de montar uma empresa júnior de relações internacionais. Eu não tinha interesse na questão, mas como toda a minha turma estava envolvida resolvi participar. E como não sei participar mais ou menos, assumi boa parte da responsabilidade. Criamos a Rel Júnior. Como já expliquei em outro post, o curso de relações internacionais é chamado de rel em Brasília, porque na UnB todo departamento tem uma sigla e sigla do Departamento de Relações Internacionais e Ciência Política é REL. E toda discussão em torno disso é besteira.
A UnB juntou no mesmo órgão as empresas juniores e a incubadora de empresa. Os dois projetos estavam sob a supervisão do CDT- Centro de Desenvolvimento Tecnológico. Obviamente a primeira empresa júnior a ser criada foi a do curso de administração, e só anos depois que outros cursos começaram a criar as suas. A do curso de administração chama-se Consultoria Júnior. No semestre que estávamos criando a de relações internacionais, tinha acabado de ser criada a de psicologia, e outros duas que não me lembro quais estavam sendo criadas. Estava virando uma praga no Rel mesmo o nosso grupo disputou com outro o direito de criar a empresa de rel, como para criar precisava que o chefe do departamento aprovasse, então não foi muito difícil para nós conseguirmos, porque no outro grupo tinha algumas boas pessoas, mas muitos picaretas. Pelas informações que eu busquei na internet a Rel Júnior ainda existe, mas hoje se chama Domani.
Como agora agora havia um bom grupo de empresas juniores, o CDT queria organizar melhor, definir melhor as regras, e até definir o nome do programa de desenvolvimento de empresas juniores. Então foi marcada uma reunião com representantes de todas as empresas juniores da UnB. A primeira grande questão discutida foi o nome do programa, as sugestões eram Programa Empresa Júnior ou Programa Consultoria Júnior, atente para o nome da empresa júnior de administração. O representante do CDT colocou a questão e começou a discussão, só a administração defendia Consultoria Júnior, mas a discussão nunca era encerrada, o representante do CDT sempre mantinha a discussão como queria a administração. Depois de passar mais de hora nessa discussão, eu falei, vamos falar claro vocês querem consultoria júnior porque vai azer propaganda de vocês, e nós não queremos pela mesma razão, e o fulano só não encerra a discussão porque quer agradar vcs. Claro todo mundo negou que fosse isso. Mas a discussão foi encerrada, ficou como Programa Empresa Júnior. E depois o representante do CDT veio me explicar que não defendia os interesses da administração. E aí eu expliquei para ele que ele defendia sim e que entendia. No fundo esta é uma questão simples que mostra novamente como as relações pessoais são fundamentais dentro do sistema universitário. A vantagem da administração é que estava lá há muito tempo e todos tinham predisposição de fazer como eles queriam porque até então só precisavam ouví-los. Do mesmo modo, claro que o clientelismo favoreceu que fosse o meu grupo e não o outro fosse autorizado a montar a empresa. E depois de eu ter apelado numa reunião, sempre me chamava para conversar. Até quando já estava me afastando disso, ele me encontrou e estava todo preocupado sobre porque não tinha sido o representante nas últimas reuniões.
Na montagem da empresa tivemos uma sorte inicial, fizemos uma cerimônia de inauguração com a presença do reitor da UnB. Parentesis, o reitor era também o presidente do Trade Point de Brasília que era ligado a UnB e uma ex-professora do Rel Mary Dayse Kinzo (foi ministra interina da Integração Nacional no governo FHC) era diretora do Trade Point. Eu tinha ido conversar com ela para manter relações entre a Rel Júnior e o Trade Point. Ótimo e ela iria na inauguração e como o reitor estaria lá ela me pediu para falar que ele era o presidente do trade Point de Brasília que era para o Trade Point aparecer. Ninguém conhecia o Trade Point e nós conseguimos praticamente lotar o auditório. Ótimo, vou fazer o discurso e começo, "em primeiro lugar gostaria de dirigir meus cumprimentos ao magnífico reitor e presidente do Trade Point de Brasília, João Claúdio Todorov. Depois que terminou a cerimônia, começou um coquetel bastante farto e ela veio conversar comigo pra reclamar, pra ela eu estraguei tudo ao chamar o reitor de magnífico porque colocou o peso no cargo de reitor e não de presidente do Trade Point, eu deveria tê-lo chamado de ilustríssimo. Isto é que se chama picuinha.
Voltando a sorte incial, uma das minhas colegas convidou um vice-presidente da Federação de Indústrias de Brasília (FIBRA) que era vizinho dela para ir na inauguração e ele foi. Um sujeito muito entusiasmado, que gostou da proposta que estávamos apresentando e logo nos contratou. Não houve dificuldade para conseguir o primeiro trabalho. O objetivo dele era conseguir aumentar as exportações das indústrias de Brasília e para isso ele queria uma pesquisa de mercado dos países de língua espanhola e portuguesa. Claro, motivado pela idéia que é mais fácil comercializar com países com idiomas mais acessíveis. Obviamente nunca tínhamos feito isso, porque não são questões que se aborda no curso de relações internacionais da UnB. Mas, apesar de enormes contratempos não relacionados ao trabalho, foi relativamente concluído. Valeu pela experiência.
Para meus alunos que lêem o blog, esta não é uma boa idéia.

Mais proposta de reforma para UnB

Outra proposta que apresentei e que ainda hoje considero um erro que não seja adotada, é a integração das atividades dos diferentes cursos. Na época argumentava especificamente em relação ao curso de relações internacionais. Havia um sério problema sobre a utilização de textos em inglês no início do curso, e a questão que eu me colocava era que os alunos do curso de letras tinham que fazer trabalhos de final de curso que eram de tradução, porque não ligar as necessidades do curso de rel com as atividades do cursos de letras? Nos trabalhos de conclusão de curso eles traduziriam textos que seriam utilizados por alunos de outro departamento e não textos que depois iriam para o lixo. Sempre me responderam que era difícil viabilizar isso e só. Há um problema que são os direitos autorais, mas lá sempre se violou os direitos autorais. E há outras possibilidades de integração, por exemplo, nas empresas juniores.

Complementando a reforma da grade do curso de REL da UnB

Além de propor uma reforma curricular, eu também apresentei para os professores a proposta de criação de um Decanato de Relações Internacionais. Hoje eu me pergunto se eu realmente imaginei que eles levariam isso em consideração ou se fiz por desencargo de consciência. Claro que algumas das atribuições do decanato que deveria ser criado já eram exercidas por outros órgãos. A proposta do Decanato foi elaborado para um candidato a reitor que eu inventei de apoiar. Ele perdeu.


Decanato de Relações Internacionais

Atribuições:

· divulgar os trabalhos científicos produzidos na UnB no exterior. Dever-se-ia traduzir para o inglês os melhores trabalhos produzidos por alunos e professores e enviar ao menos um exemplar para as melhores universidades do mundo.

· buscar uma maior aproximação entre as embaixadas em Brasília e a universidade, possibilitando que os professores, alunos e a comunidade em geral possam conhecer um pouco mais sobre a cultura e história destes países. Isto poderia se dar através de cursos de extensão e exposições. Por exemplo, a criação de um núcleo de estudos chineses, que estudasse a China sobre os mais diversos aspectos, e promovesse cursos de língua e cultura chinesa teriam uma grande chance de serem financiados pela Representação de Taiwan no Brasil e desta forma conseguir recursos para outras atividades da universidade. Outra forma possível de cooperação seria convidar diplomatas estrangeiros para ministrar cursos de extensão ou mesmo disciplinas regulares se eles estiverem aptos para isso, especificamente no curso de relações internacionais isto seria muito bem vindo.

· num momento em que é política oficial do governo federal reduzir os recursos destinados ao ensino superior, poderia ser responsabilidade deste decanato encontrar instituições no exterior que se disponham a financiar projetos de pesquisa na UnB. Buscar uma parceria, por exemplo com empresas multinacionais, onde a universidade trabalharia em um projeto de interesse específico da empresa, e como contrapartida a empresa financiaria outro projeto que não necessariamente teria relação com os interesses diretos da empresa para que os cursos beneficiados não fossem apenas aqueles que tem apelo de mercado.

· buscar estabelecer convênios com universidades estrangeiras para a troca de pesquisadores.

· conseguir bolsas de estudo para alunos da UnB realizarem parte de seu curso de mestrado e doutorado no exterior.

· promover periodicamente seminários com importantes membros da comunidade acadêmica internacional.

· buscar trazer para a UnB alguns congressos científicos internacionais.

· buscar trazer para UnB também alunos que não sejam de países do Terceiro Mundo, mesmo que não seja para cursarem o curso completo, mas apenas um período, para que seja possível fazer da UnB uma universidade internacional.

· organizar e patrocinar o envio de professores da UnB para participarem de eventos no exterior.

Proposta de currículo apresentada na UnB

Abaixo encontra-se a a prposta de reforma curricular que eu apresentei para os professores do REL no semestre que eu me formei em Relações Internacionais na UnB. Eu acho que eu ainda era um pouco idealista, mas não pensava isso na época. O que mostra o quanto é difícil estirpar todo viés idealista do pensamento.



Curso de Relações Internacionais:

Proponho abaixo uma idéia de um fluxo que consideraria substantivo:

A) Primeiro Semestre

Formação e Evolução do Estado Nacional - histórico de como se formou o Estado, como evoluiu, como se encontra hoje, e as teorias mais importantes que o define e explica seu funcionamento e razão de ser.

Introdução à Ciência Política - formato atual, mas seria conveniente que todos os professores ministrassem o mesmo conteúdo.

Introdução ao Direito - formato atual

Introdução à Economia - formato atual.

História das Relações internacionais Contemporâneas - formato da disciplina atualmente existente como optativa.

História do Brasil Republicano - visão das transformações políticas, econômicas e sociais pelas quais passou o Brasil após a proclamação da República.

B) Segundo Semestre

Introdução à Economia Política Internacional - conceitos fundamentais para se compreender o funcionamento da economia internacional e seus desdobramentos políticos.

Formação Econômica do Brasil - formato atual.

História das Idéias Políticas - estudo das teorias políticas clássica e moderna.

Metodologia de Pesquisa em Relações Internacionais -

Direito Internacional Público - formato atual.

C) Terceiro Semestre

Teoria das Relações Internacionais 1 - formato atual, mas sem ficar apenas em autores americanos, e lendo apenas comentadores de obra alheia.

História das Idéias Políticas 2 - estudo dos pensadores contemporâneos.

Economia Política Internacional: as relações norte-sul.

Direito Constitucional Brasileiro

História da América Latina

Desenvolvimento e Subdesenvolvimento - apresentação das teorias que explicam os dois fenômenos, e das teorias que visão promover o desenvolvimento econômico.

D) Quarto Semestre

Comércio e Finanças Internacionais - história das relações comerciais e das teorias explicativas.

Economia Brasileira - formato atual.

Europa Contemporânea - história da Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Política Externa dos EUA - apresentação da política externa americana e seu reflexos na América Latina como um todo e no Brasil especificamente.

Teoria das Relações Internacionais 2 - complemento de TRI-1. São válidas as mesmas observações.

História da Política Externa do Brasil - formato atual.

E) Quinto Semestre

Direito Internacional do Comércio - regras que regulam o comércio internacional.

Política Brasileira - estudo da situação política interna após o fim dos governos militares.

Análise das Relações Internacionais - estudo do modo pelo qual se analisa os fenômenos internacionais.

História Africana - séculos XIX e XX.

Paz e Direitos Humanos - estudo das teorias sobre estes conceitos e das propostas que objetivam criar um sistema internacional pacífico.

Globalização e Empresas Multinacionais - estudo das transformações econômicas ocorridas no sistema internacional após o fim da Segunda Guerra Mundial no Ocidente.

Cooperação Internacional - histórico da cooperação entre Estados e dos mecanismos que podem facilitá-la.

F) Sexto Semestre

Política de Comércio Exterior do Brasil - legislação de comércio exterior e as idéias que norteiam as decisões nessa área.

Integração Regional - teorias sobre integração e histórico dos processos que se desenvolveram após o final da Segunda Guerra Mundial.

Japão e China - séculos XIX e XX.

Teoria e Prática da Negociação Internacional

Problemas Internacionais Contemporâneos - Estudo dos conflitos que perturbam o mundo após o fim da Guerra Fria.

Organizações Econômicas Internacionais

G) Sétimo Semestre

Organizações Políticas Internacionais

Oriente Médio - século XIX e XX.

Leste Europeu - século XX

Disciplinas Optativas

H) Oitavo Semestre

Disciplinas Optativas

Dissertação em Relações Internacionais

Disciplinas Optativas

O aluno deveria cursar 40 créditos de disciplinas optativas e como ocorre atualmente prestar exame em proficiência em duas línguas estrangeiras, mas além da prova escrita deveria também haver uma prova oral. O aluno a partir do quarto semestre deveria obrigatoriamente ingressar em um grupo de trabalho sobre temas específicos e elaborar sua dissertação final dentro do tema tratado pelo seu grupo de trabalho. Isso traria dois benefícios forçaria o aluno a se especializar em tema específico e forçaria os professores do Rel a debaterem um pouco, e talvez assim passassem a elaborar idéias próprias como alguns professores de ciência política, para deixarem de aceitar como verdade todas as teorias que chegam dos EUA, que apresentam o mundo como estando a caminho do paraíso. O departamento também deveria buscar estabelecer convênios, por exemplo com o Ministério das Relações Exteriores, com o Senado, com a Câmara Federal, e outros Ministérios, para que fossem abertas vagas para estágio de alunos de Rel todo semestre. Evidentemente que caso isso se concretize é fundamental que o processo de seleção seja sério e não beneficie apenas aqueles alunos que têm uma proximidade maior com os professores.

Dedicatória escrita para o Arthur

Na festa de aniversário de um ano do Arthur, filho dos meus amigos Marcelo e Aline, entre outros presentes eu dei um Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels para que ele pudesse crescer tendo em casa ao menos um livro que não fosse liberal. E a dedicatória foi a que segue:

"Sem saber ler ou escrever, a criança acredita que o mundo comunga da comunhão de amor e atenção que ela partilha com seu pai e sua mãe. Quando acresce a criança descobre que nem todas as crianças cresceram sob a sombra da comunhão do amor de seus pais. A criança descobre de sobressalto que a marca do mundo não é comunhão, mas a desunião e a desigualdade. Assustado, o jovem busca por caminhos tortuosos, a comunhão perdida ou nunca vivida. Por este caminho muitos se perdem. Mas há os que acham o caminho de lutar para mudar o mundo, que esse seja o caminho escolhido por você, Arthur. E que para isso, esse livro lhe sirva de inspiração."


Bem-vindo o que vem em nome do Senhor!

O Papa Bento XVI chegou ao Brasil ontem. Apesar do discurso da imprensa sobre a falta de simpatia do papa Bento XVI comparada a do antecessor, o que se viu nas ruas ontem e na área do mosteiro São Bento mostra que o carisma é do papa. É o papa que reaviva a fé do povo, e pouco importa quem é o papa. A população católica além junto com as que circulam no entorno do catolicismo se comovem pela presença do papa que é considerada difusora da graça, manifestação do sagrado e da santidade. Portanto, as pessoas irão sempre se aglomerar para se aproximar e tocar o papa. Isto só se modificará quando a religião perder completamente o significado para os indivíduos, o que no caso do Brasil é praticamente impossível. No caso do Brasil há um aspecto curioso que é a sobreposição de religiões, porque as pessoas buscam o sagrada em qualquer manifestação. Então uma parte dos que perseguem o papa também iriam atrás do Dalai Lama. É possível que se Sai Baba viesse Brasil em corpo presente (e não apenas em projeções astrais), a mesma pessoa que fui ver o papa também iria atrás de Sai Baba. A diferença na quantidade de pessoas é que o papa é universalmente conhecido como sagrado diferentemente dos demais. Até o patriarca ecumênico ou o patriarca de Moscou e de toda a Rússia teria público se bem divulgado.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Onde está o poder da Igreja?

Depois de ler diversas reportagens sobre a visita de Bento XVI ao Brasil, até o Le Monde publicou editorial sobre o assunto, eu me pergunto onde está o poder da Igreja. Se observarmos o cotidiano das grandes cidades a conclusão a que se chega é o poder da Igreja está mais na mídia que a ouve e torna pública as suas opiniões do que na vida dos cidadãos. O fato da Igreja católica possuir um poder central facilita a difusão das suas idéias de forma sistemática pela mídia, mesmo quando a imprensa combate a posição da Igreja. O mesmo não ocorre com o islamismo e no caso do Brasil não ocorre com o protestantismo devido às desconfianças em relação aos movimentos pentecostais. Agora quando se sai dos grandes centros o poder da Igreja já aparece no cotidiano, nas freqüentes manifestações da fé. Claro que ela está presente nas grandes cidades através dos movimentos sociais, mas tende a ficar enconberto. Um fato que me marcou, ao assistir o marcha do MST sobre Brasília no governo FHC para fazer um trabalho para a disciplina de "Movimentos Sociais no Brasil" na UnB, foi a enorme presença da Igreja, as manifestações políticas foram precedidas por uma longa missa com a presença de vários padres.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Lula da Silva: Papa como embaixador

O presidente brasileiro, Lula da Silva, quer transformar o Papa Bento XVI, que chega amanhã ao Brasil para uma visita de cinco dias, numa espécie de seu ‘embaixador’ para disseminar pelo Mundo as políticas sociais implementadas pelo seu governo.

Essa é uma notícia do jornal português Correio da Manhã. Realmente o Lula não pode estar falando sério achando que vai enrolar o dirigente de uma instituição que tem dois milênios. Se Lulas enganassem papas, a Igreja teria desaparecido há séculos.

A ignorância ideológica

A Polônia pretende aprovar uma lei para remover os monumentos da era comunista. Evidentemente, não haverá protestos ao redor do mundo. No máximo os russos irão protestar caso algum monumento removido seja uma homenagem aos russos que morreram na Segunda Guerra. Mas que diferença há entra as ações dos países do Leste Europeu e a destruição dos budas esculpidos em pedra pelo Taliban? Claro que há diferença, em alguns casos os monumentos do Leste Europeu são um símbolo da opressão. Mas os os monumentos que simbolizam a opressão fazem parte da história e devem ser preservados, como se preserva a memória do holocausto, como não se destruíram as construçções mouras na Espanha após a expulsão dos árabes. Incoporam-se ao universo cultural e ao mesmo tempo continuam sendo uma lembrança da opressão. É atraso ideológico a posição assumida pelos ex-países comunistas.

Governo único na África?

A Líbia apresentou uma proposta concreta para a unificação política da África com o estabelecimento de um governo único até 2015. Os angolanos são contrários, acreditam que ainda há muitos conflitos na África. É evidente que impossível um governo único na África, se é inviável na Europa, na África então não há a menor possibilidade. A alma humana é capaz de sonhar muitos sonhos, mas capaz de realizar pouquíssimos. A unificação política será um destes sonhos que continuará existindo enquanto sonhos, alimentando projetos que façam com que a unificação política deixe de ser apenas sonho, os projetos fracassaram, mas farão crer que há a possibilidade de um mundo diferente.

Congresso Acadêmico?

A Agência de Notícias da Líbia noticia que uma universidade chinesa está fazendo um congresso para avaliar a obra de Muamar Kadafi, interessante. O problema é que das duas uma ou os chineses não tem noção do valor intelectual do que lêem ou o próprio Kadafi organiza a conferência.
Tivemos uma situação destas no Brasil, Bresser Pereira já foi minitsro várias vezes, publicou vários livros, mas não tem importância intelectual no Brasil e ele sabe disso. Mas se considera uma sumidade então ele promoveu um congresso na Argetina em sua própria homenagem intitulado "Três gerações de economistas brasileiros: Celso Furtado, Ignácio Rangel, Bresser Pereira". Os dois primeiros tem importância universal, o Bresser Pereira tem a relevância intelectual que o dinheiro pode proporcionar. Patético. Em outra oportunidade detalho os problemas e esquisitices do Bresser.

Discurso na colação de grau 2/2006

Senhoras e senhores, boa noite,

Em primeiro lugar, gostaria de manifestar a minha alegria de estar aqui e ver esta turma se graduando. Nós começamos juntos no Unibero, entraram no mesmo semestre que eu, e tivemos aulas juntos em seis dos oito semestres que ficaram aqui. Um longo período onde efetivamente se constata que mudaram, cresceram intelectualmente, adotaram novas idéias, desenvolveram novas idéias. Nesta intensa convivência, nem sempre pacífica, desenvolvemos um conhecimento mútuo que permitiria que fizesse aqui não apenas o discurso do professor sobre a posição do formando diante da vida; mas também assumisse a posição do aluno e contasse como foram estes anos. O saldo da passagem de vocês por aqui é grande. Não inventaram as simulações das Nações Unidas no Unibero, mas as simulações têm a cara deles, obrigaram os professores a participar e permitiram cenas impagáveis com o professor Hage. É uma questão da teoria das relações internacionais o debate entre realistas e liberais, mas foram eles que colocaram esta questão na boca dos alunos ao discutirem a OMC e o papel das organizações internacionais em geral, e novamente obrigaram que o professor Marcelo e eu debatêssemos exaustivamente o tema. O NERI existia antes deles, mas nunca tantos alunos de uma mesma turma passaram por lá e nunca o Neri foi tão freqüentando pelos alunos. É a turma que colocará mais alunos no mestrado, é a turma que tem aluna que ganha até prêmio da União Européia por texto elaborado a partir do TCC. Estiveram sempre abertos à diferentes forma de avaliações, seminários roleta-russa, lista de discussão, provas, controles de leitura, etc. Colaboraram enfim para que o curso melhorasse.

Todo aluno que procura o curso de relações internacionais é porque é em alguma medida, idealista, mesmo que hoje negue de forma veemente que o tenha sido. Quem ingressou no curso de relações internacionais em 2003 certamente estava pensando na questão do terrorismo, no Iraque, no Afeganistão e em como estes conflitos poderiam ser solucionados, como alcançar a paz.

Quando o curso se inicia o aluno se coloca dois problemas a paz e o trabalho. A primeira pergunta que fará será sobre as causas da guerra e como promover a paz. A outra pergunta existencialmente fundamental é sobre o mercado de trabalho para graduados em relações internacionais. E diante das respostas, o idealismo do ingressante começa a ser transformado. A primeira disciplina que tivemos juntos foi Introdução à economia, onde eu contei algumas das péssimas piadas do meu professor de economia. E uma delas era, a vantagem de se estudar economia é saber por que se está desempregado. Nem esta vantagem os formandos de relações internacionais podem ter, a pergunta que os martiriza é porque eu fiz um curso tão bom, tão interessante e não encontro de imediato emprego no mesmo nível do meu curso. É uma pergunta pertinente e o problema está na pergunta que os profissionais de relações internacionais são capazes de responder, a mesma que motivaram os jovens idealistas a ingressar no curso. Os alunos entraram perguntando sobre como promover a paz, e os professores responderam sobre as causas da persistência da guerra e sobre a insuficiência dos projetos idealistas para a construção da paz. O resultado é que alunos otimistas foram se transformando gradativamente em alunos críticos para na seqüência incorporem o espírito realista da disciplina e se tornarem pelo menos um pouquinho pessimistas. A maior parte dos alunos abandona o otimismo idealista. E isto tem conseqüências diretas para a posição dos bacharéis em relações internacionais no mercado de trabalho.

As sociedades se perguntam como acabar com a guerra e nós respondemos com as razões pelas quais as guerras persistirão. Os profissionais de relações internacionais são diferenciados porque eles não vendem ilusões, vendem a desilusão, ele mostra a crueza de uma realidade onde o que vale é a força e o poder. E que sempre que se ignora isto em nome dos gritos idealistas da paz, o som que se ouve depois são gritos de morte da guerra. Num mundo onde uma frase começa com “Em nome de Alá, o clemente, o misericordioso” e termina com uma explosão e corpos despedaçados, cabe ao profissional de relações internacionais desmascarar as soluções simplistas tão arraigadas que fazem com que muitos pensem que a paz é mera questão de vontade. É cruel uma atividade que desvela a hipocrisia organizada das leis no sistema internacional, leis que se aplicam apenas aos fracos. É cruel chegar à conclusão que o aumento das bombas atômicas no mundo estimula a paz e não a guerra. Num mundo que cultiva a alienação e a ilusão, a recusa em ver a realidade em toda sua dureza, os profissionais de relações internacionais não serão bem-vistos. Em qualquer análise, teórica ou em relação a fatos, o objetivos é identificar problemas e insuficiências. Não é fácil encontrar alguém que lhe pague para dizer porque as boas idéias dele irão fracassar. Muitos de vocês incorporaram excessivamente o espírito do curso, tornaram-se críticos demais, mas isto significa que alcançaram o principal objetivo que se pode almejar em um curso universitário, aprenderam a pensar. E porque aprenderam a pensar não são prisioneiros do que aprenderam. Quem se forma em cursos muito práticos é prisioneiro do que aprendeu, não consegue transitar entre diferentes posições no mercado de trabalho, exercer atividades diferentes. Não é o caso de vocês estão prontos para serem analistas de relações internacionais, mas também estão aptos para não serem analistas em relações internacionais. E isto é fundamental, pois o mercado de trabalho é mutável, é impossível encontrar um curso que lhe garanta um emprego, é preciso de um curso que lhe garanta empregos, tenha flexibilidade. Então o mais importante que vocês levarão daqui é o conhecimento que cada um de vocês produziu, este é um conhecimento não-instrumental, mas é o que permite fazer escolhas profissionais e de vida, é o conhecimento que não lhe transforma numa máquina.

A faculdade é o espaço do pensamento e das ações concretas sim, mas não do pensamento instrumental, do conhecimento instrumental. O conhecimento não deve estar a serviço de um objetivo, mesmo que este seja a melhor inserção do aluno no mercado de trabalho. O conhecimento não é útil e também não é um conjunto de informações que possa ser transmitido ao aluno. O conhecimento é um processo, o conhecimento é uma construção, fruto da ação individual de cada aluno. A faculdade deve ser o espaço do questionamento, da indagação sobre si mesmo e sobre o mundo, um processo concreto de construção da sua identidade e da sua visão de mundo. Em última instância o conhecimento é sempre individual, uma conquista do indivíduo, que é comungada com seus pares. Mas isso não é a permanente reinvenção da roda, mas sim a luta pelo permanente aperfeiçoamento daquela. Mas esta é uma atitude que só é possível se não nos conformamos com o mundo em que vivemos, somente se alimentarmos permanentemente o desejo de mudar é que poderemos pensar autonomamente. Como diz Maza Zavala, um teórico da dependência venezuelano, “Utopia é a aventura do pensamento em todas as épocas; utopia é a audácia da imaginação que conduz algumas vezes a descobrir a estrutura atômica da matéria e a energia, e outras, a subverter a ordem social para que o homem desfrute de uma trégua em sua carga de penúria e possa romper com seu grito a muralha de silêncio que a velha ordem levantou para oprimi-lo; utopia é o projeto de futuro que vai se formando nas entranhas da insatisfação acumulada, que emerge nas crises, que sobrevive nas agonias de cada conjuntura histórica e termina por impor-se ao que se acreditava duradouro e intocável. A ciência nasce da utopia e morre com a resignação, nasce da luta e morre com a inanição, nasce com a crítica e morre com o dogma. (…) Reproduzir simplesmente a realidade; além de tarefa impossível, é cientificamente estéril. Em lugar de reproduzir há que interpretar e transformar, há que recriar, há que fazer o mundo cada dia, e disto se trata na Universidade.

“É por isso que a norma de conduta universitária que consiste em estudar e lutar deve interpretar-se como expressão de uma atitude única, sem possibilidade de ruptura. O estudo é luta e a luta é estudo. Se luta pela verdade, para a verdade, com a verdade, e o estudo é o caminho à verdade. Estudar e lutar são expressões da tarefa universitária nos planos superiores da formação da consciência e da ciência. A luta é atividade criadora, não gritaria inútil, nem desplante estéril”[1].

Isto significa que mesmo quando estamos desenvolvendo uma crítica aos idealismos, estamos ao mesmo tempo construindo a nossa própria utopia e o nosso projeto de mundo. Significa, portanto, que partir do pessimismo para pensar, partir da guerra e não da paz, não implica negar a possibilidade de que o mundo possa vir a ser diferente do que é hoje. Devemos conservar um realismo utópico, um otimismo trágico, porque como diz a economista Joan Robinson se os pessimistas acreditassem realmente no que dizem não teriam razão para dizê-lo. Se as catástrofes são anunciadas é para que sejam evitadas. Somos realistas e podemos ser otimistas, porque reconhecemos que a paz pode ser erigida sobre a guerra sem a necessidade de fundamentá-la em mitos sobre quanto o homem é bom. Se compreendemos assim a questão da guerra, entendemos também que os mesmos princípios devem pautar a solução dos problemas do comércio internacional, do meio ambiente, das migrações, etc. Onde também as propostas de solução do conflito não pode desconhecer que alguém ganha com o conflito.

É preciso reconhecer que no que respeita à construção do conhecimento, vocês foram vitoriosos, conseguiram aprender a pensar. Como diz um psicanalista vienense “grande parte do aprendizado não é uma experiência agradável, mas um trabalho árduo.” Isto porque estudar não é apenas ler e memorizar, é refletir, é pensar, pensar o pensamento do outro para que seja capaz de pensar o seu próprio pensamento. Não é uma atividade trivial. E de fato aprender a pensar é a maior conquista que se pode obter com um curso superior. E é por ser o pensar, o maior fruto que vocês levarão daqui, que vocês levarão um pouco de cada um dos professores, na forma de pensar, nas questões fazem aos textos e aos autores. Goste eu ou não, o primeiro ponto de partida de vocês para pensar foi, o que o Corival ou outro professor considera importante neste texto e repetiram por quase todos os semestres durante quatro anos, e no último ano, se depararam com o dilema de ler o texto e identificar o que era importante para vocês, para o texto de vocês, e isso foi uma tortura. E se vocês estão aqui hoje é porque mesmo que em graus diferentes foram capazes de pensar. E é isso que garante que sempre haverá uma abertura para vocês no mercado de trabalho. Isso não quer dizer que vocês devem se acalmar, ao contrário vocês devem cultivar uma angústia permanente, uma inquietação permanente que impeça que vocês se incorporem à massa, e comportem-se como manada. Não se anulem, aqui vocês se desenvolveram enquanto indivíduos, adquiriram espírito crítico, alguns se tornaram muito chatos. Este era o objetivo, não voltem atrás, não desistam de pensar, pensem cada vez mais.

Viver a vida intensamente é também conhecê-la profundamente, conhecer e viver as paixões humanas que fazem este mundo se mover rumo ao progresso ou à barbárie. Mas infelizmente o conformismo predomina na sociedade contemporânea, é senso comum dizer que as utopias morreram, esquecem que somos nós, homens e mulheres, que criam as utopias, e portanto se estamos realmente vivos e abertos para a vida ainda há utopias para serem vividas, pensamentos para serem pensados. Não há razão para aceitarmos o que temos a não ser pela mediocridade que domina as pessoas em todo o mundo, mediocridade que se prolifera porque os indivíduos renunciam a viver a vida enquanto indivíduo para vivê-la enquanto massa, uma vida sem especificidades, sem criatividade. A vida de todos é a mesma coisa, sempre a mesma repetição. Cultura de massa, ensino de massa, vida de massa. Mediocridade e medo são as marcas da sociedade contemporânea, mas ao mesmo tempo cada pessoa (não indivíduo) em particular e a sociedade em geral temem reconhecer a mediocridade na qual estão submersos para não terem que abandonar o marasmo no qual suas existências foram jogadas. Espero que do mesmo modo que a presença de vocês nesta instituição serviu para demandar dos professores, para intensificar as atividades, vocês façam o mesmo agora no seu ambiente profissional e também na vida pessoal. Que não sejam empurrados pela manada, não sejam controlados pela burocracia, não se submetam à inércia das instituições e do país, façam com que se movam. Espero que não abandonem os seus sonhos diante dos conselhos (inclusive meus) que dizem que eles são impossíveis, planeje, estabeleça objetivos e metas para a realização dos seus sonhos. Nunca sabemos o tamanho do sonho e nem o nosso, apenas quando tomamos ações concretas para realização do sonho conhecemos o nosso tamanho e o tamanho do sonho e aí que podemos avaliar se vale ou não a pena se dedicar a ele. Sonhe, mas não transforme o seu sonho em obsessão, saiba reconhecer quando é hora de mudar os objetivos. Especialmente não idealize o que é trabalhar na área de relações internacionais, não imagine que trabalhar com relações internacionais seja apenas trabalhar com as grandes questões envolvendo conflitos entre os Estados. Utilizem o realismo utópico ou o otimismo trágico também para se autocriticar e avaliar o seu projeto de vida.

No Brasil, como gosta de ressaltar o professor Hage, poucos pensam o Brasil, poucos pensam o interesse nacional brasileiro e o futuro do país. Ao pensar o seu projeto de vida não se esqueça de colocar o Brasil, inclua o Brasil na sua utopia pessoal. Pense, mesmo que pareça desnecessário, sobre como as suas ações influem sobre o Brasil.

As relações internacionais podem derrubar ilusões, promover a desilusão. Mas não promovem o desencantamento do mundo. Espalhem por aí o encanto que vocês trouxeram ao nosso curso de relações internacionais. Com isso vocês também estarão tornando o mundo melhor.

Por fim, mas não menos importante, vocês agora passam da condição de graduandos para graduados, e passam da condição de alunos, não apenas para a condição de ex-alunos, mas para a de amigos. Mas eu sou egoísta, gostaria de tê-los aqui por perto por mais tempo. Como não é possível, vão, conquistem o mundo, conquistem seus sonhos e assim certamente estarei realizando uma parte dos meus sonhos.

Parabéns a todos.

Obrigado.



[1] Maza Zavala, D. F., Los mecanismos de la dependencia. Rocinante, Caracas, 1973.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

É realista buscar a soberania?

Diante do artigo sobre a política externa nicaragüense, a pergunta que deve ser feita é se é realista (no sentido comum e no sentido teórico) uma política externa visando conquistar a soberania econômica. A Venezuela será capaz? e a Bolívia? Ou é melhor a alternativa brasileira de se conformar e tentar ganhar dentro das regras do jogo?

Soberania econômica: objetivo da política externa da Nicarágua de Daniel Ortega

Los retos de la nueva diplomacia nicaragüense


“La política exterior es manejada libremente por cada país de la forma que crea más conveniente y que le brinde mejores resultados”.

Con gran interés, diversos aspectos ligados a la política exterior del Estado han sido analizados por varios especialistas como parte de la extensa valoración de los primeros 100 días del nuevo gobierno. Desde luego que son los nuevos espacios de relación de este gobierno con otros actores del sistema internacional los que han motivado en los analistas desde la crítica alarmante y fatalista, hasta las recomendaciones sobre cautela y prudencia en esta materia.

Académicamente se enseña política exterior como “un proceso cíclico bastante ordenado donde se formula, se implementa y permanentemente se evalúa para dar paso a nuevas iniciativas y correcciones del curso tomado o de la actividad implementada”. En el plano nacional, para muchos la incapacidad de gobernar del nuevo gobierno por la carencia de verdaderos profesionales sandinistas los ha obligado a dejar en sus puestos a funcionarios del Ministerio de Relaciones Exteriores (Minrex) del gobierno del presidente Bolaños; para otros la nueva política exterior se encuentra en la fase de su formulación y reconceptualizacion, donde la coherencia política se ha impuesto. Hasta ahora en aras de tener un aparato exterior profesional no se ha cometido el grave error de siempre de barrer por completo con los funcionarios de esa institución cada vez que llega un nuevo gobierno.

Otro concepto es que “la política exterior no es más que un instrumento de poder de reflejo de las clases gobernantes”, lo que nos permite vislumbrar nuevas líneas de relación internacional que tomará nuestro Estado. Sería demasiado ingenuo o demasiado pro-norteamericano pensar que el gobierno actual debe de girar como satélite de los intereses norteamericanos como el anterior, o que siendo el FSLN un partido de izquierda, renuncie o ignore por completo a otras fuerzas políticas internacionales de esa corriente política que han llegado al poder en sus países casualmente por el fracaso del modelo neoliberal y el abandono de la actual Administración Bush al continente latinoamericano. De ahí los nuevos puntos de agenda en nuestra relación política y económica con Venezuela, Bolivia, Brasil, Cuba, etc.

La escuela del realismo norteamericano en materia de política exterior establece que “por ser el reflejo de nuestra política interior, esta política está sustentada y legitimizada por los intereses nacionales”. Por eso la diplomacia nacional, como parte dinámica del Estado, enfrenta enormes retos: extrema pobreza, falta de buena salud y educación, la falta de capacidad productiva y de infraestructura, un inexistente desarrollo económico integrado, etc. Para ello la integración regional, la promoción de la inversión extranjera y nacional, el aumento y redirección de la cooperación internacional, sobre todo en el aspecto de armonización y alineamiento de la cooperación y la asistencia (para que efectivamente logren obtener como resultado el impacto social esperado), son parte de las respuestas a procurar.

Desde este punto de partida, de nuestras necesidades urgentes es comprensible y aceptable el redimensionamiento del abanico de posibilidades que nuestra política exterior puede encontrar en el sistema internacional. De ahí que las nuevas relaciones políticas y económicas de Nicaragua con otros Estados no debe de verse como la causa que genere fisura alguna con otros Estados, pues se debe de entender que aun naciones pequeñas como la nuestra también deben de gozar de soberanía y libertad en la conducción de sus relaciones internacionales y no deben de estar atadas, influenciadas o moldeadas por los intereses de potencia alguna.

Por eso no es cierto que no haya política exterior alguna del nuevo gobierno. Lo cierto es que ésta se está asentando en nuevas bases. Es precisamente la dinámica de cooperación y conflicto en que todos los Estados y naciones se encuentran inmersos, la que provoca generar una diplomacia real, propia, activa, con capacidad de arrebatar logros políticos y económicos en el plano internacional. La formulación e implementación de una política exterior basada en la “SOBERANÍA ECONÓMICA” está mucho más allá de los primeros 100 días de gobierno y de aquellas intenciones --inclusive de algunos nicaragüenses, ya ni se diga de algunos extranjeros-- de mantener a Nicaragua como satélite de cualquier interés foráneo.

FMI, Banco Mundial e Hugo Chávez

Dessa vez, Hugo Chávez errou. Criar o Banco do Sul é uma excelente política. Mas retirar-se do FMI e do Banco Mundial é um risco desnecessário, é uma ação cujo único resultado é levantar questionamentos sobre a política venezuelana e não acrescenta nada ao projeto. Para piorar caso a venezuela volte a necessitar destas instituições terá que retornar com o rabinho entre as pernas. Ignore o FMI e siga em frente com outras políticas, mas permanceça lá, dificulte o boicote, e garante a possibilidade de utilizar a instituição, especialmente o Banco Mundial, caso seja necessário.

Comércio justo

O comércio justo representa apenas 0,01% do comércio mundial, e os europeus são os principais consumidores. Mas como poderia ser diferente, quem está disposto pagar mais caro por um produto simplesmente para aumentar a renda dos pobres. O que resta aos deserdados da terra é que estas tolices de liberalização comercial caduquem novamente e o mundo retome a trajetória de organizar-se para libertar-se da opressão dos mercados.

Centralização burocrática: o Estado X burocracia de Bruxelas

A burocracia de Bruxela procura capturar funões do Estado nacional para ampliar o seu poder e o controle sobre os Estados nacionais. Por isso não surpreende que o Comissário Europeu para Assuntos Econômicos e Monetários queira que os países do euro tenha apenas um assento no FMI e outras organizações econômicas. Isto representaria um aumento dos poderes da União Européia em detrimento dos Estados nacionais.Por razões tortas, os neoliberais estão corretos, o lema da burocracia de Bruxelas é todo poder a Bruxelas e suas burocratas.

Até que enfim! O Euro deve ser desvalorizado!

O candidato a presidente da França, Sarkozy, defendeu a desvalorização do euro para estimular o crescimento da economia, evitar a desindustrialização, e mesmo os problemas na balança comercial. Esta discussão começou tarde, estranhei que não tivesse começado antes. Este será um problema que dividirá a União Européia de maneira mais profunda do que se imagina e mais do que as questões políticas. Porque para a Alemanha a valorização cambial não é problema ou pelo menos só o será no longo prazo, e a Alemanha espera que se mantenha com o euro as políticas que eram adotadas para o marco alemão. Com a introdução destas discussões, o euro passará a ser um desafio para integração européia e para o consenso entre os membros. Quem sabe não descubramos que é mais fácil fazer integração monetária na África.

Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZPCAS)

Foi criada e esquecida a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Criada e esquecida pelos próprios membros. Foi criada por determinação da ONU, os membros são África do Sul, Angola, Argentina, Brasil, Benin, Camarões, Cabo Verde, Congo- Brazzaville, Costa do Marfim, Guiné-Equatorial, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné-Bissau, Libéria, Namíbia, Nigéria, RD Congo, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Togo e Uruguai.
A minha pergunta é pra que criam tantas organizações internacionais, várias delas se sobrepõem e chegam aos mesmos resultados, nenhum. Criar mais organizações internacionais que não servem para nada apenas diminui as já poucas possibilidades que as organizações internacionais têm de fazer alguma diferença para o mundo.

Moeda única? Procure na África.

Foi inaugurada a nova sede do Banco Central dos Estados da África Ocidental. É o banco central que atende os oito países da União Econômica e Monetária Oeste Africana que utlizam a mesma moeda, o franco. Então é uma área de grande influência francesa. A opção reflete a debilidade dos Estados membros. Vejam que a União Européia não inovou com a moeda única.

Os liberais chegaram à China

Um problema que destrói qualquer país é quando enviam estudantes ao exterior para estudar economia, ou compram os livros americanos para ensinar economia no país, é o caminho mais rápido para a ruína. E a China já tem a infelicidade de conhecer economistas liberais. No link, um economista chinês defende que o governo não deve ajudar os pobres a comprarem casas porque já existe casas no mercado para o nível de renda deles. Isso é de uma tolice, se for para manter numa habitação de pobre é claro que tem, se for para morar num barraco na favela o pobre mesmo resolve o problema. è como o Edward Amadeo, ministro do trabalho do governo FHC, disse veja como o brasileiro é criativo para criar emprego, vendem suco de laranja no sinal. Claro que se isso for emprego, a taxa de desemprego sempre cai, e o governo não precisaria elaborar políticas de combate ao desemprego. Mas o que se espera do governo é que desempregados não tenham emprego de desempregados, e que os pobres não tenham casa de pobre, que consigam aumentar o padrão habitacional com o apoio do governo. Se as políticas do governo não forem pra isso, o governo é desnecessário.

China libera "cidade nuclear" ao turismo

O governo chinês liberou para visitação das primeiras intalações nucleares da China, local onde foi desenvolvida a primeira bomba atômica. Um ato que aparentemente é inofensivo, na prática é uma demonstração de poder e de reafirmação das capacidades nacionais.

O Combustível Chinês

A China descobriu a maior reserva de petróleo dos últimos quarenta anos. Isto tem um impacto importantíssimo sobre as importações do combustível. Mas mais importante foram as declarações sobre o projeto chinês de se tornar auto-suficiente em energia, isto teria um impacto profundo sobre as relações de poder nas relações internacionais á que reduziria a debilidade chinesa numa questão central para projeção de poder no cenário mundial.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

As frases mais mentirosas da humanidade!!!

ADVOGADO: Esse processo é rápido.
POLITICO: - Eu sempre trabalhei pelos pobres!
AMBULANTE: - Qualquer coisa, volta aqui que a gente troca.
ANFITRIÃO: - Já vai? Ainda é cedo!
ANIVERSARIANTE: - Presente? Sua presença é o mais importante...
BÊBADO: - Sei perfeitamente o que estou dizendo.
CASAL SEM FILHOS: - Visite-nos sempre, adoramos suas crianças!
CORRETOR DE IMÓVEIS: - Em 6 meses colocarão: água, luz e telefone.
DELEGADO: - Tomaremos providências.
DENTISTA: - Não vai doer nada.
DESILUDIDA: - Não quero mais saber de homem.
DEVEDOR: - Amanhã, sem falta!
ENCANADOR: - Muita pressão que vem da rua.
FILHA DE 19 ANOS: - Dormi na casa de uma colega.
FILHO DE 19 ANOS: - Antes das 11 estarei de volta.
GERENTE DE BANCO: - Trabalhamos com as taxas mais baixas do mercado.
HOMEM: - Sou fiel!!!
INIMIGO DO MORTO: - Era um bom sujeito.
JOGADOR DE FUTEBOL: - Vamos continuar trabalhando e forte.
LADRÃO: - Isso aqui foi um homem que me deu.
MECÂNICO: - É o carburador.
MUAMBEIRO: - Tem garantia de fábrica.
NAMORADA: - Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei...
NAMORADO: - Você foi a única mulher que eu realmente amei...
NOIVO: - Casaremos o mais breve possível!
ORADOR: - Apenas duas palavras...
OTIMISTA: - Os últimos serão os primeiros...
PEIXEIRO: - Pode levar freguesa; está fresquinho...
POBRE: - Se eu fosse milionário espalhava dinheiro pra todo mundo..
RECÉM-CASADO: - Até que a morte nos separe.
SAPATEIRO: - Depois alarga no pé.
SOGRA: - Em briga de marido e mulher não me meto.
VAGABUNDO: - Há 3 anos que procuro mas não acho nada.
VICIADO: - Essa vai ser a última!
MINHA: - Esta é a última mensagem que repasso!

Tipos de mulheres na era da informática

Mulher Internet
Temos que pagar para ter acesso a ela.

Mulher Servidor
Sempre está ocupada quando necessitamos.

Mulher Windows
Sabemos que tem muitas falhas, mas não podemos viver sem ela.

Mulher Powerpoint
Ideal para apresentá-la às pessoas em festas, convenções.

Mulher Excel
Dizem que faz muitas coisas, porém só a utilizamos para as quatro
operações básicas

Mulher Word
Tem sempre uma surpresa reservada para nós e não existe ninguém no
mundo que a compreenda totalmente.

Mulher DOS
Todos a tiveram algum dia, mas ninguém a quer agora.

Mulher Backup
Acreditamos que ela tem o suficiente mas, na hora do "vamos ver", lhe
falta algo.

Mulher Scandisk
Sabemos que é bondosa e que sempre quer ajudar, mas no fundo não
entende o que faz.

Mulher Paintbrush
Puro adorno e nenhuma substância.

Mulher RAM
Aquela que esquece tudo assim que se desconecta.

Mulher Hard-Disk
Concorda com tudo, todo o tempo.

Mulher Mouse
Funciona apenas quando é arrastada.

Mulher Multimídia
Faz com que tudo pareça mais bonito.

Mulher Usuário
Não faz nada direito e está sempre fazendo perguntas.

Mulher e-Mail
De cada dez coisas que diz nove são bobagens.

e a melhor...

Mulher Vírus
Quando menos se espera, se instala em nosso apartamento e vai se
apoderando de todo o nosso espaço. Se tentarmos desinstala-la, perderemos
muitas coisas; se não tentarmos, perderemos tudo.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Como são os brasileiros?

Abaixo temos uma coletâtnea das características dos brasileiros segundo alguns dos principais intelectuais brasileiros. Esta complição foi feita por Dante Moreira Leite no livro "Caráter Nacional Brasileiro". Será que realmente temos estas características? Estes autores acertaram? Ou a posição deles precisa ser corrigida, o Brasil já superou muitos destes defeitos ou nunca teve alguns deles? Acreditar mesmo nos brasileiros apenas dois acreditavam que o Brasil tinha um futuro, um graças às qualidades dos brasileiros (Gilberto Freyre) e o outro apesar dos seus defeitos (Sérgio Buarque de Holanda).

Affonso Celso: bom, pacífico, serviçal, sensível, sem preconceitos, falta de iniciativa, falta de firmeza, falta de decisão, indolência, hospitalidade, sentimento de independência (indisciplina), afeição à prdem, paciência, doçura, desinteresse, tolerância, imitação do estrangeiro.

Paulo Prado: tristeza, erotismo, individualismo, imoralidade, preguiça, desleixo nos costumes, desperdício, resignação sobriedade, deinteresse, doçura nas mulheres.

Euclides da Cunha: características dos paulistas: Rio, Minas e São Paulo: autônomo, aventuroso, rebelde, libérrimo. Mestiço do litoral: Neurastênico.

Manoel Bonfim: preguiça, conservantismo, resistência sobriedade, patriotismo, poder de assimilação social, tristeza, carola, inconsciente, duro sem rijeza, imprevidência, subserviência, imitação, gosto da palavra, ambição, corajoso, sincero, generoso, hospitaleiro.

Oliveira Vianna: características da nobreza rural: fidelidade à palavra, probidade, respeitabilidade, independência moral, solidariedade afetiva, doçura, brandura, imitação do estrangeiro.

Sérgio Buarque de Holanda: individualismo, desordem, falta de hierarquização, não trabalhar, aventureiro (procura de títulos e riquezas fáceis), acessibilidade, horror à distância, cordialidade, hospitalidade, generosidade , emotividade (sentimentalidade), prático, generoso, pacífico, desorganizado, hospitaleiro, tolerante, desconfiado, trabalho sem continuidade, inteligência intuitiva.

Fernando de Azevedo: bondade, reserva, desconfiança, sobriedade, afetividade, individualismo, tendência igualitária, altruísmo, sentimentalidade.

Affonso Arinos de Mello Franco: luxúria, imprevidência, dissipação, desapreço pela terra, salvação pelo acaso, amor à ostentação.

Arthur Ramos: culto da palavra, culto de doutor, primarismo, autodidatismo, narcisismo, culto das coisas concretas, totens estrangeiros.

Gilberto Freyre: Luxúria, tolerância gosto do jogo, simpatia, cordialidade, individualismo.

Características mais mencionadas: individualista, sentimental, indolente, hospitaleiro imita o estrangeiro, tolerante, acessível.

Globalização: citação

"Globalização é um termo que eu não uso. Não é conceito sério. Nós, os americanos, o inventamos para dissimular nossa política de entrada econômica nos outros países. E para tornar respeitáveis os movimentos especulativos de capital, que sempre são causa de graves problemas." John Kenneth Galbraith, economista norte-americano.

Mão invisível

"Com freqüência a mão invisível de Adam Smith se converte na mão de um batedor de carteiras." Lester Thurow